30 de novembro, 2003

em banho maria

globalmente, no mundo, o capitalismo trouxe de volta a ignorância. a ignorância é a solução ditatorial e totalitária para que o poder regente não seja posto em causa: assim temos uma espécie de igreja: fanáticos com poder.

a população portuguesa é uma esponja no que toca a valores globalizantes, sejam eles de facto globalizantes ou simplesmente caracterizados por uma actuação governativa de interesses. os interesses são, definitivamente, o que move as esferas do poder, esferas estas que ou detêm o poder ou lhe acedem indirectamente por meios pouco claros, embora há muito esclarecidos.

a população portuguesa, e não só, tem agrado em ser ignorante, cede facilmente à necessidade de ordem imposta e perturba-se com a abstracção.

curioso é ver que uma governação hesitante, apesar de castrativa, deixa em aberto várias ideias, tais como: a população é assim porque não existe ordem; a população é assim porque existe perda de valores - quero dizer aqui que recuperá-los implica voltar atrás e não uma transformação; tudo o mais exige uma reacção ou uma revolução.

neste momento é claro que não existe espaço para revoluções. o poder foi distribuído de uma forma que equilibra a defesa dos interesses de vária ordem, inda que em permanente conflito.

portanto reage-se: reage-se à direita e à esquerda, radicalmente. os discursos são, no entanto, abstractos. à esquerda são abstractos porque ninguém entende o que é a recriação das estruturas a partir da base, isto é, dar capacidade às bases da sociedade de modo a que ela intervenha. à direita são abstractos por serem obscuros: recriam-se mílicias, utilizando a base da sociedade como massa bruta para fundir vontades de mudança com elemento de combate físico, e geram-se cúpulas de interesses que coordenam regras normativas.

a direita tem valores morais antigos, antigos por serem de há muito tempo e recuperados sempre pelas novas gerações, mesmo que os grupos associados ao pensamento de direita tenham sofrido mutações mais humanistas. mas, essencialmente, as regras são fundamentais. as regras desta direita reduzem os direitos, restringem o verbal a um infíma parte do vocabulário disponível e a conversa a uma vertente única de felicidade.

a esquerda, munida dos intelectuais, apresenta conflitos internos quanto aos métodos de intervenção directa e, sabemos, acaba por não acreditar na mutação da sociedade ignorante, de tão acéfala e pouco disponível para aprender que esta se mostra.

acredito pois que em breve teremos células de reacção à ordem instituída. em breve teremos intolerância ainda mais visível e próxima de todos nós. e os mesmos que apelarão à calma e à segurança serão os instigadores morais e reais das atitudes condenadas.

o poder cairá - se não caíu ainda - nas mãos dos interesses de poucos elementos: reaccionários e violentos, cujo objectivo não é mais do que alegrar na ignorância uma população já alegre e ignorante, mas ainda cativada por uma liberdade de movimento, mas já castrada intelectualmente - por isto inacessível à esquerda.

este país não teve uma guerra civil no século passado, para fazer estremecer os espíritos incautos, e as novas gerações não sabem o que significa, por lhes ter sido ocultado, a permanência duma letargia imposta durante 48 anos... a letargia, apesar de tudo, é agora continuada de uma forma mais subreptícia.

Escrito por jm às 21h58... | Comentários (4)

29 de novembro, 2003

hiena's laugh

em rigor das mortalhas um cigarro de barbas de milho
a minha ignorância na vida inteira
do valor da minha mortalidade a indiferença

os amigos não se compram porque não tenho dinheiro
os inimigos sabem disso e vêm ter comigo
sou pimpolho e curioso
sou ornitorrinco e necrófago

amante e bem amado
ave desterrada para morrer no campo
sagaz ódio e a contento odiado
carne para faca na artéria de porco

fumo e com tusa
descanso sem saber
à espera de morrer

Escrito por jm às 19h59... | Comentários (5)

GR 2

as opiniões que se lêem na GR reflectem um pensar consciente, sagaz e de esquerda sem filiações ou será tão só o espelhar de um discurso social abrangente mas necessário?

p.s. - o Pedro Mexia vem falar dos problemas costumeiros da beleza das mulheres vs amor vs homens com cartão gold vs vidas... mas ele também não é de esquerda sem filiações.

p.s. 2 - o questionário do Joel Neto tem a mesma resposta em todas as questões: V

p.s. 3 - a construção europeia para o cidadão comum deve socorrer-se dos textos iniciais de construção dos EUA e não das suas leis do estalo, apesar da cambada de *#%**??&#$%? que lidera a UE neste momento.

p.s. 4 - para falar da crónica do Barata-Feyo, eu idealizei um desenho para complementar o registo que o cronista não quer: imaginem um castro, as paredes desse castro são pessoas e não pedra, essas pessoas são polícia: 10000. dentro do castro estão 100 pessoas: que dominam grande % do dinheiro. a polícia do castro e fora do castro usa armaduras e bastões para falar. a segurança está instituída.

Escrito por jm às 18h37... | Comentários (0)

GR

aí está ela: 108 páginas no total. encartes: postais National Geographic para oferecer assinaturas e um catálogo de uma empresa de comunicações móveis. o resto é o DN.

GR com crónicas de Barata-Feyo, Pedro Mexia, Paula Moura Pinheiro

formulário, na última página útil, preenchido por José Eduardo Águalusa

entrevista com Filomena Mónica - contra o ensino da conspiração.

nomes que assinam: Francisco José Viegas (director), Joel Neto, António Martins (caricatura), Francisco Camacho (música)

temas:
guerra colonial - viagem de uma mulher por Angola com gravações de mensagens de familiares de militares;
fogo - viagem pelo Algarve no Inverno das cinzas;
sida - África em portfólio;
velocidade nas estradas - para além dos acidentes, alcoolismo, escreve-se sobre as corridas noturnas na via pública;
fado no Porto;
pintura em Bagdad - antes era Saddam agora são os militares estrangeiros que os homens pintam
Anophthalmus Hitleri - um insecto para coleccionadores fascistas e saudosistas do terceiro Reich, onde também se aborda as feiras de insectos e a Eslovénia, principal mercado exportador.

