once upon a time
i was to linger on
your skin
foi ontem. foram todos os dias. os dias inteiros e nada aconteceu.
entre rumo e desarrumo da alma e do espírito, a captação de imagens nega a existência da simplicidade.
o racional não prevalecerá. o emocional é a interpretação única das coisas.
se me oferecem uma foto de um pneu, sinto-o em chamas
vejo-os chegar
são como leões
delicadamente furtivos
como se não houvesse
motivo para estarem ali
vêem-me vê-los
e correm
não tenho a agilidade
da gazela nem da zebra
a carne
fico-lhes entre os dentes
refeição desagradável
ao sol, na sombra
laranjeira sem frutos
e o corpo
sob a terra húmida
decompondo-se
nas conversas de bairro não participo
embirro
doem-me os ouvidos
gente
e aos intrusos evito-os
pardos
na descoberta
do indíviduo que és
liberto
as pontas dos meus dedos
martelando a tua pele
viva
onde a guerra se atola em lodo
imediato enterramento dos mortos
onde o caminho das palavras
é lento como o gaguejar
sítio que fede
i am against the news you might bring with you
i am against the choking life you live in
i am against being smothered by those who smother
i am against withering flowers
in time i'll learn to sell my own soul to the devils gods of certainty
i am against love with boundaries
i am against time locked in clocks
i am against the closure of mind
i am against not knowing your body from head to toe
before time to come i'll lean over your corpse to hold the past
a luta é
se fores ainda para lá
ao meio do tabuleiro da ponte
lembra-te de mim
onde o silêncio não é
o teu sorriso é
mais do que uma fotografia
uma vez, durante a manhã senti-te madura. maçã vermelha.
a árvore adormecera e só tu, maçã vermelha, acordaras para o sol.
existe um quadrado azul
risca-se
desenha-se um círculo vermelho
a circunferência do círculo poderá ser preta
em redor do círculo, a azul
desenham-se linhas onduladas
entre as linhas
alternadamente
mente-se preenchendo vazios
por escolha aleatória
com traços diagonais verdes e amarelos
pinta-se um ponto final
a castanho
no suposto canto inferior direito
as mãos entrelaçadas nos dedos
os cabelos
a estrada é o caminho precoce
de quem não conhece pé posto
ou não viu ou não sabe
ignora
não lhe interessa
as mãos entrelaçadas nos dedos
os olhos
abracei-te na leitaria
pedi um copo
e bebi
acompanhei com um pastel de nata
mas primeiro enfiei-lhe o dedo
silent waves
no moon to show us the trail
one howl crosses the sand
still no moon to show us how
vejo no vazio
nada
e tua coragem dentro da sanita
verde
cheiro acre
só o silêncio para que adore
a virtude de um brilho
no céu plúmbeo
água
livre na cara do diabo
não há outro lugar seguro
do humano que o artificial
enquanto nos penetramos em carne
e as flores em volta murcham
(as que não murcham desejam-nos)
cai sobre o fabricado
a excelência do que foi antes natureza
quem esperas ao fim da rua?
quem te vai ver no meio da rua?
quem te passará a onça que precisas?
vai um sorriso?
um riso ténue de esperança
em não sobreviver?
no fim da rua está uma luz
de túnel sem fim
não sobreviver na primeira oportunidade.
os erros têm muitos nomes
na agenda democrática que levo
no bolso da frente do casaco dos seis bolsos
aquele castanho com botões castanhos
e uma chapa de latão na manga direita
nessa agenda escrevo prós e contras
desdenho uns e outros
desejo que se matem aos poucos
e cessem a sua existência
pesa-me
o bolso é grande e a agenda é grande
pareço manco quando caminho
e afinal é o blusão que manca
pareço mal
todos me olham e eu não sou bonito
riem-se e eu não tenho humor
tenho graça Argonauta das Unhas de Baixo
mas ninguém sabe e vocês não contam
a outra gente que eu sou o manco
do blusão castanho com uma agenda dos infernos
se me quiseres foder o juízo
começa pelo corpo que precisa mais
anseia mesmo que o fodam
qual amor? quem fala de amor?
já to disse, começa pelo corpo essa foda
moi-me depois para me não sentir
tão violado
se for para meu bem então...
se for por tu bem me quereres então...
se chegar o dia e me quiseres ter nas mãos
se lá chegar, eu
se lá chegares, tu
eu esperando
entregar-te-ei
tu esperando
receberás
de mim o revólver
de ti a bala.
