hão muito anos que conheço o eserver.org. muitas vezes precisei dele para me orientar e focar em determinados assuntos. ou, tão só, para recolher opiniões.
dentro do eserver.org, existe uma excelente magazine, a Bad Subjects - Political Education for Everyday Life.
a revista é gratuita e tem os números online. recentemente alvo de uma mudança de design e das bases de construção do site, oferece aos interessados pontos de vista desconhecidos nuns EUA aparentemente estagnados.
um link que faltava no Rain Song.
porque falta construir um presente diferente. contra poderes únicos e sectaristas. porque há quem pense num país como uma quinta fechada e delimitada por arame farpado. porque a liberdade só existe na formação da gente que é nova e ainda não chegamos lá. porque o 25 de Abril está ainda longe da meta.
será isto um caminho para a auto-formação?
Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro quererias ser?
Como é / Samuel Beckett
Já alguma vez ficaste apanhadinha(o) por um personagem de ficção?
"apanhadinho"... não poderia ser "apanhado"?... como? paixoneta? visualização do self? fica para a próxima, ok?
Qual foi o último livro que compraste?
foi ontem... se não, não me recordaria... Alguns Motetos / José Bento, Bestiário / José Alberto Oliveira, O inominável / Samuel Beckett, Jerusalém / Gonçalo M. Tavares
Qual o último livro que leste?
Murphy / Samuel Beckett
Que livros estás a ler?
O que vai morrer / Nelson de Matos, Biografia / José Agostinho Baptista
Que livros (5) levarias para uma ilha deserta?
se... levaria O Medo / Al Berto, A nossa necessidade de consolo é impossível de satisfazer / Stig Dagerman, Como é / Samuel Beckett - por ter a certeza de que, antes de mim, já lá esteve outr@ e, depois de mim, há-de estar mais alguém.
e... mais qualquer coisa de que me lembrasse na altura.
A quem vais passar este testemunho (três pessoas) e porquê?
à N., ao Juraan e à Sara e Sílvia, porque não sei se vão responder.
Old Jerusalem - "TWICE THE HUMBLING SUN"
drawing by Helena Reis
i'm afraid i don't care about it
no more
sad
silent waves
no moon to show us the trail
one howl crosses the sand
still no moon to show us how
entrou no quarto e pensou no odor intenso que o quarto transmitia. sentiu o cheiro na pele e sentou-se aos pés da cama. olhou em volta e ouviu os ruídos do trânsito da aldeia. passou uma Zundap. e uma porca a caminho da cobrição.
viu-se no espelho e pensou que deveria ser diferente. afastou o olhar para a cadeira onde tinha disposto a sua roupa de uma forma convencional. ou pelo menos da forma que tinha aprendido na infância.
entretanto, passou uma Famel e uma carroça puxada por um macho. ouvia os passos corridos de um rebanho que voltava para o curral.
despiu-se, espalhando a roupa pelo chão. atirou-se para a cama e apreciou o tecto. as teias e os aranhiços nos cantos. teria que em breve tratar da limpeza do quarto da aldeia.
enquanto não sei o que tenho respirado. vejo. o morto à espera do autocarro. entro no autocarro e sufoco. sento-me. o morto ao meu lado diz «bom dia! então?» expiro fainalmente o mau cheiro das entranhas. respondo-lhe «então, é mais um dia. amanhã lhe digo se foi bom». «amanhã? não. vou para o enterro».
os monstros encontraram-se à esquina. foram felizes.
a malta aqui somos sete ou oito. uma matilha gira. que não me inclui nem me exclui. quando chegam estranhos não participo na guerra. afasto-me.
abuso da pontuação. do meu aspecto indefectível.
isto é tudo tão mau. prefiro a janela. cá de cima vê-se. não lhes grito. não me gritam. gosto da minha matilha. tantas vezes incómoda.
são-me simpáticos na rua. transeuntes do meu tempo. como eu. partilham a chuva e o sol. mas a sua tristeza vejo-a e é diferente da que sinto.
são felizes.
na esperança de um raio de luz que ilumine os crentes em deus, os crentes católicos apostólicos romanos.. recorde-se: deus não morreu.
entre zeros e acostumados vizinhos de primeira apanha, encontro um toro em chamas. dos zeros pouco sei e dos outros ignoro qualquer informação. o toro é do corpo do azinho que se suicidou ao fundo do pousio. e as chamas nasceram de um fósforo, alimentadas por carumas e acendalhas ecológicas.
faz frio.