Escrito por jm às 15h29... | Comentários (0)

28 de novembro, 2003

babel

gosto tanto de ti como de uvas doces se as uvas ainda forem verdes prefiro-te a ti porque assim há uvas doces todo o ano

Escrito por jm às 22h31... | Comentários (5)

fnac aderente

chiado poesia e os outros livros
almada vinis livros de arte
cascais livros de arte
colombo cd

a mensagem é mesmo só para quem compreender...

Escrito por jm às 13h46... | Comentários (1)

26 de novembro, 2003

America's Cup

ganhou Valência. perderam os pescadores!

Escrito por jm às 11h09... | Comentários (5)

25 de novembro, 2003

baba

melhores tempos virão, meu amigo. este suicídio lento do cérebro nada mais é do que uma benesse dos deuses para te darem descanso. a felicidade chegou, apesar dos deuses não te permitirem senti-la.

Escrito por jm às 21h45... | Comentários (4)

rumo

estou aqui a tentar perceber o porquê. o porquê das almas etéreas. também o para quê das almas etéreas. como é triste...

a doença de alzheimer foi pré-diagnosticada na família. tão perto.

tenho pressa de correr. tenho pressa e falta-me o tempo para deixar a minha fortuna. se, tantas vezes, penso que o que faço por gosto não é útil - e não é! -, mais inútil seria ter a minha vidinha a correr sem gosto nem cheiro.

a vida que poderá ter a doença nunca foi mais do que uma vida esquecida, empolada pelo vazio... anunciando o vazio. tão longe.

Escrito por jm às 17h05... | Comentários (3)

Um Homem: Klaus Klump

Gonçalo M. Tavares publicou o seu primeiro romance: Um Homem: Klaus Klump, o seu caderno 7, editado pela Caminho.

O meu interesse por este autor partiu de uma peça representada por Manuel Wiborg no espaço d'A Capital, Teatro Paulo Claro: o homem ou é tonto ou é mulher (Campo das Letras), escrita, segundo a lenda, em duas horas no CCB e em forma de verso. O meu interesse cimentou-se com uma conversa com ele na feira do livro de Lisboa em 2002 e com a leitura integral do texto da peça e ainda do livro O Senhor Valéry (Caminho).

A sua poesia, bem cotada entre alguns intelectuais(?) reconhecidos na praça, nunca me fascinou... talvez por não me ter aproximado o suficiente, por pegar nos livros nas livrarias e os seus poemas me serem distantes - penso mea culpa, se tivesse levado para casa talvez gostasse. nunca o fiz... talvez o faça.

No romance Um Homem: Klaus Klump, Gonçalo M. Tavares apresenta-nos a guerra e com ela parte de uma filosofia interior que resolveu expôr: contraditória, para tal servem as poucas personagens do romance.

«A bandeira de um país é um helicóptero: é necessário gasolina para manter a bandeira no ar; a bandeira não é de pano mas de metal: abana menos ao vento, frente à natureza.»

Desta forma se inicia o romance de 36 capítulos não regulares, constituídos por partes não identificadas: (conjuntos de) parágrafos distanciados por uma linha branca. Assim, o romance avança em passagens de acção e de invenção dos pensamentos sobre os homens, sobre a guerra, sobre o estado.

Esta guerra, num país, existe porque esse país sofre uma ocupação, é estabelecida uma resistência, sofre-se, chega o fim da guerra, chega o amorfo e a desilusão... tudo se mantém, apesar das transformações.

«Ninguém ama um cobarde e isto só significa que enquanto se ama não se consegue ver no outro a cobardia.»

A lógica do homem em guerra é atravessada pela lógica da matemática, da química, da física e até da arquitectura. Uma das vocações do autor é expressa deterministicamente no romance, representado momentos mais obscuros para uma leitura descontraída, mas quase sem abstracção.

«Queres ser mais bondoso que uma substância química que se escreve tão simplesmente como isto: H2O?»

O autor não se confunde em momento algum, a continuidade é feita por quem lê. O texto partido, esses parágrafos isolados, deixa-nos acreditar num futuro... criar, enfim, a nossa história. Contudo, a conclusão não fica por mãos alheias: Gonçalo M. Tavares escreve-a e representa-a muito bem: indelével.

«A democracia instala-se no país como uma borracha que se vai derretendo lentamente até preencher por completo a superfície de um compartimento. (...) Não é um sistema político de material primário. É o fogo que a faz: à democracia.»

Escrito por jm às 01h09... | Comentários (2)

24 de novembro, 2003

adivinha quem voltou

Sebastião está de volta. Salgado mostra-nos a poliomelite! O livro agora editado pela Caminho, que ainda não vi fisicamente, serve de meio para alertar para a existência da campanha mundial para o fim da poliomelite em 2005.

Mohamed Aden Ali, © Sebastião Salgado
© Sebastião Salgado

Mohamed Aden Ali, 11, has been paralysed by polio. Abandoned by his parents, he moves by crawling on two worn kneepads strapped to his thin legs and uses rubber sandals to protect his hands. He is in the stadium in Baidoa, filled with spectators. They came to watch a football match between the teams 'Polio 2000' and 'Polio 2001'. In a place that was a famine epicentre in the 1990s, the match is one of a variety of activities used by immunizers to gain support for the eradication campaign. 'Polio 2001' won the match by one goal.

Escrito por jm às 19h31... | Comentários (0)

Grande Reportagem

a GR vai iniciar o seu novo percurso editorial este Sábado, vem com o DN. Comprem e deitem o DN para o papelão.

Escrito por jm às 18h02... | Comentários (0)

22 de novembro, 2003

"fuck USA politics" a message from USA

roubado ao Universos Desfeitos, que já o tinha recebido de outro lugar...

Escrito por jm às 23h55... | Comentários (4)

negação

p - a sua opinião sobre a poesia que escreve?
r - poesia? não escrevo poesia. se escrevesse não ia gostar dela.

