foi aqui no silêncio
descobri que falar do vazio é corrompê-lo
então para quê?
quem vai ser o teu amigo
de costas para o mundo
contigo ao peito?
foram as mil e trezentas imagens do sonho que tiveste que se realizaram na tua ideia de mil e trezentos e um amigos?
um dos teus amigos virá para te abraçar e mil serão apenas teus fantasmas prisioneiros. os outros trezentos ficarão no anonimato. nunca saberás quem são e eles não te conhecem.
vejo no vazio
nada
e tua coragem dentro da sanita
verde
cheiro acre
só o silêncio para que adore
a virtude de um brilho
no céu plúmbeo
água
livre na cara do diabo
da solidão somos os únicos que não sabemos da ignorância sobre ela. juntos somos tão parvos quanto um bando de pombos soltos a 300km do pombal. se um se esquecer da ordem...
flap flap flap olá solidão
é suposto eu aceitar que aquilo que eu possa escrever seja escrito com uma certeza sem sombra de dúvida. mas qualquer coisa para além dos pensamentos que eu viva que não tenha sombra me faz confusão.
as sombras são sempre evidentes. seja escuridão.
não há outro lugar seguro
do humano que o artificial
enquanto nos penetramos em carne
e as flores em volta murcham
(as que não murcham desejam-nos)
cai sobre o fabricado
a excelência do que foi antes natureza
estivemos completamente sós. sempre à espera. ou sempre acompanhados por gente só. que nos permite apenas estarmos com a distância infinita da sua sobriedade.
ébrios. dentro e fora. num abraço de braços ou pernas. ligados por um ponto. em baixo. em cima. dentro e fora. ébrios da intensidade. sóbrios. sempre. no conhecimento do tempo e da extinção do compromisso moral.
imoral. em termos da verdade comum. amoral. toda a minha relação com essa realidade. estabelecendo laços frescos com a excitação forte. necessidade exigida à carne.
enquanto olho o céu. espero a chuva. vejo o azul. cinzento. o multicolorido de três ou quatro cores. e uma dor de cabeça quase permanente. não fossem os lábios frescos. veludo.
este foi o inverno mais poluente na minha vida. triste este inverno em que apenas se notou o frio, o frio e o frio. e agora acabou o inverno, continuam a prometer-me chuva e nada.
um olhar sobre a cor amarelo-manteiga da flor. uma flor. nunca a flor. a flor não está nem estará. escorrego pela sua cor adentro e esqueço-me.
de tudo o que existe, o que não existe parece ter melhor aspecto. mais atraente. lá por não existir, não significa que não seja real. note-se que o que não é palpável diverge da ficção. o que não existe é, aqui e agora, o que não é verdade se eu afirmar que existe.
mas parece-me atraente na mesma.
se não tiver sido hoje, poderá ter sido anos atrás. então existia. hoje, não. quanto ao amanhã, seria descabido estar a iniciar um processo de resoluções concretas quanto ao meu destino. este meu destino que inclui os minutos por onde ando - às vezes corro.
o passado é atraente. o presente é atraente. o futuro é uma incógnita. uma inequação, que revelará, os momentos certos da sua solução. nessa altura poderei defini-lo, ao futuro, como atraente. será passado ou presente, abrindo caminho a outro futuro.
olá Nádia, um dia quando nos encontrarmos outra vez, vou sorrir-te e dizer que sei que gostam do teu cinema. que o teu sonho se tornou a prática do feliz reconhecimento. que assim continues, Nádia. sinto saudades do teu beijo e do teu sorriso e do teu sorriso outra vez. sinto saudades de te ler o que não precisas ouvir. tenho inveja de quem te tem por perto... de quem tu abraças. como era bom o teu abraço, amiga.
toma lá amigo o abraço de que me esqueci.
já não chove. e quando chover vão chamar-lhe dilúvio. e virá o sr. padre anunciar os males do demo. e virá o sr. agricultor exigir a calamidade para o bolso. já não chove. salobre. intragável juventude que não conhece o deserto. estúpido. eu. ignorante da poesia. do deserto. e da porra poética. puta ólinda rainha dos reinos de aquém. no além é já depois. já não chove.