sempre quis escrever uma carta com o mote de mandar todos à merda. ensaiei-a por várias vezes, mas o resultado pecava pela falta de violência implícita ao mote.
nunca escrevi essa carta. ainda deixei por aí alguns recados e postais. descobri depois que nos momentos em que pretendi escrever sob esse mote me desviei para os cigarros, para o relógio e para o vazio. felizmente, começo a compreender que estes motes originam melhores reacções do que mandar à merda as pessoas. compreendo também, que nestes anos de vida, parcos em histórias, muitas pessoas me tenham mandado à merda.
talvez lhes faltasse o conhecimento de que eu nunca saí dela.
estás longe para além do mar, para além da terra, para além de mim. longe como só as estrelas estão e, no entanto, não brilhas e sabes-te de negro. concedes o tempo que não tivemos àqueles que têm tempo e não sabem. estás longe para além do universo. e tudo termina perto quando me esqueço de ti e olho em volta na solidão do espaço. acompanho-me num liquído alcoólico. miragem no copo de um gémeo inexistente. saúdo o tempo, saúdo a vida, saúdo o mundo inteiro... e acabo desejando-lhes a morte, gargalhando com euforia e contentamento. contente apenas pelo utopia, pela realidade futura. e mando-a, então, à merda, porque não me ajuda. e encho outro copo para saber quem sou. e o copo cheio diz-me que não sou o copo nem o buraco de ideias ou não-ideias. o copo refere-se a mim como um gémeo inexistente, miragem dum sentido ausente.
amarras
amas com garras
garras de amas
arre!
marras nas mamas
amas as mamas da
ama com garras
mar de ama
doces amarras
dos lábios nas mamas
Para acerto da verdade, duma certa realidade, enfim, para que se saiba, Nelson de Matos, além de ter vindo até este blog responder no post anterior, enviou uma breve missiva ao Público, em resposta à carta da bisneta de Gauguin.
Esta missiva responde em pleno às questões levantadas ontem. Transcrevo o texto publicado no jornal:
«"O Paraíso na Outra Esquina"
Quarta-feira, 29 de Outubro de 2003
Permitam-me que comente a carta de Mette Gauguin publicada na edição de 28 de Outubro. A Dom Quixote, ao saber que uma bisneta de Paul Gauguin residia em Portugal, teve o cuidado de a contactar convidando-a a estar presente num almoço com o escritor Mário Vargas Llosa, autor do livro "O Paraíso na Outra Esquina", recentemente publicado, e de que tivemos também a atenção de lhe oferecer um exemplar. Recusou Mette Gauguin este convite, declarando-se ofendida e chocada com o conteúdo do livro, nomeadamente no que diz respeito às referências sobre opções sexuais do pintor e de Flora Tristan. Insiste agora, de novo, neste tema, na carta endereçada ao PÚBLICO, referindo-se ao livro de Vargas Llosa como biográfico. Ora o livro de Vargas Llosa não é, nem pretende ser, uma biografia de Paul Gauguin. É um romance, uma obra literária, um texto de ficção, com todas as liberdades criativas e imaginativas que isso implica. Lamento que Mette Gauguin não entenda esta distinção, que lhe foi explicada, continuando a declarar-se ofendida com a publicação do livro.
Nélson de Matos
editor»
no dia 5 de Outubro, Nelson de Matos, anunciava no Textos de Contracapa a vinda de Mario Vargas Llosa a Portugal. O entusiasmo do editor notava-se grande e deve ter sido... nesse anúncio escreveu Nelson de Matos:
«Para além do programa normal da sua estadia vamos tentar surpreendê-lo, a propósito do tema deste seu novo livro, organizando um encontro com uma Senhora, neta de Gaugin, que vive em Cascais.»
A família Gauguin - sim, esses mesmos! - é o centro do romance ficcionado "O Paraíso na outra esquina".
O que me espantou foi, hoje, ler a carta, enviada ao director do Público, de Mette Gauguin, a tal senhora neta do pintor. A senhora está muito ofendida com o romance, ela e os seus antepassados. Além de não acreditar na fórmula romance em prol da biografia... Ela chama mentiroso ao escritor. Suponho que ela não terá aceite a visita de Llosa.