Escrito por jm às 22h51... | Comentários (3)

humpf!

o Mil Folhas - coisa impregnada de vícios e de estrutura calibrada - passa bem pelo suplemento sobre leitura (e associados) mais interessante - neste país - dos mecanismos de comunicação social em papel-jornal.

do Mil Folhas, como de outros, extraem-se sumos de diferente sabor... mas a cereja, mais rara, acaba por aparecer, mais semana menos semana.

a cereja existe sempre, a meu ver, desde que surja uma crónica de Jorge Silva Melo. a vivência deste senhor alegra-me a cada passo de leitura como me entristece o seu sentido de realidade, e tudo isto me deixa contente e com uma noção de algo novo.

hoje, Silva Melo, faz-nos uma visita sobre a relação com a arte (da escrita ou da imagem) que não entendemos e de como tão poucos admiram a arte que se não entende, exactamente por esse motivo pouco claro de futuro perene.

Obrigado!

Escrito por jm às 19h33... | Comentários (3)

de-pressão

esqueceu o relógio em casa. na rua andou em passo certo calibrado pela memória do tic tac do relógio de parede da casa dos avós. ding dong ding ding ding dong. o barulho da tormenta e pouco mais. na rua passeou com a pressa do relógio e monótono como se em letargia. tic tac tic tac. para atravessar a estrada. o sinal vermelho o peão parado era ding dong ding ding ding dong! ia contando os minutos e os conjuntos de minutos que eram partes de hora. chegaria atrasado? chegaria atrasado? chegaria atrasado? chegaria atrasado? chegaria atrasado? ouviu na sua cabeça o partir de um vidro e areia a escorregar. vinha caminhando pelo tempo de um relógio da imaginação, mas afinal era uma ampulheta. agora não valia a pena a tentativa de saber o tempo gasto. chegaria quando chegasse. ding dong! a porta abriu-se e ouviu: foste o primeiro a chegar!

Escrito por jm às 17h24... | Comentários (0)

21 de novembro, 2003

dito

esperavas que simplesmente me levantasse e te fosse falar, assim, do meio do nada? enganas-te! enganas-te! talvez fosse mais fácil saíres dessa cruz e chegares à rua em tanga.

Escrito por jm às 22h59... | Comentários (8)

a simplicidade e a aberração

se me disserem olá não voltem atrás, cantava john. a música era imprópria. a voz era de duche frio. tha entra no nevoeiro e diz: canta outra coisa! não vás, fica! oxalá, fosse assim berrou john. passaram alguns segundos e tha disse: estou aqui.

a simplicidade e a aberração deste momento é light.

enquanto john tomava banho, tha divertia-se a fazer desenhos no espelho. o nevoeiro era forte e a visão limitada. tha escreveu no espelho: a dura luta dos homens reveste-se de sonhos quando anseiam pelo amor de uma mulher e destrói os sonhos quando têm esse amor. conas! conas!, gritava john encharcado em alcóol, mas contente com o gin. tha escreveu: desejo-te. bebesses absinto e amar-te-ia.

a simplicidade e a aberração deste momento é emo-light.

john não toma banho. tha olha para ele. john não a vê: olhos semi-cerrados. estendido no sofá. calças castanhas sobre um fundo preto. tha olha para ele. john balbucia palavras com sabor a absinto. tha sai da sala. john desvia o olhar para o vazio e adormece.

a simplicidade e a aberração deste momento é emo.

Escrito por jm às 22h45... | Comentários (0)

foi você que pediu um aumento de impostos?

eu aceito os impostos. eu pago os impostos. sinto-me obrigado e sou obrigado e sou coagido. há quem não pague impostos e se sinta feliz e rico.

que os carburantes sejam aumentados como coacção à não utilização de veículos particular, por mim tudo bem, MAS

1. o estado deve fornecer uma rede pública de transportes abrangente, flexível e segura
2. os meus rendimentos, enquanto trabalhador por conta de outrém, devem estar nivelados com as minhas despesas fundamentais
3. estar na cauda da europa significa hoje pagar o mesmo ou mais mas sem sobrar o mesmo
4. estar nos primeiros lugares da europa - como Portugal está em tantas situações - significa ser considerado filho dum país podre

para meu contentamento, são os outros que me dizem ser filho deste país... para minha tristeza não me considerar filho deste país não altera a minha realidade.

Escrito por jm às 00h28... | Comentários (14)

20 de novembro, 2003

retro

é fácil perceber que a escrita me não toca nestes dias. gostei de fazer aquelas cenas com letras nos versos das coisas. foi engraçado sentir os versos surgirem.. sem ainda terem título. depois a cabeça muda de direcção e a escrita esvai-se em sangue... sangue que não passa de água.. que a escrita que faço não tem carne.

disseram-me que o meu avô está melhor. não o das visões mas o outro. o das visões está bem, julgo eu. melhor que este, certamente. estar melhor significa aqui, abrir os olhos mais, ouvir melhor e comer melhor a papa que lhe levamos à boca. a minha cabeça está cheia de infernos. que os diabos - que a culpa é sempre dos diabos - fossem fortes e dignos e.. se têm culpa, se calhar até são, fortes e dignos. e o meu avô não está num inferno, mas num céu. se afinal eu sou anjo caído... ele não teve tanta sorte. olho para a frente e imagino-me caído numa cama.. e penso.. sou um anjo caído e ponho-me direito e com uma cara sem expressão: não estou contente nem triste... sou apagável... uma névoa que desaparece com os primeiros raios de sol da manhã.

esta história... uma história na história da vida dum gajo parolo e sem graça... esta história acabaria bem sei eu como... mas continuo vendo os meus pais sem vida e a vida longe deles.. e afinal eles são pagens dum deus irritante que governa um céu de espinhos.

lembro-me sempre daquela outra história... que vi nascer numa igreja de Santarém... com o vento lá fora... um torso humano numa cruz... ladaínhas... e o vento lá fora!

é curioso, também, como deixei cair Janus e Júlio em letargia completa... como eles se encontraram numa manhã citadina, encostados a uma parede sob a luz do sol... como não conseguiam respirar, comprimidos pelo peso da vida... e quase pensei que se poderiam ter amado... no entanto, o café todos os dias continua aparecendo em tantas ideias... mais valia juntá-las e fazer uma novela...... gosto imenso daquele episódio dos homens coloridos: azul, amarelo e castanho... a primeira vez do café... um café mágico pensei na altura....

