Fez ontem 25 anos que morreu Ian Curtis. Hoje, realiza-se o enterro de Fernando Magalhães.
A música tem dois lados: os que a fazem e os que a ouvem.
Apetece-me subir a um palco e dizer adeus sob a sombra, para uma plateia vazia iluminada por projectores que queimem o tecido das cadeiras.

Dead Souls
Someone take these dreams away
That point me to another day
A duel of personalities
That stretch all true reality
That keep calling me - they keep calling me
Keep on calling me - they keep calling me
When figures from the past stand tall
And mocking voices ring the hall
Imperialistic house of prayer
Conquistadors who took their share
That keep calling me - they keep calling me
Keep on calling me - they keep calling me
Joy Division
Fernando Magalhães foi jornalista do Público, crítico musical, comendador da música que por aí anda, de uma forma muito particular.
Old Jerusalem - "TWICE THE HUMBLING SUN"
drawing by Helena Reis
Dia 12 de Abril no CCB, Lisboa. Bilhetes já há venda.


| ontem. um breve momento. hoje. logo cedo. junto ao Tejo. pelas 00h30 ou depois. antony e um johnson (?) e as coco rosie. antony. no começo do dia. obrigado pela voz. pelo calor. obrigado antony. obrigado coco rosie por o trazerem convosco. o antony poderá salvar-me muitas vezes. se calhar tantas quantas já me salvou antes. discretamente. secretamente. talvez por não haver razão. e se a houver nem preciso saber.
vê-lo actuar concretizou muito. para a próxima deixem-no trazer a banda. love be with you |
Sabem como eu gosto de Brel? Não?... é tão pouco material quanto é tanto emocional, isto é, apesar de não ser proprietário de edições oficiais de Brel, sinto na pele o arrepio do som, da imagem e das palavras de Brel.
Comme Quand On Était Beau é mais uma edição fantástica sobre o trabalho, do trabalho e da vida de Brel. Uma caixa de três DVD... que ainda não traz para o formato digital concertos antes editados em VHS...
Acreditemos um pouco na paz interior que não existe, porque o frenético nos persegue e nada mais que a vontade de criar existe. Fosse eu corajoso.. e mandava à merda este blog e outras mariquices da minha vida... e fazia coisas aparecer mesmo que doesse mais do que me dói ficar parado a ver o sol pôr-se e o sol nascer, em dias iguais e noites iguais e ...
Brel significa para mim, emocionalmente, muito... eu não sei explicar... e prefiro não saber... e não me importo de ser imaterial... mesmo nada!
hoje, ao fim da tarde um telefonema: um convite para ir ver John Cale, na aula Magna, à borla! o tempo não está para outras coisas e o sim foi imediato... o concerto foi muito bom. Aprendi muito... conhecia zero da obra dele a solo... Obrigado, aos amigos.
de Jacques Brel houve a recente edição de Infiniment (com edição limitada em digipack e outra, não limitada, em plástico), duplo álbum com faixas inéditas, uma antologia do melhor do poeta/escritor/actor.
houve, ainda, a edição da integral. uma caixa de bombons com 15 CD. a caixa limitada e numerada (devem ser 50000) é linda - vi-a na FNAC, a €141.
penso, deixando-a no expositor, ó esta paixão pelos objectos!
um dia, hão anos, pela rádio, descobri a existência de um álbum da editora Sub Rosa. um álbum com direcção artística de Bill Laswell: hashisheen, the end of law, depois comprei-o na Ananana.
1. Intro - Sussan Deyhim
2. Old Man Of The Mountain, The - Percy Howard III
3. Western Lands, The - WS Burroughs/Iggy Pop
4. Spilled Cup, The - Sussan Deyhim
5. Marco Polo's Tale - Peter Wilson
6. Pilgrimage to Cairo - Peter Wilson
7. Freya Stark At Alamut - Nicole Blackman
8. Castles - Percy Howard III
9. Hashish Poem - Nicole Blackman
10. Sinan's Boat - Ira Cohen
11. Assassinations - Nicole Blackman
12. Mongols Destroy Alamut, The - Percy Howard III
13. Divine Self, The - Jah Wobble
14. Morning High - Patti Smith/Lizzy Mercier Descloux
15. Quick Trip To Alamut, A - Iggy Pop
16. Slogans - Genesis P-Orridge
17. Book Of The Highest Initiation - Genesis P-Orridge
18. Lord Of Resurrection, The - Hassan
19. Assassinations - Nicole Blackman
20. Tale Of The Calif Hakem - Anne Clark
21. Assassins, The - Hakim Bey
22. End - Sussan Deyhim
com a descoberta deste álbum... descobri os assassinos: hashisheen.
a lista foi recolhida na net, o meu cd está numa caixa algures numa garagem, pelo que não garanto a sua correcção
ontem, à noite, no Pequeno Auditório do CCB, teve lugar o segundo de dois concertos do grupo musical Wordsong.
Os Wordsong viram agora reeditado o seu primeiro, e ainda único, álbum: Al Berto, onde trabalharam poemas do poeta. Esta reedição é uma versão aumentada com as colaborações de João Peste, JP Simões e Ségio Costa.
Ao vivo o fenómeno teve ainda a participação de Jorge Palma, que dialogou Les Mots com Pedro d'Orey, numa versão só com piano e vozes.
O concerto agradou-me bastante!
adquiri a versão limitada de The antidote/Antídoto, CD/Livro, dos Moonspell e de José Luís Peixoto, respectivamente. Esta versão é dirigida a quem gosta da música dos Moonspell e não a quem gosta e conhece os traços de Peixoto. Limitada a 2000 exemplares numerados, a versão oferece o livro, com as dimensões conhecidas das caixas de CD, em capa dura e com duas bolsas, quais badanas, uma com o CD e outra com o respectivo booklet. Tudo protegido por uma simples caixa de papel.
Excelente design e art work, onde o pecadilho único é a imagem que apresenta Antídoto (o livro) e que é um simples tratamento da capa da edição comum do livro (à dir.), que é uma imagem de imperceptível gosto... vão vê-lo às livrarias.
O CD contém a tradução para inglês do livro, por Robert Zenith, em versão multimédia e ainda o video de uma das faixas do álbum dos Moonspell, Everything Invaded.
E para quem não gosta da banda portuguesa, vão ver a capa do livro e tragam-no com vocês, apesar da capa! Gostei muito do livro, a prosa poética de Peixoto está viva, é reconhecível e encontra-se renovada! O livro comporta dez contos cujo tema comum é o medo... os dez contos acompanham os dez temas do álbum dos Moonspell, sucedendo-se num clima de permanente esperança... de permanente erro.
Durante a minha leitura, assisti ao encadeamento das personagens numa história em procura do antídoto para o medo. Peixoto renova-se na sua prosa poética por ter deixado cair as suas repetições imensas, permitindo uma acção mais contudente e liberta de amarras. As personagens surgem de encontro umas às outras, seguem juntas para um destino comum.
Em Antídoto olhamos novamente para o Sul, para a vida que roubamos ao Sul... o Sul, esse mundo de afecto sem afectos de montes abandonados no coração das suas gentes, de pedras e terra a que regressamos pelas próprias mãos.
No que diz respeito à música, não direi muito, gosto dos Moonspell pela sua força e pelas linhas de Fernando Ribeiro, letrista e vocalista. Considero este álbum melhor que o anterior... mas o meu olhar pode ser enviesado.
25 anos após a sua morte dolorosa, Brel poderia escrever uma bela canção carregada de ironia pelo que a editora resolveu fazer agora.
Duas edições especiais - uma especial (2CD) e outra especialíssima (integral de 16 CD), a bem da verdade - foram editadas e trazem com elas 5 canções inéditas, que o cantautor condenou ao esquecimento por testamento, pois não as considerava merecedoras de edição no estado em que se encontravam.
No le monde e no the guardian (links perecíveis).