Comente, por favor, Nelson de Matos!
já o cego se foi embora há uma hora e o cão não voltou ainda pensou o homem do café encostado à ombreira mais limpa da porta do café o homem do café não é o dono do café o sonho dele é ter um café só dele o patrão é bom mas há que tomar as rédeas da vida em algum tempo o homem do café pensa muitas vezes e adia a decisão primeiro porque ele não é um homem de decisões intempestivas segundo não tem dinheiro do rio recebia o sonho de se ver atrás da secretária com a decisão na mãos com o amor no quarto à espera tal como ele espera todos os dias por esse amor o rafeiro tardava e o homem do café não podia esperar mais atravessou a rua e deixou na esquina um pouco de comida
a poesia vai acabar é uma antologia de poesia realizada por personagens da esfera dos blogs. sem critério específico para além do gosto pessoal, talvez dos poemas de que se gosta mais e que se relêem a cada dia, este livro electrónico foi organizado pela Janela Indiscreta, na pessoa da Cristina Fernandes, a quem agradeço todo o trabalho e o convite para participar.
o livro está disponível para download (568Kb) e é legível em Acrobat Reader.
primam na imagem com o botão direito do rato, gravem e distribuam. boa leitura.

sou o pobre que vos traz a pobreza.
perguntem-me: quem vais?
responderei: vou contigo.
perguntas: quem moras?
respondo: moro ninguém.
p: não podes vir.
r: quem vais?
p: ficas aqui.
r: onde moro.
Sei que o homem lavava os cabelos como se fossem longos
Porque tinha uma mulher no pensamento
Sei que os lavava como se os contasse
Sei que os enxugava com a luz da mulher
Com os seus olhos muito claros voltados para o centro
Do amor, na operação poderosa
Do amor
Sei que cortava os cabelos para procurá-la
Sei que a mulher ia perdendo os vestidos cortados
Era um homem imaginado no coração da mulher que lavava
O cabelo no seu sangue
Na água corrente
Era um homem inclinado como o pescador nas margens para ouvir E a mulher cantava para o homem respirar
Daniel Faria, in Homens que são como lugares mal situados, p. 9
Um escritor de barbas que deu uma entrevista à jornalista Ana Sousa Dias há alguns meses e cujo nome infelizmente não fixei, disse que não escrevia livros para construir casas com piscinas. Deve ser amigo do Eduardo Prado Coelho. Este tipo de comentários fazem-me lembrar os meus tempos de liceu em que as sonsas se juntavam num canto para dizer mal das outras e depois voltavam ao centro do recreio deixando cair aqui e ali insinuações maldosas.
Adivinhem lá quem escreveu isto?
pertenço ao vento no que ele traz de medo e mudança. pertenço ao vento, meu amor, pela velocidade imposta nas explosões solares. pertenço ao vento que me traz notícias das terras onde não estou nem vou. meu amor, se o vento te despentear o cabelo, se o cabelo te tocar a face... se a vida for na distância, sou eu nesta viagem desmedida que te vejo e te olho. desprendido das árvores. morto no chão. um dia. pó.
deus me (a)pague
que nenhum homem tem vontade
e eu recebo menos que os queixosos
corresponder ao vazio. riscar com traço. serpente num caderno pequeno e amarelo. retroceder na vitória. perder o rumo no mar das gentes suplicando fé. pingar o infortúnio. responder ao silêncio. grito. mudo.
com o regresso do Mil Folhas... o regresso dos amores novos. prendas que me quero dar..
«Poemas de Ruy Belo
apresentação e selecção de Luís Miguel Cintra
Assírio & Alvim
Recolhido num estúdio, em Julho passado, Luís Miguel Cintra gravou 25 poemas de Ruy Belo. O mais breve - "Para a dedicação de um homem", do livro de estreia, "Aquele Grande Rio Eufrates" - tem 44 segundos. O mais longo - "Nem sequer não", de "Toda a Terra" - leva 23 minutos e 58 segundos a dizer, oferecendo em cada verso desafios como estes: "Fel vil para meu mal bole no bule / valha-me folha o tempo da navalha / que isola uma ilha graças a uma agulha / onde uma vida velha nova rebrilha / e uma solidez sagaz sai de quanto se diz / Ó jardim dessa vida para mim perdida / em que o sapato de ourelo foi uma vez vê-lo / e sentir logo nulo todo o esforço de i-lo / dissociar desse pé que era e não é / num mundo que destruiu um mundo que o viu / pisar como ele só a terra que pisou / abaixo de uns olhos alvos e vagos vagamente magos / efémero momento do olhar / rapariga em espiga imponderável".