Escrito por jm às 22h44... | Comentários (6)

Raindrops

Silence is here again tonight
The silence is here again tonight
Will the love ever come back?
Will the love ever come back?
I know I've been pushing you away
I know it's been going on for days
Those awkward little things
So endearing
Those awkward little things
Wear on me
See, what we got here is a tired love
What we got here is a lazy love
It mooches around the house
Can't wait to go out
What it needs, it just grabs
It never asks
We sit and watch the divide widen
We sit and listen to our hearts who crumble
With our only chance to jump
Neither of us had the guts
Or maybe we're just too proud
To say it out loud
Silence is here again tonight
Silence is here again tonight


Stuart Staples

p.s. - esta é uma das letras/canções que está na origem da ideia Rain Song

Escrito por jm às 21h28... | Comentários (6)

e l e p h a n t

um filme sobre um dos temas mais rodados nas notícias, nos livros e no cinema: Columbine. mas mais do que Columbine, temos o abstracto da loucura das armas nas escola e dos tiroteios e massacres.

neste filme, a história é-me pouco interessante - já fui encharcado por este tema -, e tenho para mim que este filme é mais uma afirmação de que não devemos esquecer... e só espantará quem não ligou muito ou não aprofundou Columbine e outros exemplos antes.

elephant é um filme com uma realização excepcional, revelando todos os momentos das vidas que correm numa escola que aconteceram no mesmo momento temporal. van Sant conseguiu ligá-los de uma forma simples mas excelente.

toda a revelação do dia-a-dia daquelas pessoas, tudo o que fica no ar: as suposições das vidas banais mas diferentes entre si, é feita de modo a irritar e deixar uma semente de pensamento sobre o que nos rodeia... de como a diferença deve importar.... e como para a maioria o que importa é a normalidade...

elephant é um bom filme. um excelente filme.

p.s. - a descobrir no filme a realidade americana do que é uma escola do secundário. algo banal no filme do que para nós... parece ser um centro cultural de última geração.

Escrito por jm às 14h38... | Comentários (3)

19 de novembro, 2003

os putos

os putos ganharam o jogo. os putos vão para um campeonato internacional qualquer. os putos celebraram. os putos partiram a loiça toda! mas quem paga é o contribuinte - alguns até são capazes de dizer que aquilo "foi de homens". vivam os putos! vivam os putos!

Escrito por jm às 14h02... | Comentários (7)

crítica

escrevo para todos os que percebem o que escrevo, mas sobretudo escrevo para todos aqueles que me não sabendo reconhecem na minha escrita o meu amor por eles. estou longe. muitas vezes isolado. escrevo recados e nunca cartas. algo que me deixa um pouco triste.

tenho por companhia as horas e o tempo. um amor e uma vontade. e a saudade do futuro e a transformação do passado. palavras que vou semeando na cultura das regras.

na rua, ninguém sabe quem sou. o que faço. e parte do que penso. a rama dá-me dinheiro.

mas ainda na rama se resguardam pássaros...

Escrito por jm às 14h00... | Comentários (3)

leva-me

Langage de cygne
Langage de cygne © Sarah Moon, 2000

Escrito por jm às 13h26... | Comentários (2)

18 de novembro, 2003

song #9

Shapes Of An Army Brings Dreams With Them
While I glow through (reprimand, them remain)
One Time I Broke My Vow
Holding A Sign With No Meaning
I Read Between The Lines
Once I’m Caught In Your Web
What Is Even Said

Laid Down A Bed Of Sorrow
where Hope is (memory, an enemy)
Once I’m caught In Your Web
Broken Promises

This Rainfall [Still Lost Inside of your web] side of them.
Wait without [you know exactly who you are] run to me.
Wont for me [still lost in side of your web] down the well.
Wait without [you know exactly who you] run to me.
One Time I Broke My Vow
We Laid Out Circle Of Roses
Symbolize What Was Forever
Once I’m caught In Your Web
Broken Promises

This Rainfall [Still Lost Inside Of your web] run away.
Wait Without, [You Know Exactly Who You Are] Run To Me.
Wait For Me, [Still Lost Inside Of your web] run away.
Wait With Me [You Know Exactly Who You Are], Run away.
This Rainfall [You Know Exactly Who You]


Jeremy Enigk

p.s. - esta é uma das letras/canções que está na origem da ideia Rain Song

Escrito por jm às 21h50... | Comentários (0)

Nas vilas não há estrelas

pouco dado a compromissos, Grotesco, pergunta: "onde vais?". a resposta: "não vou, venho", foi dada por aquele-que-anda-para-trás. Grotesco, nome gentil atribuído pela ama no momento em que encontrou a criatura e gritou "Grotesco!" e, por preguiça, não pensou em outro nome que se lhe desse. Grotesco, ao contrário de aquele-que-anda-para-trás, não percebeu a resposta e retorquiu: "vais ter com alguém?". não houve resposta.

aquele-que-anda-para-trás, estava ao pé de Grotesco e suspirou: "estás bom? 'tou farto de andar, hoje. Fui ao café do sr. Manel e vi a ama por lá!". "Viste a ama?", inquire Grotesco sorrindo. "Vi! A mulher não envelhece? parece sempre a mesma, a mesma sempre ao longo de todos os anos."

"Pois, parece que não! A ama sempre foi assim, não me lembro dela de outra forma! Mas porque andaste tanto, então?"

"Andei a fazer recados: comprar batatas, comprar café, ir ao marco pôr cartas e antes comprar selos. Apetece-me água!"

aquele-que-anda-para-trás foi até à torneira do quintal e deixou a água escorrer-lhe pela cara e pelo pescoço e bebeu. Grotesco, olhava o amigo e pensou que talvez gostasse de fazer recados. Talvez, faltava-lhe a certeza. E como lhe faltava a certeza não disse a aquele-que-anda-para-trás que talvez gostasse de fazer recados. Preferiu dizer: "Gosto de olhar o céu a esta hora." e perguntou: "Quanta luz têm as estrelas?"

"Sei lá quanta luz têm as estrelas?, eu não vou à escola aprender essas coisas". aquele-que-anda-para-trás ficou incomodado e virou-se de costas e olhou o céu e pensou como seria bom saber quanta luz têm as estrelas.

"Todos os dias morrem estrelas, o céu fica mais escuro" disse Grotesco. "Nunca notei. para mim o céu tem sempre a mesma luz. menos na vila. na vila não há estrelas! o céu fica esquisito sem estrelas", retorquiu aquele-que-anda-para-trás, quase ofendido.

