registo fino. linhas de cleópatra rodeiam os olhos. registo fino de traços sensuais. escondo a força do tempo sob a cor negra.
lady la la lady la la lady
lady butterfly
fly
let your dust colours be spread on me
la la la lady la la lady
lady fairy
comb your hair with my fingers
registo no teu corpo a segurança do conhecimento passado.
o corpo. escrevo o corpo e fico limitado ao universo possível da desconstrução anatómica. uma perna. a barriga. uma barriga da perna. uma coxa. mas se o corpo morre o todo morre. as partes morrem. se de manhã vir o teu olho branco e um sorriso nos lábios que hei-de pensar? quantas horas passaram após a última inspiração?
vejo a lua emagrecer. o espelho de luz ofusca-me os quase nenhuns pensamentos. minguam na mesma medida da lua. negros. cada vez mais.
Dia 12 de Abril no CCB, Lisboa. Bilhetes já há venda.


Dos livros, melhor que o que está escrito pode ser o que lemos.
da incerteza, da partilha do corpo... existe o bocado em que nos esquecemos da mortalidade. o bocado - termo grosseiro - é o peso físico da carne. como um conjunto de músculos que seguramos durante o sexo. envolvemo-nos no corpo de estranhos que ansiamos encontrar num momento. um momento perdido. no momento perdido da noite. um qualquer corpo que se afunda em nós como nós nele. a vida na morte. que resiste latente até se manifestar vitoriosa sobre o pensamento.
a águia levantou em direcção ao satélite, o terceiro artificial, colocado a rodar em volta das minhas orelhas. sinto um pouco a vertigem do desequilíbrio, mas aguento a pressão que me fazes com a língua sobre o temporal.
sinto-me bem. olho-te e sinto-me bem. olho-te e não és tu. uma imagem de alguém. do vazio. uma sombra. descubro. olho-te no olho enquanto me equilibras com uma mão agarrando o meu sexo. e me pressionas com a língua.
nunca estiveste aqui. lembro-me perfeitamente. nunca te vi. acredito que não me esqueci. as recordações dos baús são lembradas. não me esqueci de ti. tu não existes. não te poderei esquecer. no futuro tenho saudades de ti.
greetings. we're on the middle of something. a road.