Luís Miguel Cintra convive com os poemas de Ruy Belo desde há muito, tem-nos como parte da sua vida - era estudante de liceu quando o poeta aparecia, quase diariamente, em visita a seu pai, Luís Filipe Lindley Cintra. Ao longo dos anos, disse alguns destes poemas em público, muitas vezes. Gravou uma antologia para a colecção de áudio-livros da Presença/Casa Fernando Pessoa nos anos 90. Mas não é só por esse registo estar esgotado que se justificava voltar a estúdio, com Ruy Belo. Agora a escolha é inteiramente de Luís Miguel Cintra. Abrange alguns dos poemas mais citados ("O portugal futuro", "Vat 69", "Muriel", "Morte ao meio dia"), mas não se fica por aí. Arrisca a respiração dos mais extensos (se não contarmos com "A Margem da Alegria", um livro-poema).
Ao longo dos 135 minutos de registo, toda a ênfase vem apenas das palavras serem o que são, nesse momento, na frase. A voz plana - rasa, grave. Como se tivesse descido o mais perto de onde o poema nasce e a voz começa.
O volume - a inaugurar a Colecção Sons da Assírio & Alvim - é fácil de manusear: os dois CD vêm numa bolsa que se desdobra no verso da capa.
Nesta colecção segue-se "A Margem da Alegria", que Luís Miguel Cintra gravará com actores da Cornucópia no fim de Novembro. O recital de lançamento será incluído no fecho da programação de Coimbra Capital Nacional da Cultura, a 20 de Dezembro.
A.L.C. »
Sábado, 25 de Outubro de 2003
fonte: Público
hey!! o Mil Folhas está lá, outra vez!! :)
hoje, ao fim da tarde um telefonema: um convite para ir ver John Cale, na aula Magna, à borla! o tempo não está para outras coisas e o sim foi imediato... o concerto foi muito bom. Aprendi muito... conhecia zero da obra dele a solo... Obrigado, aos amigos.
"a poesia vai acabar". Brevemente, disponível aqui, aqui (organização), aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
É uma evidência: há muitos poemas (e também poetas) na blogosfera. Talvez por isso resolvemos fazer uma pequena antologia. Não tem objectivos pedagógicos nem pretende ser mais do que isto: alguns poemas de que gostamos, sem qualquer justificação.
Pedimos a alguns blogers "amigos" que nos mostrassem os seus poemas preferidos e eles responderam com entusiasmo. Demos-lhes forma de livro, virtualidade electrónica e assim surgiu este livro.
Na blogosfera gosta-se de poesia, o que é bom. Este livro reflete apenas isso: o gosto e a partilha.
estão lá, no banco de madeira. a desgraça e as desgraças. animálias de vanguarda. desgraças de filosofia podre. da boca. da pele. das veias. dos músculos. sob as árvores frondosas a desnudarem-se sobre elas. e ela. a desgraça. rainha do reino da concórdia. desgraças felizes na infelicidade. pedinte.
as temperaturas baixam. os insectos começam a morrer. os pássaros migram. ouço um morto a cantar. penso que o canto dos mortos pode ser mais belo. a chuva afastou-se. pedi a uma andorinha para me levar para longe. esqueço o significado do tempo. o relógio vai no sentido igual. igualmente no sentido da morte. a qualquer momento. a dor é sempre sem esperança de terminar em vida. tenho saudades de não ser adulto. tenho saudades de não ser infantil. tenho saudades de não pensar. terei saudades de não existir? o frio, finalmente. os agasalhos. as luzes de natal. a hipocrisia dos discursos moralistas. a moralidade dos discursos hipócritas a fazer acreditar o povo das mentiras que já tinham ouvido antes. as mentiras de sempre. provadas e saboreadas no infortúnio. os insectos morrem. as moscas. as carraças. só não morrem os homens maus. que me sufocam o espírito e pejam de dor quem luta. quem não luta já anda dormente e nem se apercebe. adeus, se eu me fosse embora. se eu pudesse ir. para norte!