tão belo o estertor
os espasmos
a debilidade da alma
e o abandono do corpo
a tua flor na haste
o nosso amor em
fruto madurando
amanhã
o melro com a larva no bico
e a negritude no semblante da viúva
com a criança ao colo berrando
no frio da madrugada
e ainda o cheiro a maresia
traçando-lhe o destino que
o tornou orfão e rebelde
amanhã
o melro com o presente no sonho
e o negro manto ao largo
com os homens embalando
o pesadelo da terra e das mães
chorando na beira-mar os filhos
sem pedra sobre o túmulo
um dia.
dois dias e meio.
três dias e quatro horas.
a distância.
a percepção do fim dos sonhos.
um caminho pelas nuvens.
dedos de conversa com a criança.
os cabelos loiros encaracolados.
caracois caminhando pelo trilho.
a alma a ganhar forma e o espírito em remissão.
lembras-te como foste?
não.
num olhar sereno
o olhar efémero da paixão
adivinhada solitária
*
junto à mesa central da cafetaria
passam céleres as gaiatas rindo
umas com as outras de umas e outras
em gargalhadas sucessivas de calores
da véspera dançante e roçagante
dos corpos crescidos de desejo
*
senhor doutor sentado olhando
que me diz deste mundo renovado
destas meninas respirando
digo pouco com a certeza
de o senhor doutorando não ter
reparado nos meninos gargalhando
no canto sobre a véspera do dia
*
outro olhar realiza sonhos
no mesmo assunto e afasta
da mente a vontade mas
linda não sobreviverá ao dia
abraços cumprimentos (nas cartas) e apertos de mão
o resto escusa-se na sociedade que teme
o preconceito e se protege longe: beijos não
tens tu na vida um sol
para encantar bela um olhar meu
ai, que tens tu na mão agora
que me ofuscas serena
ai, é um gladíolo amor branco
és tu como em flor serias
canta embala o teu menino mulher
cândida de tez qual neve e ardor
neste prazer nosso tão grande
porque chove e faz frio
e o quente não chega
porque o mundo é injusto
e a incerteza é a alteração das coisas
porque a vida parece resvalar
no momento inesperado
porque olhamos em volta
e é negro o espectro
sentamo-nos
crentes em nós
(única força)
sabes, gentil, o cromado
frigorífico dos apliques
nos automóveis está fora da moda
titânio ou azul tunning
na incapacitante ignorância dos ébrios.
gentil, alma tua
que me refresca como sumo de laranja e limão
vindo dessa fonte fresca definida
pela electricidade do mundo moderno.
vens tu de onde?, pergunto
ao gelo ausente do enregelado absinto.
virás de cromados e metalizados frigoríficos
com a internet à distância de um toque tão perto.
prefiro os mamilos do teu corpo,
gentil, tocando-lhe para descobrir o teu calor
dentro sem cromados nem titânios
zumbido-me na cabeça veloz.
brinco apenas quando te vejo escarranchado
sobre o poial à procura de um quintal
brinco apenas julgando-te com a divertida ausência
de imaginação pós-natal esborrachado por um temporal
não tenho palavras a mais.. tenho de menos
tenho de mais o ruído... tenho de sobra
vai a leilão, senhor doutor, o ruído do meu coração?
tenho o silêncio para te cantar a minha história
não tenho dinheiro para comprar
tenho de sobra para vender a doença
espanto-me, talvez, que não compreendas
vai para o adro carregar a tua cruz
anda com ela às voltas e o padre que te benza
tivesse eu mãos
agarrar-te-ia no tempo
correndo sem som
no jardim japonês
olho-te atravessando
a ponte velho ícone
guardado pela garça
amarras
amas com garras
garras de amas
arre!
marras nas mamas
amas as mamas da
ama com garras
mar de ama
doces amarras
dos lábios nas mamas
sorrimos im-puros com a chuva frágil a pedir licença para entrar
sorrimos por não haver mais a fazer na tristeza que somos
enquanto gente enquanto grupo de pessoas apontadas e descritas em condições específicas
em manuais escolares e religiosos
sons de púlpito instruídos por superiores ordens
senhores vinde e deixai que as vossas crianças não assistam ao vosso fim
não esperamos mais do tempo que a vida que nos é permitida, ouço
mas ninguém espera a morte? sinal real de uma vida gasta e usufruída
ninguém espera porque nem uma vida é
gasta e usufruída. que lhe valha a morte para a coroar.
