nas conversas de bairro não participo
embirro
doem-me os ouvidos
gente
e aos intrusos evito-os
pardos
Parabéns margarete! :) o teu teclar dá-me um jeitaço! :) para descansar os olhos num pouco de originalidade e loucura. obrigado :)
aproveito para me lembrar que entre mudanças de servidores e posts apagados e poemas estragados e textos azedos, este blog fez, dia 9 de Junho, quatro anos. o primeiro post ainda resiste nos arquivos.
na descoberta
do indíviduo que és
liberto
as pontas dos meus dedos
martelando a tua pele
viva
onde a guerra se atola em lodo
imediato enterramento dos mortos
onde o caminho das palavras
é lento como o gaguejar
sítio que fede
i am against the news you might bring with you
i am against the choking life you live in
i am against being smothered by those who smother
i am against withering flowers
in time i'll learn to sell my own soul to the devils gods of certainty
i am against love with boundaries
i am against time locked in clocks
i am against the closure of mind
i am against not knowing your body from head to toe
before time to come i'll lean over your corpse to hold the past
a luta é
se fores ainda para lá
ao meio do tabuleiro da ponte
lembra-te de mim
onde o silêncio não é
o teu sorriso é
mais do que uma fotografia
uma vez, durante a manhã senti-te madura. maçã vermelha.
a árvore adormecera e só tu, maçã vermelha, acordaras para o sol.
No meio de um qualquer desespero, se me perguntarem o que penso do teatro de Sarah Kane, antes da resposta obterão silêncio.
Eu gosto muito do teatro da escritora britânica. Eu adoro aquela escrita. A escritora já não vive e o seu teatro está traduzido e publicado em Portugal.
Crave é, das suas poucas peças, a peça, que com 4:48 Psychosis, mostra o mais das suas explorações emocionais.
Pensei eu que só uma banda de música tinha composto um tema em volta dos escritos de Sarah, quando os Tindersticks lançaram, em Waiting For The Moon de 2003, 4:48 Psychosis.
Mas pensei mal, pois descobri, hoje, que Bjork, em 2001, no seu Vespertine, apresenta-nos An Echo, A Stain, baseado em Crave.
Quando responder à questão, depois do silêncio, direi: "penso".
Apresenta-se A Cibernética, até ao dia 30 de Junho (4a a Sábado, 22h). O local é o ESPAÇO ATMOSFERAS/CASA AMARELA, na rua da Boavista (entre o Cais Sodré e Santos), 67.
A peça é da autoria de Possidónio Cachapa.
informações em acibernetica.blogs.sapo.pt
existe um quadrado azul
risca-se
desenha-se um círculo vermelho
a circunferência do círculo poderá ser preta
em redor do círculo, a azul
desenham-se linhas onduladas
entre as linhas
alternadamente
mente-se preenchendo vazios
por escolha aleatória
com traços diagonais verdes e amarelos
pinta-se um ponto final
a castanho
no suposto canto inferior direito
deixo para trás a vontade de me iludir. a capacidade de ilusão finou-se. e da realidade vê-se não um reflexo, mas a sombra ténue do que se almejou.
hoje, constatei que a vela atingiu o fim do pavio. a minha voz nunca o foi. o meu calor não passa de um pequeno cubo de gelo.
amigos, nem tenho viola para meter no saco. nunca toquei qualquer harmonia.
não esqueci o aniversário da morte de Al Berto, a 13 de Junho. lembro-me perfeitamente de estar a tomar o pequeno almoço e ouvir a notícia na rádio e ficar com o pão com manteiga atravessado no esófago.
recentemente foi publicado um livro com memórias de objectos do poeta. esteve à venda na feira do livro, no quiosque da Assírio. também já o vi na FNAC, pelo que presumo que a distribuição esteja assegurada. a edição é da Atlântida, de Sines.
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da Galiza trouxe poesia de acordo com a permissão da carteira. uma antologia e dois livros relativamente recentes. é a primeira vez que vou ler poesia galega. pelo que li, ao escolher de entre alguns livros que me foram propostos, na feira do livro de Lugo, pelo senhor da livraria de Santiago, haverá conteúdo para publicar no Silêncio.
e, quem sabe e se se achar útil, tentar uma tradução. "tradução do galego?", poderão questionar. eu penso que não é assim tão exacta a compreensão do galego por um português, mas espero pela leitura para retirar as minhas ilações.
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quero referir que não gostei da feira do livro de Lisboa. nos dias em que lá estive senti-a muito desinteressante. o programa não me atraíu como costume. sorte tive em encontrar pessoas de quem se gosta como o P, a C e o G. ainda, levar lá a S. combinar encontros com o A, que conheci na feira. e o breve momento de "olá" à S e à S. :)
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deixo para o futuro o que há-de vir.
guardo o cheiro da chuva num frasco amarelo com tampa branca de rosca.
abro-o sempre que o calor chega demasiado cedo.
pelo que vejo, já nunca chega demasiado cedo. pelo que sinto, o calendário não tem importância para as condições climatéricas.
será difícil recuperar o cheiro da chuva, agora. a canícula é o tempo deste território em que habito.
só nos corpos poderei encontrar abrigo. mas são tantos os que têm sede.
só hoje soube que morreram Vasco Gonçalves, Eugénio de Andrade e Álvaro Cunhal.
hei-de retomar o fôlego primeiro. depois volto.
dust and water
dust and water
water and dust
water and dust
as mãos entrelaçadas nos dedos
os cabelos
a estrada é o caminho precoce
de quem não conhece pé posto
ou não viu ou não sabe
ignora
não lhe interessa
as mãos entrelaçadas nos dedos
os olhos