os Einstürzende Neubauten não tinham dinheiro para produzir e gravar um álbum novo, por essa razão, no ano passado lançaram um apelo aos fans: nós oferecemos o álbum, músicas raras e uma loja de wav e mp3 e vocês dão 35 dólares para acederem a conteúdos exclusivos e ao cd novo.
com o cd gravado, a Mute acordou com a banda o lançamento do CD comercialmente, que irá ser diferente deste, cuja embalagem podem ver na imagem presente.
com um tom agonizante e de desespero, as fúrias característica no som da banda são agora marcadamente tensas mas circulares e graves. poderíamos dizer que a calma chegou, mas já silence is sexy anunciava esse pendor mais maduro na idade, mais gentil na chapada.
os Einstürzende Neubauten vão entrar em digressão, espero que passem por este canto malfadado.
anuncia-se agora a produção de um DVD ou CD ao vivo com base no mesmo esquema: tudo em http://www.neubauten.org.
não faço esquemas demasiado complicados. os advérbios são interessantes e a poesia chocalha na minha cabeça... quase morta. e não chega a nascer. o súbito tormento do contrabaixista, atira-me para a incerteza. o pianista, sereno, diz-me para reflectir. o percussionista atira-me com água à cara. a música constrói-se em nocturnos.
vou apenas escrever que estou a ouvir Old Jerusalem, uma banda do norte do país, que editou em Janeiro o álbum april. e andei a ouvir o EP Rhizome [prelude] dos The Astonishing Urbana Fall, de Barcelos. E deixem-me que vos diga... linda música! nada mais!
quanto aos Old Jerusalem, o seu mentor e um companheiro fizeram um showcase ontem na FNAC Colombo, que apanhei por mero acaso. Muito me agradou!