enfim cai chuva sobre as cabeças sob o céu nublado
permitindo que nos lavemos das agruras impostas e vestidas
quais formas de roupa disformando os corpos
mesmo assim sorrimos para não haver diferenças
nem gargalhadas nem palavras de júbilo
deixem-nos morrer em paz, merecemos já o véu negro
das viúvas das praias ocidentais
entraste e afirmaste
a vontade de me ter
na vida tua
cresceu em mim
essa vontade de me ter
na vida tua
a ignorância está-nos no sangue
e cresce e rega-se e multiplica-se
não fosse ela em corpo o nós palpável
querem-nos estúpidos
e conseguem e fornecem
o produto já em cápsulas
somos pobres com honra
uma honra que depende da atitude dos outros
com a qual nos pretendemos ofendidos
e, por isso, ofendemos e matamos
estupidificando a honra que se diz nossa
e rastejando no pó
sujos e cabisbaixos e submissos
a senhores cuja honra é o poder que detêm
preferível sermos gentios
altivos e serenos connosco
vejo-o calçando as botas
nos pés ausentes
vejo-o tratando da terra
com a força ausente
vejo-o prostrado num leito
sem pés
sem pernas
sem força
vejo-o tentando ensinar-me coisas
eu aprendi o que quis
eu, o rebelde dos netos
eu que nunca disse sim
ele sem força
ele, homem, balbuceia na dor
por me ter feito chorar
sem razão para tal
sou aquele que está mais próximo
na ilegitimadade humana contra-natura
na manutenção duma vida sem razão
não por amor nem por desgosto
apenas porque sim
este é um exercício que resolvo publicar, apesar de toda a inépcia, a falta de técnica e a falta de acerto na escolha das palavras e na sua interacção.
a almeida
varre a rua
ventosa
o lixo escolhe
se fica
se vai
fica mais
como a gente
que tem medo
de partir
pouco vai
e não volta
a mulher
varre a rua
ventosa
olha em redor
caminhando
a arrastar a vassoura
calo a vontade de falar
e me defender
de quem me cansa
os sentidos
todos me cansam
receando pouco mais
que o meu silêncio
falam para os meus ouvidos
idolatram verdades imensas
num jogo de interesses
que perdi faz tempo
já não tenho mais
para além
do meu silêncio.
a tua casa é onde te sentes em casa.
a tua casa é aquilo que fazes dela.
estarás em tua casa quando lhe chamares a minha casa.
não tenho a minha casa, vivo onde posso: tenho casa.
entre um pestanejar
brilha uma lágrima
de partida para oriente
escrevo a tua história na calçada
rio, em soluços
olhando a chuva apagá-la
três lírios brancos e uma rosa vermelha.
esta rosa vermelha
é para ti
junto-lhe três lírios brancos
despeço-me no vazio
nada sei
nada tenho a mais para te dar
agora
nunca soube do tempo
nunca soube de mim
Alá és grande.
Alá, meu senhor, sou teu servo.
o meu sangue pertence-te, utiliza-o
para que a vontade de bem
preencha os corações de
todos os homens.
Alá, meu senhor,
protege a família que me criou
e me fez orgulhoso
da tua vontade.
Alá, eu serei teu mártir e
partilharei contigo a vida
no paraíso eterno.
---- in caderno das armas, abdul ----
pergunta
resposta
posta de peixe
espadarte
espada de arte
arte em riste
ris-te?
triste?
não interessa
pergunta
não respondas
---- in caderno das armas, tom ----
arde em prazer
a tua dor
sem questionar
ferida em sangue
a tua dor
arde
rasga-se o teu ventre
em prazer na dor
que tiveste
e tens dor
quente, em sangue
morres
---- in caderno das armas, tom ----
quem veio do frio e se instalou em dormitórios escuros?
ontem vinham uns versos estranhos na minha cabeça enquanto regressava a casa:
o those who care for us
they die
they die
o for us
they care for us and they die
bem... nem sempre se pode ter tudo! mas pior seria ter a certeza de que não se tem realmente nada!
contudo, sei que o futuro é esse: vazio de tudo: tudo vazio: nada!
a visão do extremo que se permite encontrar!
o extremo da visão que se recusa em determinado tempo a olhar.
e tudo o pouco mais é
a boca
a pele
os ouvidos
o amor
o sexo
as palavras sussurradas junto do lóbulo da orelha.
i can't hold the dreams I have
so they
f
a
l
l
i can't see your eyes anymore
so i wonder
w
h
y
?
you are my breath
but still i
d
i
e
.
um pássaro
um pardal
uma andorinha
um cão
um lobo
uma raposa
o mar inteiro
de baleias
de golfinhos
estou cansado do tempo em que todo o tempo é cansaço.
ficarei contente com um sorriso
leve na tua boca, que anseio
rever, a cada dia te perdendo
para o cansaço do mundo.
pareces uma miragem a cada tormenta,
de lua a lua,
no vazio dos dias e do leito.
