voltaste. obrigado. vai-te embora, se fazes favor. voltaste por ti. não voltes mais aqui. obrigado. adeus. já foste? não respondas se sim.
os meus pequenos mistérios escondem-se nas rugas. quais rugas? sem velhice. o que tens são dores de hipocondríaco. vai ao médico curar-te. ou à senhora das mezinhas. a velha de cabelo branco e barba de jovem moço.
do centro da terra vem um rugido. diz: AIIIIIII! das dores da terra sofrem os animaizinhos.
do breve para o curto em cinco minutos de um desenrolar de um novelo de dez metros. lá escrevia-se a tua vida. uma interrupção enquanto se escrevia a tua vida. e morreste. assassinato? suícidio, não. nunca abandonaste o analfabetismo inato.
se entre um e outro o teu tempo nunca foi comum nem ao um nem ao outro, também nunca expressaste que tinhas o teu próprio lugar. arrumaste-o numa caixa de sapatos, a mesma que continha os cromos da série banner e flappi.
trocamos nomes e falamos cinco minutos. uma vida inteira dispersa.
dos últimos suspiros, dos imensos sem valor - quase todos -, que dei, guardo a lembrança de me ter esquecido do laço azul que atava o embrulho. deixei-o sobre a pedra da pia baptismal. era pequeno e o catolicismo perseguia-me, como um inimigo persegue o seu inimigo para o convencer da sua verdade. tinha uns meses, seria assim? tão triste história dos últimos suspiros.
história melhor poderia contar-te eu. se soubesse os números para além das horas e dos minutos. lembro-me do sol sobre o cume da montanha. naquele amontoado de granitos, a meia encosta, pariu a parva da cabra sem esperar que eu a segurasse. ainda tentei agarrá-la, mas o cabrito rolou pelas rochas. tivesse eu atado a cabra à árvore, como tinha costume. mas esqueci-me da corda sobre o poial do curral.
to be a beautiful woman
quando eu crescer, senhor, deixa-me sorrir, e quando eu crescer deixa-me beijar a barriga da menina do rés-do-chão. ela deixa-me ver o umbigo e disse que se eu crescer, poderei, talvez, dar-lhe um beijo. hoje, enquanto sou uma criança, um menino, deixa-me, senhor, sonhar que o tamanho das ondas do mar é a terra toda onde cabe a minha vida. deixa-me pensar que o mundo pode desaparecer, mas que a minha vida, vai nessa onda, onde viverei o beijo sobre o umbigo da menina do rés-do-chão. se eu crescer e for mulher, quero amá-la como nunca imaginei. ela crescida e eu crescido, mulher e mulher num beijo terno de descoberta sobre a espuma na crista da onda.
deixo, num sorriso, a família eterna à espera que eu cresça. eles que esqueceram de me fazer nascer para o mundo. e o mundo resolveu chamar-me, sem que eles notassem o meu destino. nasci num empurrão. da força rompeu o meu grito. foi a última vez que me fiz presente sem que para tal fosse chamado. escrevinho em letras miúdas, sem desenho nem fácil percepção. o desconhecimento fará de todos a minha ignorância.
for today I am a boy*
*versos de Antony
o melhor amigo telefona e diz coisas dele. diz boas coisas e do que lhe aconteceu. o meu sorriso cresce. o sucesso do melhor amigo é sinónimo do meu contentamento. parabéns, afirmo com convicção e sorrio! enquanto isso mantenho-me na fila para um sucesso que vou construindo.
da paciência que tenho com o fado, fico contente com a noite chegar todos os dias. a noite está para o dia como a morte para a vida. é assim que vejo. mesmo cego de raiva com o mundo. eu, que cego pouco. também não tenho motivos suficientes para tal, sabendo, consciente, da raiva que outros teriam razão para ter e não demonstram.
a minha vida parece uma mar de roseiras de cheiro doce, enjoativo. tantas vezes que mete impressão me esqueço que aprendi a pegar-lhs nos caules e me pico. pico-me porque distracção. erro pior do que qualquer outro.
boa sorte a quem dela precisa. muitas fazem-na para ter a certeza! sem dúvida muito mais forte e segura.
quem esperas ao fim da rua?
quem te vai ver no meio da rua?
quem te passará a onça que precisas?
vai um sorriso?
um riso ténue de esperança
em não sobreviver?
no fim da rua está uma luz
de túnel sem fim
não sobreviver na primeira oportunidade.
porque interessa sabermos colocar as pilhas num rádio em caso de acidente violento, de preferência natural. se ainda tivermos rádio de pilhas em casa. interessa saber onde colocar as pilhas. não será útil ir a correr á loja para mudar as pilhas ou carregar as pilhas como tanta gente faz com as másquinas de fotografar que possuem... se não for intuitivo, leia-se o manual. um mini livro de caracteríticas didáticas que costuma acompanhar dispositicos mecânicos e electrónicos ou mesmo puzzles e jogos intelectuais. READ THE FUCKING MANUAL deveria vir em letras gigantescas no lado de fora da caixa de todo o objecto que dele necessita. em Portugal deveria constar a frase LEIA A PORRA DO MANUAL, numa tradução menos chocante, acompanhado de SEU IDIOTA DE MERDA.
a nação resiste! a nação de lêndeas!
o pessoal deixou de ler manuais desde que abandonou a primária. os manuais escolares não eram bem lidos... eram mais as páginas que a prof. mandava.
os governantes não lêem manuais... são eles que os fazem, mas não os lêem. as revisões são escassas. e a aplicação dos manuais fica-se perto do zero. e eles lá resistem! e os que os apreciam vêem-se ao espelho. nunca mais vem um tsunami para esta zona?
when jesus comes one foot after another
to tell you is not your friend anymore
in the words of a priest you're dead
no preacher will save you
for there is no prayer to shout
towards the deep earth
the prince is coming from underground
and you can't fly
the prince knows where you are
o you can't be missed
what choice will you have after his kiss
do please don't come my way again
my wings are broken bones
there's nothing to mend after your jesus
blamed our choice of freedom