fosse uma bola eu jogaria boule com ela. e escolheria um qualquer para cochon.

Um dos recentes anúncios da Portugal Telecom (PT) anunciava a castração que, supostamente, os portugueses têm ao impedir-se de telefonar a A por A ser de uma rede telefónica diferente. A PT representa bem o papel do animador cultural de clubes simpáticos: todas as piadas são machistas... isto é, são dirigidas para uma parte da população ressequida que acha que compreende as piadas.
A Optimus respondeu sabiamente com uma campanha agressiva, demonstrando que a liberdade de telefonar de A a Z, onde se incluem as letras do abecedário internacional, é possível... haja vontade.
Nestas duas situações está patente uma caricatural careta do que é ser português na recalcadissima imagem do português de José Gil. Ser, para além de idiota chapado, um idiota à chapada.
Uns apelam à conveniência económica que é não ligar para A, apesar de ser a possibilidade do amor, mas ligar para B, por ser um melhor negócio matrimonial.
Outros querem fazer do mundo, um largo largo de amor... uma mensagem fora da compreensão das massas, que preferem gritos de orgulho e de guerra nas ruas deste país... quando o clube de futebol ganha.
Existirá espaço para a pergunta ausente?
"Onde andam os índios?"
Conheci A, ontem. A é amigo de S que por sua vez foi colega de J. A é amigo de M que tem amizade por S', que conheceu S'' e se tornou amiga de S'' e J'. J' gosta da amizade por S. J e J' são amigos e colegas. S'' é amiga de J. Sei que A conhece M e M conhece por meio de A o V. M conhece L através de S'. Saiba-se que A apresentou V não só a M, mas também a S'.
Não, não existe, porque não se compreende a pergunta nem a resposta.
Os anúncios publicitários são bússolas que orientam sem dar espaço a quem não gosta de ter espaço para se orientar e não gosta de mapas. As ovelhinhas são cinzentas e brancas.
Um dia destes ainda volto a rever Z, que já não vejo há mais de 10 anos.
p.s. - A já teve um blog, chamava-se os dias felizes
sou um homem contente. rio e desfaço-me perante os contornos das pessoas. aborrecem-me os poleiros nas orelhas das mulheres. sorrio a sorrisos. digo bom dia ou boa tarde. enfio os olhos pelos decotes quando existem decotes. sou um homem contente. as gentes à minha volta são felizes. é o futebol que lhes traz a flama da juventude que não tiveram. o futebol salva-as da uniformidade dos dias. pesam-lhes os governos, mas só gritam ao futebol. não têm dinheiro, mas os dias mais felizes são quando o futebol ganha. fosse eu a foda dessas gentes e mandava-os passear ao largo. melhor, em mar alto. sou um homem contente com a vida. dá-me graça ver as gentes assim felizes. ou assim tristes de felicidade.
se não houver lugar no fim da estrada, deixar-me-ão passar mais tempo a olhar o vazio do que foi a estrada até lá?
tu nunca arriscaste um único momento da tua insegurança. tu nunca soubeste o que foi a morte tocar-te nas unhas dos pés e fugir.
se não puder chegar lá, não me arrastem por nenhum motivo. mais hão-de vir para me usar como chão.
Fez ontem 25 anos que morreu Ian Curtis. Hoje, realiza-se o enterro de Fernando Magalhães.
A música tem dois lados: os que a fazem e os que a ouvem.
Apetece-me subir a um palco e dizer adeus sob a sombra, para uma plateia vazia iluminada por projectores que queimem o tecido das cadeiras.

Dead Souls
Someone take these dreams away
That point me to another day
A duel of personalities
That stretch all true reality
That keep calling me - they keep calling me
Keep on calling me - they keep calling me
When figures from the past stand tall
And mocking voices ring the hall
Imperialistic house of prayer
Conquistadors who took their share
That keep calling me - they keep calling me
Keep on calling me - they keep calling me
Joy Division
Fernando Magalhães foi jornalista do Público, crítico musical, comendador da música que por aí anda, de uma forma muito particular.
MRP voltou. FJV recebeu-a. Ela esconde a magreza com um fio de pele e um disco de plástico rosa ao pescoco. Ela considera-se uma escritora pop, logo uma Lichtenstein ou uma Wharol (sic). Fala de Rosa Mantero com propriedade. Fala da vida de "pessoas como nós" como sabendo a verdade certa e a errada, e como devem ser distribuídas. MRP deixa no ar a hipótese de FJV não ter lido bem o livro, um ou dois minutos depois, ela descobre algo novo no seu livro pela mão dele. Ela sabe vender o seu trabalho: fala da culpa judaico-cristã, da violência doméstica... E num só parágrafo escreve cinco (5) vezes "merda". E escreve frases como "Sou uma puta fixe". MRP continua dentro... Afinal eu nunca li livros dela. O que ela diz é suficiente para eu não querer lê-la. Esta minha conversa está vazia desde o início. [...] E nem fodê-la, fique claro. Não faltam objectos para amar com sentido.
eu, quando me for desta para outra, só terei a tristeza de não teres passado por mim.
abracei-te na leitaria
pedi um copo
e bebi
acompanhei com um pastel de nata
mas primeiro enfiei-lhe o dedo
apenas esta linha te permitirá avançar. e a mim agradecer-te o tempo todo que me deste.
[no fim,] temos a certeza de que o mundo inteiro é a sombra que nos desmancha a dúvida com as suas desrazões absurdas e absolutas. rei na terra proferindo as ordens do deus. porra! tinha sido melhor fodermos. afinal, deus, se se me partiram as asas foi porque as agarraste no momento em que me preparava para voar.
a morte, a minha, aquela que não adivinho, a ser por meu gosto, seria num canto escuro. não tem que ser um canto em esquadria. não precisa ser na cidade. mas pode ser à sombra. onde eu encoste calmo para sempre. a morte, essa que virá no momento certo para ela, que me abrace gentil como aqueles que me não magoam.
talvez, sob um silvado. para que me não encontrem pessoas e a natureza possa reconstruir-me com os seus enleios fortes.
Only love
Can bring the rain
That makes you yearn to the sky.
Only love
Can bring the rain
That falls like tears from on high.
words by Pete Townshend
Under the sea, is where I'll be
No talking 'bout the rain no more
words by Tom Barman