num só olhar te tenho,
noutro abraço-te e dispo
de mim a vergonha
cega de não ter nada,
de ter todo
o meu amor por ti,
cheio de mares e saudades,
cantando uma enferma canção
negra no vestir, triste de paixão.
a cidade como um oceano.
as marés com hora marcada
e sem influência da lua.
tenho sono. mas não quero dormir.
corto um papel e faço barulho ao fundo da sala.
tenho sono. mas não me apetece acordar assim.
pego na tesoura e no papel e atiro-os para longe.
ruidosamente. mas tenho sono.
riso.
ri risos quem ri.
enquanto ri pode chorar de tanto rir.
não chora choros de choro triste de quem não ri risos de rir contente.
um momento de sol
um tempo lindo no raiar da manhã
és tu meu amor
a quem desejo
a paz
és tu
perdido entre os lençois
um momento de sorriso
sincero
um tempo aberto
à eternidade
num só silêncio
ao acordar
o silêncio
bate em ritmos lentos
faz estremecer o sangue
o silêncio
tem carne e músculos
morre
um pouco de silêncio
silêncio
ouvem-se bater de asas
um pássaro pressente
passos
e voa
silêncio
gritam na sala
silêncio
chilreia
por entre folhas
a descendência
do pássaro
a lua
é um todo num vasto nada
em silêncio
dançam felizes na sala
nada para ver na chuva.
felizmente se imagina as imagens incertas.
os desenhos pouco importam no nevoeiro.
e o calor refresca-se nos corpos.
nada para ver na chuva.
pouco mais que um amor todo
num sorriso infantil e doce
com gotas de água no rosto.
descanso no teu regaço o peso da minha cabeça.
da minha cabeça esqueço o mundo.
em descanso
no teu regaço
adormeço.
i am the voice you never heard
and then you fall in a big well
and then you scream your lungs out to me
and you think thinking is ok! ok! ok! ok!
but the shitty world doesn't notice you at all
but boots walk still for a march of pigs
but people look at you and they reflect themselves
they don't see you!
they don't see you...
who are you?
who are you?
who are you?
lame
here goes a song with a story which is not yours nor mine.
it will make us cry
it will show us how people turn to life
and in a certain moment they die
lame
o awfull season
o awfull season
we came and we'll die
this bird in my hands
his burden in my hands
no more his wings will fly
não sou sal de nenhuma terra
serei sal da terra onde cair
não sou pó de nenhum lugar
serei pó do pó onde desparecer
não sou do mundo
serei de todos os mundos
sou eu
não serei nada
escrevo em silêncio
a paisagem em frente
informe
desfeita em humidade
caminho em silêncio
na paisagem circundante
tropeço e tateio o solo
o pó
mergulho em silêncio
na imagem
colorida em sete cores
do negro vazio
abandono o silêncio
respiro o ar fresco
da gruta onde
sonho
pequeno.
muito pequeno.
o mundo.
o mundo cresce.
uma árvore em flôr.
o olhar meigo de pássaro.
um chilrear sem mágoa.
o pássaro dança no ar.
solta-se a vida.
a vida.
muito pequena.
pequena.
o teu sonho não existe
desenha no ar uma expressão do teu sonho
mal descrito em palavras
que gaguejas com medo
rebola nas nuvens do fumo
na cidade dos amores o teu sonho
sem nexo e sem razão
esconde-o de mim e
dos outros que te disserem
que te não querem ouvir
esta é a minha canção de embalar
desenha no ar uma expressão do teu sonho
pouco importa o que tenho escrito ao mundo.
importa a alguns muito
o pouco que escrevo.
e a mim?
levanto-me de manhã e fecho os olhos.
e o dia todo é o mundo
sem mim.
um homem
virado ao contrário tem suspirado e morto
em cada suspiro ares infecundos cheios de bichos estéreis.
morre ao contrário
do avesso
de lá para cá ou de cá para lá
conforme o contrário e o avesso sejam
mirados do fundo concâvo ou convexo dos olhos.