"Tens razão. Nas vilas não há estrelas...", Grotesco disse e fez sorrir aquele-que-anda-para-trás.

Escrito por jm às 19h28... | Comentários (2)

17 de novembro, 2003

diálogo

sr. josé? perguntou d. alzira, na sua cegueira. sr. josé? ouvia-se um arrastar de pés no quarto, mas ninguém respondia. sr. josé?

d. alzira, sou eu.
ah! sr. josé, e não me respondia?
estou cansado, hoje, mais do que ontem, d. alzira. importa-se que abra a janela?
faça favor.

hoje, mal acordei senti-me a morrer.
e não é assim todos os dias, sr. josé?
mas, hoje, foi especial. senti mesmo os nervos a falharem e os músculos sem vida. arrasto-me, d. alzira...

ouvem-se os pássaros. a brisa fresca parece trazer um dia bonito. está bonito, o dia, sr. josé?
está sim, d.alzira. está um dia bonito para morrer.

Escrito por jm às 19h12... | Comentários (8)

a boy says

neste dia solarengo. frio e vento são as escolhas dos deuses. vento para me levar a alma. frio para me lembrar do calor que tenho para dar.

Escrito por jm às 12h56... | Comentários (0)

wash

oh please, let it rain today
this city is so filthy, like my mind in ways
oh there was the time, like a clean, new taste
smiling eyes before me, inches from my face
wash my love
wash my love
wash my love, yeah...
sin the sale, buying just a need
just who planted all the devils seeds
and what's the truth, and the truth that lies at home
it's on the inside, and i can't get it off, yeah...
wash my love
wash my love
wash my love, yeah...
what's clean is pure, but hey, i'm white on the outside, though i stray
what she don't know today, might kill us both tomorrow, bring it back some way
bring it back, bring it back, back to...to the clean form, to the pure form
wash my love
wash my love
wash my love
ooh...


Eddie Vedder

p.s. - esta é uma das letras/canções que está na origem da ideia Rain Song

Escrito por jm às 10h42... | Comentários (3)

16 de novembro, 2003

India Song

a semana passada fui ver India Song. vi pessoas sairem. rirem. vi personagens imóveis. vi paisagens e fotografias. ouvi uma narrativa. India Song pareceu-me um objecto da intelectualidade francesa. 1975. o fim do mundo não acontece. o mundo no seu fim nunca será pacífico. o clímax de uma paixão poderá ser sempre ouvir o ecoar da voz de um vice-cônsul a gritar "Anne-Marie Guardi!" nas ruas. Duras e as suas mulheres elegantes e desejadas por todos os homens... e possuídas por quase todos os homens em amores físicos e permitidos e sociais. India Song. um filme quente com elevado grau de humidade. à beira do Ganges.

Escrito por jm às 19h06... | Comentários (1)

15 de novembro, 2003

não me confundam

andorinha

tenho que falar! não me confudam com políticos de ideias travestidas de humanização! demagogia!!! não me confundam, PORRA!

Escrito por jm às 23h18... | Comentários (6)

DNa

o DNa anuncia hoje o seu desaparecimento dos Sábados! passa para as sextas-feiras! a partir de dia 28 do corrente! com ele vai o dnmais... para mim, que só tenho na mão estes dois suplementos e não sei mais nada, considero que vem aí a Grande Reportagem aos Sábados, finalmente! E, como competição à Y, às sextas, o DNa não apresenta vantagens! resplandescente - if you know what i mean!

Escrito por jm às 23h09... | Comentários (4)

Ruy Belo ao ouvido

a colecção sons da Assírio já tem o número um nas livrarias. um duplo cd com leituras de Luís Miguel Cintra. lê Ruy Belo. no livro que resguarda os cd podem ler-se os poemas ditos. como tanta coisa neste país o custo é proibitivo. edição limitada a 2000 exemplares.

Escrito por jm às 22h36... | Comentários (0)

perfeitamente (a)normal

o isolado som numa casa vazia. um correr não correndo às vezes. um guinchar apressado.

diz-me, doutor, de que doença pereço?
digo-te, paciente, da tua enfermidade só sei que não é física.
cura-me, doutor, desta coisa.
para te curar, paciente, terei que te condenar à norma.
que norma, doutor?
ficarás doente!
mas como, doutor, se o já sou?
afirmas tu, paciente, que tal acontece, mas não vejo.

blah, blah, blah ou o desinteressante disto é a anormalidade histórica dos desvios à norma serem nada mais, nada menos, do que doenças... claro, sou eu que lhe chamo anormalidade... LOL!

Escrito por jm às 21h55... | Comentários (0)

pensamento

o que me agrada na poesia é a facilidade com que é evitada ou se diz mal dela.

Escrito por jm às 21h43... | Comentários (0)

JEF

Non Jef t'es pas tout seul
Mais arrête de pleurer
Comme ça devant tout le monde
Parce qu'une demi-vieille
Parce qu'une fausse blonde
T'a relaissé tomber
Non Jef t'es pas tout seul
Mais tu sais que tu me fais honte
A sangloter comme ça
Bêtement devant tout le monde
Parce qu'une trois quarts putain
T'a claqué dans les mains
Non Jef t'es pas tout seul
Mais tu fais honte à voir
Les gens se paient notre tête
Foutons le camp de ce trottoir
Allez viens Jef viens viens

   Viens il me reste trois sous
   On va aller se les boire
   Chez la mère Françoise
   Viens il me reste trois sous
   Et si c'est pas assez
   Ben il me restera l'ardoise
   Puis on ira manger
   Des moules et puis des frites
   Des frites et puis des moules
   Et du vin de Moselle
   Et si t'es encore triste
   On ira voir les filles
   Chez la madame Andrée
   Parait qu'y en a de nouvelles
   On rechantera comme avant
   On sera bien tous les deux
   Comme quand on était jeunes
   Comme quand c'était le temps
   Que j'avais de l'argent

