não tenho nada para vos dizer. posso tentar articular uns sons. mas... mais lá para o outro ano.
Folheei-a na FNAC. A revista não periódica da Averno está de volta. O editorial - ou o que pretende ser o editorial é um excerto de um texto de Pedro Oom, de 1980, publicado num livro da &etc.. E o que mais me interessou foi ver inéditos da poeta Ana Paula Inácio. Ainda bem!
acabei de passar pela Gare do Oriente. tanta gente a chegar e a distribuir-se pelos transportes para chegar às famílias de acolhimento. tantas mochilas e gente com ar de viagem. estremunhados, com escuta atenta aos que estão a dar apoio... ar de viagem. saudades de viajar.
das entranhas a paz da morte. o fim da vibração do corpo. da reacção da memória ao futuro. entramos pela porta do caminho. um cruzamento à frente mantém-nos na indecisão. os espíritos infinitos são a graça do indefinido. abraçam quando nos cruzamos. na pele a paz da morte.
o momento anuncia-se como belo. muitos procuram matar balas. outros guerreiam a paz. uns irritam-se na concórdia. alguns pretendem ser felizes na infelicidade. tantos orbitam em vez de intervirem.
resumo: boas festas!
ontem resolvi investigar alternativas de transporte na minha deslocação habitual dentro da grande lisboa.
voltei aos comboios e ao metro... voltei a ouvir as senhoras a anunciar as paragens. a calma na relação com a qualidade horária é algo que me faz contente.
adeus carris e, talvez, adeus vimeca. adeus atrasos e falta de ligação ao cliente. estou farto de rendição de turno a meio de um percurso sem qualquer atenção para quem vai na carreira atrasada. estou farto de esperar e ficar dependente dos atrasos da carris.
serve-me a contento a uniformidade da tua morte. cada milímetro teu está morto. sem diferença. frio. indiferentemente.
estamos aqui para ver os outros e apontamos de forma tão mais fácil o que os outros são e não usamos espelhos porque afinal não gostamos de nos misturar e podemos não saber que ali está simplesmente o nosso eu idiota incapaz e histérico aquilo que apontamos aos outros os infelizes
os colhões mostram já pêlo branco. guardam néctar
como o medronho. deliciai-vos
antes que apodreçam.
os erros têm muitos nomes
na agenda democrática que levo
no bolso da frente do casaco dos seis bolsos
aquele castanho com botões castanhos
e uma chapa de latão na manga direita
nessa agenda escrevo prós e contras
desdenho uns e outros
desejo que se matem aos poucos
e cessem a sua existência
pesa-me
o bolso é grande e a agenda é grande
pareço manco quando caminho
e afinal é o blusão que manca
pareço mal
todos me olham e eu não sou bonito
riem-se e eu não tenho humor
tenho graça Argonauta das Unhas de Baixo
mas ninguém sabe e vocês não contam
a outra gente que eu sou o manco
do blusão castanho com uma agenda dos infernos
e ainda outro livro, notícia via mail:
o nosso reino, o romance de valter hugo mãe recentemente dado à estampa - e que está já a ser justamente saudado como uma das mais importantes revelações literárias do início do século e mais uma aposta ganha da colecção "Lusografias" da Temas e Debates - será lançado no Porto, na FNAC do Norte Shopping, na próxima quarta-feira, dia 8, pelas 17.00h. A apresentação estará a cargo de João Paulo Sousa.
mais um livro, notícia recebida via mail:
A Editora 101 Noites e a FNAC gostariam de contar com a sua presença no lançamento do livro Ópera do Falhado de JP Simões no próximo sábado, dia 11 de Dezembro, pelas 18h,
no fórum da FNAC/Chiado e domingo, dia 12 de Dezembro, pelas 18h, no fórum da FNAC/Almada.
Depois da apresentação da obra, o músico Sérgio Costa e JP Simões irão interpretar alguns temas da Ópera do Falhado.
Da autoria de JP Simões, a Ópera do Falhado é o quarto título da colecção Poiesis dedicada à divulgação de textos de autores contemporâneos. Levada a cena em vários palcos nacionais em 2003, esta tragicomédia satírica, na esteira de Brecht e Chico Buarque, ilustra a eterna luta entre o espírito e a matéria num Portugal bem contemporâneo.
Inspirada em The Beggar¹s Opera de John Gay, na Ópera do Malandro, de Chico Buarque e na Ópera dos Três Vinténs, de Bertolt Brecht e Kurt Weill, a Ópera do Falhado relata o reencontro de dois antigos colegas do liceu que descobrem a incompatibilidade dos caminhos que seguiram nas suas vidas.
Um empresário ávido de poder e um escritor desanimado com as profundas contradições da condição humana protagonizam uma espécie de encontro entre Fausto e Werther, entre a ambição e o romantismo, travado à volta de um velho café que resiste a ser demolido, cheio de memórias e dos fantasmas de um velho país.
Título: Ópera do Falhado
Autor: JP Simões
Editora 101 Noites
PVP: 14 euros
recebido no mail e, com prazer, anunciado aqui:
Lançamento de As Não-Metamorfoses (contos) de Alexandre Andrade, editado pela errata, dia 10 de Dezembro às 18h30, na sede do Clube Português de Artes e Ideias em Lisboa, Largo Rafael Bordalo Pinheiro, 29, 2º.
Apresentação de Alexandra Lucas Coelho e José Mario Silva.
Título: As Não-Metamorfoses
Autor: Alexandre Andrade
Editora: Errata
Preço: 11 euros
Páginas: 144
se me quiseres foder o juízo
começa pelo corpo que precisa mais
anseia mesmo que o fodam
qual amor? quem fala de amor?
já to disse, começa pelo corpo essa foda
moi-me depois para me não sentir
tão violado
uni-vos, irmãos, crentes em uma só fé e em um só deus. acreditamos, sem o nomear, no que vemos e pressentimos. nas chuvas de outubro, águas que enchiam albufeiras para sedes de verões perdidos, ficamos na esperança de as ver em dezembro, sob a luz fria do céu nublado, escuro, intenso.
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do teu cabelo recordo o cheiro. da tua pele a tez morena. da tua barriga a serenidade bela. na tua pube a prova.
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uni-vos, irmãos, escanções dos mais preciosos néctares, para mostrar ao mundo que apenas um é o deus em que cremos.
do ar puro que se tenta respirar. enfim respirando. do sopé da serra veio uma notícia. má ou boa pouco interessa. cada um tem o seu ver. e eu até vejo mal ao longe. a notícia veio e o facto manter-se-á pelo tempo que resista a memória.
falei com as irmãs e um dos padres. as irmãs sempre me acharam digno de pertencer ao conjunto destes últimos. e a minha avó também, digo-o já para me não esquecer de vos dizer. mas, sempre considerei que não existe dignidade nem perfeição que me levem ao celibato.
(da partilha de fluídos nasce toda uma realidade orgânica que se expande no conhecimento do que é humano animalmente.)
sei, tenho a certeza, sei, ainda que a dúvida surja sobre a certeza, por haver sempre a relativização da coisa, que um vazio se abateu, em definitivo, sobra o sopé da serra.
mais faltava o balir das ovelhas. morreu um pastor.