hoje, quando acordei e liguei a telefonia, alguém falava do Papa. O Papa isto, o Papa aquilo... e eu pensei: "O Papa morreu! Viva o Papa!" Depois, ainda sonolento, pensei: se morreu não vou dizer "Viva o Papa!". "Descanse o Papa!".
Afinal, era uma entrevista com um bispo hondurenho, que muitas vozes ditam como potencial sucessor do Papa... Mais uma entrevista sobre o Papa, na comemoração dos 25 anos de pontificado... É bonito... dá-me algum descanso do assunto "casa pia"!
o senhor deus, meu amor, reclama a tua devoção
em pranto e na agonia dos tempos
o senhor deus, sempre te escutou
sereno e
muita porcaria se ensaia na escrita... e, depois, ainda se tem que riscar alguma!
logo após o post sobre a minha inconsciência do presente, segue, para memória futura o texto lido, hoje, pelo Presidente da República.
fonte: Público
Comunicação do Presidente da República
21 de Outubro de 2003
Portugueses,
A administração da Justiça é uma função essencial do Estado, que tem de exercer-se num quadro de serenidade e de confiança.
Serenidade e confiança nas instituições judiciais e nos procedimentos que aplicam, serenidade e confiança nas pessoas investidas na função de fazer Justiça.
E isto é tanto mais necessário quanto mais graves forem as questões a julgar e quanto maior for a inquietação que elas possam gerar na comunidade.
É por isso que os apressados julgamentos de opinião pública são a pior maneira de procurar a Justiça; e é também por isso que se impõe encontrar um ponto de equilíbrio entre, por um lado, as legítimas exigências de informação e o escrutínio democrático da Justiça que ela ajuda a viabilizar, e, por outro, a garantia de um julgamento célere e equitativo, no local próprio - que são os tribunais e só eles.
Ao Presidente da República cabe zelar pelo regular funcionamento das instituições.
E por isso tem vindo a lembrar princípios essenciais que visam assegurar que o processo penal e a investigação criminal, que o serve, só estão de um lado - o da Justiça; e que estar do lado da Justiça exige que se protejam, com igual empenho, os direitos das vítimas e os direitos dos arguidos, para que à desgraça de não termos sabido cuidar das crianças que nos foram confiadas se não venha somar a desgraça de não termos feito Justiça, ou de termos ficado indesculpavelmente aquém, ou ao lado, na punição dos que delas criminosamente abusaram.
Desses princípios essenciais fazem parte a presunção de inocência; a lealdade processual; o uso ponderado e proporcional de poderes e de medidas, sobretudo quando, como a prisão preventiva, restringem direitos e liberdades fundamentais; a observância do segredo de Justiça, para a indispensável reserva das investigações e para a protecção do bom nome das pessoas.
No exercício das suas funções, o Presidente da República está na posição singular de ter direito a toda a informação necessária e legítima, e de nessa posição se relacionar com todos os órgãos do Estado e seus titulares.
Mas porque assim é, está fora de questão - e os Portugueses que me elegeram duas vezes bem o sabem - que o Presidente da República pudesse usar tal informação ou aproveitar tais relações para fins menos legítimos, designadamente - que fique bem claro- para obstruir ou influenciar a marcha da Justiça.
Posto isto, é tempo de ordenar prioridades e de não esgotar o empenho cívico dos portugueses em questões que, por mais decisivas que sejam - e são - para a moralidade colectiva, representam apenas uma parte do país que há para construir.
A ultrapassagem dos bloqueios do desenvolvimento e das crónicas deficiências estruturais constitui uma indeclinável prioridade do Governo. E essa ultrapassagem exige a mobilização de todos os Portugueses.
Defrontamo-nos, além disso, com um reordenamento estratégico e crucial da União Europeia, que irá influenciar a sua evolução, e projectar-se, assim, nas expectativas e interesses de Portugal, como Estado membro, e dos seus cidadãos.