Non Jef t'es pas tout seul
Mais arrête tes grimaces
Soulève tes cent kilos
Fais bouger ta carcasse
Je sais que t'as le coeur gros
Mais il faut le soulever
Non Jef t'es pas tout seul
Mais arrête de sangloter
Arrête de te répandre
Arrête de répéter
Que t'es bon à te foutre à l'eau
Que t'es bon à te pendre
Non Jef t'es pas tout seul
Mais c'est plus un trottoir
Ça devient un cinéma
Où les gens viennent te voir
Allez viens Jef viens viens


   Viens il me reste ma guitare
   Je l'allumerai pour toi
   Et on sera espagnols
   Comme quand on était rnônies
   Même que j'aimais pas ça
   T'imiteras le rossignol
   Puis on se trouvera un banc
   On parlera de l'Arnérique
   Où c'est qu'on va aller
   Quand on aura du fric
   Et si t'es encore triste
   Ou rien que si t'en as l'air
   Je te raconterai comment
   Tu deviendras Rockefeller
   On sera bien tous les deux
   On rechantera comme avant
   Comme quand on était beaux
   Comme quand c'était le temps
   D'avant qu'on soit poivrots


Allez viens Jef viens viens
Oui oui Jef oui viens.



Jacques Brel

Escrito por jm às 18h02... | Comentários (0)

Quando éramos belos

Sabem como eu gosto de Brel? Não?... é tão pouco material quanto é tanto emocional, isto é, apesar de não ser proprietário de edições oficiais de Brel, sinto na pele o arrepio do som, da imagem e das palavras de Brel.Comme Quand On Était Beau


Comme Quand On Était Beau é mais uma edição fantástica sobre o trabalho, do trabalho e da vida de Brel. Uma caixa de três DVD... que ainda não traz para o formato digital concertos antes editados em VHS...

Acreditemos um pouco na paz interior que não existe, porque o frenético nos persegue e nada mais que a vontade de criar existe. Fosse eu corajoso.. e mandava à merda este blog e outras mariquices da minha vida... e fazia coisas aparecer mesmo que doesse mais do que me dói ficar parado a ver o sol pôr-se e o sol nascer, em dias iguais e noites iguais e ...

Brel significa para mim, emocionalmente, muito... eu não sei explicar... e prefiro não saber... e não me importo de ser imaterial... mesmo nada!

Escrito por jm às 17h36... | Comentários (3)

Festa do Livro

chamar Festa do Livro a uma iniciativa de pequena participação pode ser redutor.. ou uma maneira de promover a festa dos viciados! A Festa do Livro baseia-se, sobretudo, em alfarrabistas e livrarias... vamos a ver os preços praticados.

Onde e quando
Parque das Nações
Pavilhão 3 - 20 a 24 de Novembro
das 18 às 24 h - 5ª, 6ª e 2ª
das 10 às 24 h - Sábado e Domingo

Mais info, incluindo participantes, aqui!

Escrito por jm às 15h56... | Comentários (0)

14 de novembro, 2003

a fazer

objectivo primeiro: desaparecer
objectivo segundo: perecer

se no abstracto ridicularizamos a aventura de uma vida, em concreto esquecemos um vida aventurosa... até à beatificação.

existir significa caducidade garantida.

se no concreto nos consideramos individualmente virtuais, no abstracto somos realmente ignorados.

respirar significa expirar.

objectivo terceiro: esquecimento
objectivo quarto: n/a

Escrito por jm às 20h58... | Comentários (3)

12 de novembro, 2003

petit françois

hoje encontrei o ritmo da história. a história ao ritmo de hoje ter encontrado. hoje ao ritmo da história. um velho homem sentado numa cadeira. a cadeira só isolada de tudo e de todas as outras cadeiras. e o homem sentado nela. em baloiço. sozinho na cadeira. sentado velho. o homem. descobri grave e conscientemente que a cadeira baloiçava pelo impulso de dois pequenos roedores. a cadeira sozinha, afastada das outras cadeiras tinha sentado nela um homem velho. muito velho. muito morto.

Escrito por jm às 11h57... | Comentários (4)

icharus

would u like me to kill you today?
would u survive to the light?
i'm sure you were happy tonight
i'm sure you were on your way to the sky.

will u survive?

o let go the wishes you had
o let go let go let go
the smile you have on your face

will u come to my arms?

o let be the happiness
o let be let be let be
that sweet bright in your eyes

Escrito por jm às 11h44... | Comentários (6)

11 de novembro, 2003

feel


 Evening coming -- 
    the office girl
   Unloosing her scarf.


Jack Kerouac

jack kerouac, ©Elliot Erwitt

Escrito por jm às 18h29... | Comentários (7)

10 de novembro, 2003

stand up

homem com criança ao colo. é-lhe perguntado se considera que o novo estádio das Antas é a catedral. o homem responde que ali é o vaticano.

é só rir! é só rir! tanta parvoíce junta... mas o portuguesinho continua a considerar a importância do seu mundo pela seguinte ordem: futebol, deus e cama... falta a pátria? que falte!

Escrito por jm às 13h43... | Comentários (30)

demagogia?

«(...)segundo o primeiro-ministro, a concretização das decisões estabelecidas vai representar um aumento em 2,8 por cento do PIB, criará cerca 91.500 postos de trabalho, beneficiará 81 por cento da população e implicará um esforço do país na ordem dos 650 milhões de euros por ano(...)»

mmmm estes postos são um número para ocorrer em simultâneo ou uma perspectiva transversal sobre os 17 anos da renovação da rede ferróviária de Portugal?

fonte: Público

Escrito por jm às 11h56... | Comentários (2)

significante

ouço Red House Painters, um dos álbuns homónimos, o da montanha russa. Olho para trás e faz-me esboçar um sinal de sorriso... os tempos inglórios que passei a ouvir estes senhores e outros. A afundar a minha vida atrás de palavras e pensamentos e imagens e, agora, saber, que não resultou... Agora, saber que tudo é igual a antes.. e que só não ouço mais esta música porque me atrai, mas não me descança nem me sossega... antes isso acontecia.

Entro num turbilhão de irritação e desespero. Esta música, a dos Red House Painters e de outros, pede-me tempo que não tenho, pede-me solidão... pede-me que esteja "quite in the corner / numb and falling through". Impossível...

Mesmo quando tenho um pouco mais de calma... existe o mundo a exigir-me o que não lhe devo...