apenas um grande vazio me preenche a euforia de estar cansado de escrever vazio
e quem ler se esvaziar do todo significado das coisas sem nome
perco por momentos a vontade de continuar escrevendo a solidão
que se me assemelha a uma espécie de pulga gigante e pesada
que me salta para o colo e adormece
incomodando-me o fedor de não ter deixado de fumar enquanto era tempo
sonhando imagens brancas sem significado
crendo possíveis linhas negras a darem-lhe sentido no horizonte de destino
quero fechar os olhos e ser como um peixe fora d'água debatendo-se
contra o irremediável
contra a única certeza que me encanta por ser a única que não mente
apenas um grande vazio me preenche o sorriso de lábios entreabertos
segurando o cilindro de gosto acre e esfumando uma nuvem cinzenta
os meus olhos sem brilho olham a distância duma imagem perdida no meio do rio
um rio de gente igual subindo a rua na cidade dos meus amores
seca o rio quando ando por lá... umas gotas fazem dele o silêncio
dum túmulo aberto por estranhos
apenas um grande vazio me preenche a descrição do passado acontecido
e a dúvida que se liberta sobre o futuro permanece vaga
"o dia roubou-me/ levou-me a alma/ raio parta o dia" - Lisboa, Adolfo Lúxuria Canibal
vem devagar
ajeita-te
toma forma neste lugar
sonha o
desperdício de tempo
num sono sem
vontade põe-lhe
na cara uma pata
de lagarto velho
cansado
teso retesado
poisa sobre
lábios a desgraça
do bem de todos
antes de ti
ninguém
e a morte esconde-se de
cada sombra sem véu
que lhe foge entre os dedos
propositadamente
dispostos
a não segurar nada
ri enche
o espaço de som
estridente gralha
negra e sem humildade
não ensines
adormece num
jeito suave
lento
à beira do caminho.....
...... a veste negra sem rosto ........
a minha morte acompanha-me............
em viagem pelo medo........
.................................................a luuuuuuuaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhh sorri, rrrrii
............
de mim.
agarra. foge. esquece. estraga.
morde. larga. deixa. destrói.
segura. abandona. parte. mata.
deus. deus. deus. deus.
falls down gently
on our heads
rain
sunlight
rainbow light
gives us cold
gives us pain
or a smile to hold
fall down from up
up in the sky
angel feathers
god's neighbours
from up to us
dark angels fall
with broken wings
fall down on our heads
adormecer
sempre no vazio do tempo
como se o mar não voltasse
quando a onda vai
e leva nas costas o barco
com sonhos e dúvidas
dos homens e mulheres
que não cruzarão mais
o olhar
silence
free silence
the silence
after the end
before the beginning
the same sound
can you hear me?
estar, não estar, não ter que estar.
ausência... sem ausência.
permancer.
não ser visto, estar cego.
não se pede uma compreensão capaz a nada.
não se pede porque pode incomodar.
silêncio... obtuso... falso.
assim... sem mais.
pergunta
pergun
per
pre
prego
pre go
go
gono
gonorrei
gonorreia
a sério? achas mesmo essa merda? crês que isso se resolve assim? estou confuso....
e o duende foi embora num passo leve do seu tamanho!
comprei um chicote.
comprei o chicote por causa do look.
ela meia nua, eu meio nú.
ambos numa pose de poder.
o chicote na minha mão e entre os dentes dela.
um look fantástico.
o chicote no chão e nós dois enrolados.
aconteceu!
o espelho comeu-me a cara!
a minha cara desapareceu à minha frente.
fiquei sem visão de nada do que alí estava.
o espelho reflecte agora o outro.
aquele que eu não sei quem é ou foi.
o meu mundo derroca breve.
ao tê-lo assim, sem graça...
o meu mundo não é nada,
perante outros que são tanto
e derrocam longamente
sobre as cabeças.
e toda a minha dor me invadiu e me impede de pensar,
e ao não pensar sinto-me perfeitamente contente.
excepto quando me obrigam a pensar e me irritam e a dor se torna maior.
envio-te beijos do limbo.
o meu contentamento é pequeno.
por aqui não existem anjos de qualquer tipo.
abro os olhos e sinto escorrer a vergonha pelos globos oculares.
Gosto do céu assim...
Tenho vontade de ir contra uma parede e encostar-me lá!
Fazer parte da parede...
sentir-me quente com o sol e frio com a sombra...
molhado com a chuva e podre com o tempo.
Mergulhar em ti e soprar em ti uma brisa do mar. é isso q me apetece.
mas nem eu sou o mar e nem tu água.
horribilizo o meu olhar na luz...
escondo o meu pensamento em partidas forçadas...
saio devagar, se notam digo adeus, e ando
quando queria correr.
Ninguém vê nada aqui e todos querem ver algo aqui.
O mundo inteiro arranja razões para não compreender o q está na frente dos olhos.
O inteiro do mundo acha q tem razões para ver à frente dos olhos melhor que eu.
Porra.
It's a confusion.
A fusion.
Ser inconscientemente vazio de tudo. Estar vazio de tudo.
Compreender que estando vazio de tudo é o melhor para voltar a encher.
Estar vazio de nada. Ser nada num vazio imenso.