A Justiça, em geral, e não apenas um processo, aguarda a reforma que agilize o sistema e o torne, finalmente, célere e equitativo.
Perante tudo isto - que é muito, e que é o essencial dos desafios que nos estão colocados - não faz qualquer sentido que as prioridades e preocupações dos portugueses continuem a ser, diariamente, secundarizadas, por uma qualquer novela judiciária, tantas vezes com criminosa e despudorada violação do segredo de Justiça, que não pode, naturalmente, ficar impune.
Novela judiciária que nos distrai de todas as outras preocupações e projectos, igualmente essenciais, e acaba por constituir, no alarido criado, entrave de monta a uma administração da Justiça que convença pela sua equidade, pelo seu equilíbrio e pela sua serenidade.
É isso que é próprio de uma nação que administra Justiça há muitos séculos, que se revê nas virtudes e nas capacidades que a trouxeram ao século XXI, e que não se deixa vencer pelo desânimo e apatia colectivas só porque no percurso da modernidade há males antigos a combater.
Por mais doloroso que seja este tempo, façamos dele um tempo de esperança.
já pouco me interessa o quotidiano. os lamirés são importantes... mas pouco me importa. matem-se, esfolem-se, enfiem os dedos nos olhos de uns e de outros... e aproveitem para me deixar só.
prefiro pisar o sangue do que evitar o sangue derramado. em crescendo, a inutilidade do pensamento sobrepõe-se à inutilidade de comunicar. em consciência não ofereço mais. em consciência o que ofereço é meu até constatação em contrário.
On n'oublie rien, de rien
On n'oublie rien du tout
On n'oublie rien de rien
On s'habitue, c'est tout.
Ni ces départs, ni ces navires
Ni ces voyages qui nous chavirent
De paysages en paysages
Et de visages en visages
Ni tous ces ports, ni tous ces bars
Ni tous ces attrape-cafard
Où l'on attend le matin gris
Au cinéma de son whisky
Ni tout cela, ni rien au monde
Ne sait pas nous faire oublier
Ne peut pas nous faire oublier
Qu'aussi vrai que la terre est ronde.
Ni ces jamais, ni ces toujours
Ni ces je t'aime, ni ces amours
Que l'on poursuit à travers coeurs
De gris en gris, de pleurs en pleurs
Ni ces bras blancs d'une seule nuit
Collier de femme pour notre ennui
Que l'on dénoue au petit jour
Par des promesses de retour
Ni tout cela, ni rien au monde
Ne sait pas nous faire oublier
Ne peut pas nous faire oublier
Qu'aussi vrai que la terre est ronde.
Ni même ce temps où j'aurais fait
Mille chansons de mes regrets
Ni même ce temps où mes souvenirs
Prendront mes rides pour un sourire
Ni ce grand lit où mes remords
Ont rendez-vous avec la mort
Ni ce grand lit que je souhaite
A certains jours comme une fête
Ni tout cela ni rien au monde
Ne sait pas nous faire oublier
Ne peut pas nous faire oublier
Qu'aussi vrai que la terre est ronde.
Jacques Brel
de Jacques Brel houve a recente edição de Infiniment (com edição limitada em digipack e outra, não limitada, em plástico), duplo álbum com faixas inéditas, uma antologia do melhor do poeta/escritor/actor.
houve, ainda, a edição da integral. uma caixa de bombons com 15 CD. a caixa limitada e numerada (devem ser 50000) é linda - vi-a na FNAC, a €141.
penso, deixando-a no expositor, ó esta paixão pelos objectos!
falta-me ainda saudar objectivamente a chuva. benvinda!
falta-me ainda saudar o vento refrescante. benvindo!
falta-me ainda acreditar que sobrevivi.
gosto de ir com a calma dos dias longos. a ultrapassagem é tão bela quanto a sua utilidade. gosto que me ultrapassem e façam correr uma brisa possível nos meus ausentes cabelos.
aniversário do nascimento.