Escrito por jm às 11h19... | Comentários (5)

propinas

na rádio, alguém apela aos estudantes que lutem também pelos das privadas para que sejam mais baixas as propinas destes...

faz por mim o que não me fica bem.

Escrito por jm às 10h56... | Comentários (0)

7 de novembro, 2003

???

tivesse eu mãos
agarrar-te-ia no tempo
correndo sem som
no jardim japonês

olho-te atravessando
a ponte velho ícone
guardado pela garça

Escrito por jm às 22h34... | Comentários (2)

atravessas o meu peito

13_nebreda.jpg
©David Nebreda

Escrito por jm às 13h39... | Comentários (2)

vi ri a(c)to

fosse eu crente e diria "Endovélico me proteja desta gente e deste teatro!", mas provavelmente não fiz sacríficios suficientes.

As críticas sobre a minha estreiteza de visão do teatro já ameaçavam o bom senso: mas se afirmo que os preços importam-me, a qualidade é determinante.

Ofereceram-me bilhetes para ontem. Ontem, depois de uma reunião, lá fui para o Trindade, ver uma peça em dia de lotação esgotada, os preços são a 13euro. Apesar de estar mais curioso com "9cento", as borlas são para ser aproveitadas, e fui ao Teatro da Trindade assistir a "Viriato".

Vou comentar brevemente o texto da peça, e este é um ponto relevante na minha crítica, uma vez que o texto é base de trabalho de todos os intervenientes: encenador, actores e patrocinadores (kidding!). Um texto pode ser razoável e haver um trabalho fascinante da companhia e do encenador - o exemplo para mim é "O meu Blackie" de Arne Sierens nos AU, que deram forma soberba a um texto fraco.

Considero o texto ouvido, ontem, como mediano. Não tive oportunidade de ler o livro de Freitas do Amaral, onde poderia, talvez, retirar mais substância dos conteúdos e da investigação do autor. Para ler uma excelente história romanceada de Viriato, aconselho o livro de João Aguiar, "A Voz dos Deuses".

Tenho a certeza, contudo, que ao ler o livro - eu não sou daqueles a quem são oferecidos livros :( pelas editoras - conseguiria extrair mais sentimento, menos plasticidade e robótica dos diálogos e das narrativas, do que os actores em palco.

Fiquei paralisado ao ver-me ensaiar os discursos possíveis às minhas futuras namoradas na primária... eu não conheço a maioria daqueles actores de outros trabalhos... mas, ó infelizes, toquem-se!

Dei por mim a chorar a rir, controlando o som do riso (gargalhada), numa das partes que deveria demonstrar sensibilidade e puxar para a comoção: a declaração de amor entre duas pessoas... eles tentaram imitar um filme do tipo "o monte dos vendavais"... mas, ó infelizes, espero que a vossa vida real seja um pouco melhor!

Apesar de um quarto da sala do Trindade ter ficado vazia após o intervalo, fiquei até ao fim, para que os meus críticos me não acusem de pouco resistente...

Foi interessante verificar que o público atento desta peça tinha momentos únicos de humor: sempre que o mesmo chefe de uma tribo apelava a Viriato que às vitórias fossem concedidas as violações das mulheres, o público ria-se... mas ria-se à vontade... nada comedido - penso que isto revela, e bem, o tipo de público...

Não gostei... agradeço a oportunidade que me foi concedida de poder criticar abertamente o teatro feito para massas... lotação esgotada para ver esta coisa... ggeeezzzzz!!!

Escrito por jm às 13h07... | Comentários (4)

visões vi

ontem celebramos o 99º aniversário do meu avô desta vez não fomos à terra de meu pai celebramos na nossa casa lembrando os 13 anos de ausência da carne suposta em pó lembramos que se tivessemos ido ele teria partido de manhã com as cabras e só voltaria da serra à tardinha quando já tardava a nossa partida a imagem dele na minha memória sempre magro sempre de cara lavada o meu avô não teve importância nenhuma neste mundo construiu o seu e ninguém o aborreceu demasiado ontem celebramos o mundo dele

Escrito por jm às 12h10... | Comentários (0)

6 de novembro, 2003

o sistema de comentários

caros, o sistema de comentários está integrado num sistema de blacklist (da comunidade weblog.com.pt) que pode transmitir-vos alguns erros e impossibilidade de comentarem...

o sistema de comentários não permite alguns termos, mas não tem capacidade de os interpretar correctamente... por exemplo, a palavra "disputa" não passa, imaginem lá porquê...

o que vai acontecer, até eu me pôr a ver a coisa e a eliminar algumas barreiras, é que o vosso conhecimento de português terá que ser maior... para arranjarem sinónimos ;)

Escrito por jm às 16h23... | Comentários (0)

As pessoas sensíveis

As pessoas sensíveis não são capazes
De matar galinhas
Porém são capazes
De comer galinhas

O dinheiro cheira a pobre e cheira
À roupa do seu corpo
Aquela roupa
Que depois da chuva secou sobre o corpo
Porque não tinham outra
O dinheiro cheira a pobre e cheira
A roupa
Que depois do suor não foi lavada
Porque não tinham outra

"Ganharás o pão com o suor do teu rosto"
Assim nos foi imposto
E não:
"Com o suor dos outros ganharás o pão"

Ó vendilhões do templo
Ó construtores
De grandes estátuas balofas e pesadas
Ó cheios de devoção e proveito

Perdoai-lhes Senhor
Porque eles sabem o que fazem




Sophia de Mello Breyner Andresen

Escrito por jm às 10h00... | Comentários (3)

splash news

o mundo acabou. agora temos o universo.

Escrito por jm às 09h57... | Comentários (3)

5 de novembro, 2003

opção

Albert Braun with Mirror
Albert Braun with Mirror, © Lotte Stam-Beese, circa 1928

Escrito por jm às 23h29... | Comentários (3)

4 de novembro, 2003

pub

vou editar um livro... nunca tinha enviado nada a uma editora.. e agora que enviei.. foi logo aceite!! vou editar "zero, um país às direitas", um livro negro... um livro em branco.