«A noite está próxima. O que vejo já não se pode cantar
caminho com os braços levantados, e com a ponta dos dedos acendendo o firmamento da alma.
espero que o vento passe... escuro, lento. Então, entrarei nele, cintilante, leve... e desapareço.»
(Morte de Rimbaud – Al Berto – Coliseu de Lisboa 1996)
a tarde de outubro: fresca e leve. música de fundo: Divine Comedy, a alegre tristeza. em breve o regresso ao mundo!
alguém sabe o que aconteceu ao mil folhas? não foi colocado on line, ontem!
como não compro em papel... não sei se acabou, mas dúvido...
o homem do café chegou-se à porta e olhou a esquina pensou quantas pessoas passaram hoje pela esquina algumas entraram no café umas sentaram-se outras ficaram ao balcão e houve aquelas que ficaram junto à porta onde estava a máquina automática para fornecer maços de tabaco o homem do café talvez fosse feliz a linha que existia entre o lado direito da porta do café e a esquina permitia ao seu olhar ver as águas do rio que lava os pés da cidade o homem do café sorriu e regressou para dentro
autores na internet... um assunto recorrente, mas desta vez mais directo: autores publicados (esta é a parte biased) presentes na virtualidade de la red e página com actualidade.
a ordem é a da memória:
Possidónio Cachapa - prosa(ficção), teatro
José Tolentino Mendonça - poesia
Pedro Mexia - poesia
Sandra Costa - poesia
Luís Ene - prosa(ficção)
Jorge Reis-Sá - poesia, prosa(ficção)
Valter Hugo Mãe - poesia
Fernando Esteves Pinto - prosa(ficção), poesia
Carlos Alberto Machado - teatro, poesia
José Mario Silva - poesia
Joel Neto - prosa(ficção)
Francisco José Viegas - prosa(ficção), poesia
Fernando Dinis - poesia (também por aqui)
Jorge Candeias - prosa(ficção)
Luís Filipe Silva - prosa(ficção)
Manuel Jorge Marmelo - prosa(ficção)
Paulo Moreiras - prosa(ficção)
Luís Carmelo - prosa(ficção)
António Manuel Venda - prosa(ficção)
Ágata Ramos - prosa(ficção)
António Nova - prosa(ficção), poesia
Frederico Lemos Cabral - poesia
Henrique Manuel Bento Fialho - poesia
não visito tod@s, apenas alguns... os meus gostos prevalecem.
querem juntar alguém ao directório ou corrigir? deixem a indicação nos comentários.
estou fechado a uma comunicação unidireccional. só ouço e só escrevo (tão pouco). no muro do meu quintal, ouço os muros de outros quintais dialogarem, com vizinhos neles inclinados ou debruçados. olham-se, vivem-se. terão objectivos? talvez. que me importa senão os momentos limpos de estridência? para além desses, o som!
esclarecem rotinas de pensamento. êxtases do outono crescendo dentro. revelam peripécias das vidas seriamente tristes e cinzentas. sem sorrisos. iguais a mim. diferentes de mim que as expressam voluntariamente em diálogo. florescem na queda. eu nunca terei fruto.
no estertor da morte ninguém me ouvirá. o vento amainará.
chegavamos de manhã ainda a tempo de ver o meu avô partir com as cabras para a serra partíamos tarde pouco depois do regresso dele da serra com as cabras
um dia, hão anos, pela rádio, descobri a existência de um álbum da editora Sub Rosa. um álbum com direcção artística de Bill Laswell: hashisheen, the end of law, depois comprei-o na Ananana.
1. Intro - Sussan Deyhim
2. Old Man Of The Mountain, The - Percy Howard III
3. Western Lands, The - WS Burroughs/Iggy Pop
4. Spilled Cup, The - Sussan Deyhim
5. Marco Polo's Tale - Peter Wilson
6. Pilgrimage to Cairo - Peter Wilson
7. Freya Stark At Alamut - Nicole Blackman
8. Castles - Percy Howard III
9. Hashish Poem - Nicole Blackman
10. Sinan's Boat - Ira Cohen
11. Assassinations - Nicole Blackman
12. Mongols Destroy Alamut, The - Percy Howard III
13. Divine Self, The - Jah Wobble
14. Morning High - Patti Smith/Lizzy Mercier Descloux
15. Quick Trip To Alamut, A - Iggy Pop
16. Slogans - Genesis P-Orridge
17. Book Of The Highest Initiation - Genesis P-Orridge
18. Lord Of Resurrection, The - Hassan
19. Assassinations - Nicole Blackman
20. Tale Of The Calif Hakem - Anne Clark
21. Assassins, The - Hakim Bey
22. End - Sussan Deyhim
com a descoberta deste álbum... descobri os assassinos: hashisheen.