Escrito por jm às 13h36... | Comentários (7)

in and above men

© Michael J. Sweet © Michael J. Sweet

Escrito por jm às 12h26... | Comentários (2)

3 de novembro, 2003

contradição

revolver, by havok

Escrito por jm às 12h00... | Comentários (0)

Agualusa de Angola

José Eduardo Agualusa, numa crónica da Pública, apresenta-nos um ponto de verdade. Muitos dirão: "pretos, não sabem comportar-se" ou algo pior... Em Angola existem ainda os honestos... Ou de Angola ainda vem honestidade...

Questiona-se: «(...) quantas pessoas ouviram falar, por exemplo, em Rui Duarte de Carvalho, enorme poeta, antropólogo, cineasta, uma das mais extraordinárias e complexas figuras da cultura lusófona? Quantas pessoas conhecem o pintor António Ole, os editores e animadores culturais Jacques dos Santos e Adriano Botelho de Vasconcelos, o actor Orlando Sérgio, o guitarrista e compositor Carlitos Vieira Dias, o cineasta Zézé Gamboa, a bailarina e coreógrafa Ana Clara Guerra Marques? Quantas pessoas, fora de Angola, ouviram falar em Aguiar dos Santos, em Américo Gonçalves, em Rafael Marques, em Tandala Francisco, entre muitos outros, jornalistas que com assombrosa coragem têm enfrentado o poder, denunciando a corrupção e a incompetência? »

Como é possível aos governos portugueses não tomarem medidas coercivas face ao não avanço da democratização do país? Antes, entram em jogos económicos e perdões de dívidas que só prejudicam o estado e melhoram as condições dos patos bravos e barões de ambos os países?

Escrito por jm às 10h52... | Comentários (0)

frase

sorrir é elegância, não um prazer.

Escrito por jm às 10h40... | Comentários (16)

2 de novembro, 2003

inferência

recebo, poucas vezes, correio com referências a novos blogs. não consigo deixar de reagir da mesma forma a cada mail: mas quem sou eu? à parte o ser o que sou... a minha inferência é que existem bloggers que merecem ser falados... os dos jornais já os conheço quase todos e muitos são tão interessantes quanto uma banana mole.

recentemente aparecidos na minha caixa de correio:

epiderme - num jogo não linear, Pedro Jordão aborda arquitectura e outros temas que com ela se cruzam;

Murmúrios do Silêncio - história, esquerda, literatura... é o que se vê pelos poucos posts deste novo blog de Tiago Ribeiro.

outros houve na minha caixa... poucos, mas...

Escrito por jm às 12h43... | Comentários (0)

pão dos mortos

PAN DE MUERTOS

This is a version of the bread that is made for the November 2 celebration known as the Día de los Muertos (Day of the Dead) in Mexico. You can also mold the bread into different shapes like angels and animals.

Ingredientes:


Una taza y media de harina
Media taza da azúcar
Una cucharadita de sal
Una cucharada de semillas de anís
Dos paquetitos de levadura
Media taza de leche
Media taza de agua
Media taza de mantequilla
Cuatro huevos - 4 eggs
Entre tres y cuatro y media tazas de harina



Preparación:

Mezcle todos los ingredientes secos menos las 3 - 4 1/2 tazas de harina.
En una olla caliente la leche, el agua y la mantequilla. Añada la mezcla líquida a la mezcla de ingredientes secos. Bátalo bien. Agregue los huevos y una taza y media de harina. Bátalo bien. Agregue el resto de la harina poco a poco. Sobre una tabla enharinada, amase por unos 9 - 10 minutos la mezcla. Ponga la masa en un recipiente engrasado, y deje que levante hasta que haya doblado su tamaño (aproximadamente hora y media al nivel del mar). Para que la masa se encoja, déle puñetazos y fórmela de nuevo con unos "huesos" de masa encima para decorarla.

Deje que levante una hora más.

Hornee a 350 degrees F (175 degrees C) por unos 40 minutos.

Después de hornearlo, espolvoréele azúcar glas y azúcar coloreado.

fonte

Escrito por jm às 00h20... | Comentários (0)

1 de novembro, 2003

Paula Rego, obra gráfica completa

Cavalo de Ferroa cavalo de ferro surpreendeu-me, ainda mais! o lançamento da obra gráfica completa da Paula Rego é, para mim, um choque! um desalento, por não a poder adquirir, por ter medo que se esgote. por ter a certeza de que não esgotará já!

obra gráfica completaontem, ouvi na rádio o seu autor, T. G. ROSENTHAL, a dizer maravilhas da produção do livro - que é a tradução da Thames & Hudson -, de como se não perde qualidade da arte de Paula Rego por não se usar a fotografia... Folheei o livro ontem numa das grandes lojas... que faz 10% de desconto sobre uma peça que tem o valor base de 98euro.

Vale mesmo a pena adquirir este livro caso gostem do trabalho de Paula Rego. A série Nursery Rhimes, publicada pela relógio de água, está incluída neste trabalho... geeeezzzzzzz pelo menos toquei-lhe!! vou esperar pela feira do livro!! ainda vai haver!!! :)

Escrito por jm às 12h59... | Comentários (3)

que pensar??

o que devemos pensar quando um dos editores das Quasi escreve que a editora vai lançar um livro do Fernando Alvim? será que afinal o Alvim, para além de uma gajo porreiro também escreve? em que a definição de escreve não seja acto atentatório da escrita como o livro do Markl, que ele assume como o gozo profundo aos seus leitores?

fico curioso e sem saber o que pensar... são estas coisas simples que me espantam no dia-a-dia... as outras, menos simples, não entram em posts deste tipo!

Escrito por jm às 12h31... | Comentários (2)

oh!

toda a estrutura demoníaca é uma estrutura endeusada.

Escrito por jm às 12h07... | Comentários (0)

So Real

Love, let me sleep tonight on your couch
And remember the smell of the fabric of your simple city dress

Oh... That was so real

We walked around 'til the moon got full like a plate.
The wind blew an invocation
And I fell asleep at the gate
And I never stepped on the cracks
'cause i thought i'd hurt my mother
And I couldn't awake from the nightmare
That sucked me in and pulled me under
Pulled me under

Oh... That was so real

I love you
But I'm afraid to love you
I love you
But I'm afraid to love you
I'm afraid...

Oh... That was so real




Jeff Buckley




publico este poema... porque tudo o que tenho é imenso.. e é dos outros.

Escrito por jm às 11h47... | Comentários (9)