a lista foi recolhida na net, o meu cd está numa caixa algures numa garagem, pelo que não garanto a sua correcção
A escrita é a minha primeira morada de silêncio
a segunda irrompe do corpo movendo-se por trás
das palavras
extensas praias vazias onde o mar nunca chegou
deserto onde os dedos murmuram o último crime
escrever-te continuamente... areia e mais areia
construindo no sangue altíssimas paredes de nada
esta paixão pelos objectos que guardaste
esta pele-memória exalando não sei que desastre
a língua de limos
espalhávamos sementes de cicuta pelo nevoeiro
dos sonhos
as manhãs chegavam como um gemido estelar
e eu perseguia teu rasto de esperma à beira-mar
outros corpos de salsugem atravessam o silêncio
desta morada erguida na precária saliva do
crepúsculo
Al Berto, O Medo, Lisboa, Assírio & Alvim, 1997
ontem, à noite, no Pequeno Auditório do CCB, teve lugar o segundo de dois concertos do grupo musical Wordsong.
Os Wordsong viram agora reeditado o seu primeiro, e ainda único, álbum: Al Berto, onde trabalharam poemas do poeta. Esta reedição é uma versão aumentada com as colaborações de João Peste, JP Simões e Ségio Costa.
Ao vivo o fenómeno teve ainda a participação de Jorge Palma, que dialogou Les Mots com Pedro d'Orey, numa versão só com piano e vozes.
O concerto agradou-me bastante!
with a view to old buildings
they hide misery
as my heart beats
at one pace only
they hide their misery
and my life
their lives are ready to win
mine is gone
in hidding for one pace only

atrasei-me. a ignorância causa atrasos. as minhas desculpas a quem devido.
um grito de ajuda ou um grito de atenção para que nos debrucemos sobre a leucemia. eu não sei nada sobre a doença.. a não ser que é necessário medula óssea e transplantes - logo necessária compatibilidade.
local certo para toda a informação: CEDACE - Centro de Histocompatibilidade do Sul
o CEDACE - Centro de Histocompatibilidade do Sul fica aqui
Campo Santana, nº 130
1169-056 LISBOA
no site do CEDACE é possível obter o inquérito preliminar (a enviar via CTT) para inscrição como doador, que torna a comunicação com a instituição mais rápida.
a instituição tem ainda número de telefone disponíveis para esclarecer as dúvidas:
Centro de Lisboa: 21 882 35 34 ou 21 882 35 35
Centro de Coimbra: 239 48 07 00
Centro do Porto: 22 557 34 70
um apelo para potenciais doadores aqui
numa destas noites discutia com algumas pessoas o tema das presidenciais: de quem será o candidato da esquerda? pois, o candidato da esquerda, não das múltiplas esquerdas.
a razão verá pesar a direita, circunstancial e oportunista, ela saber-nos-á indicar com precisão a escolha do Alberto João ou outra ainda por criar, mas e a esquerda?
falou-se num nome que me agradou, mas existe um possível problema para a mentalidade mesquinha do povo que luta sangue e suor por um rectângulo mínimo... assim, será que a esquerda vai votar no Freitas?
as europeias e o possível referendo à constituição europeia já me estão a fazer comichão, mas a conjuntura obriga a marcar uma luta cerrada à direita e aos salões de chá.
o(s) constitucionalista(s) que se lembrou da regra básica de que dia de referendo não será nunca dia de eleição, revela-o pensante e promotor contra a instrumentalização do referendo, que não tem a ver com partidos mas com consciência e cidadania.
mudar a lei em benefício da governação presente e futura, parece ser um dos motes deste governo. ao se permitir uma votação para eleições e referendo num mesmo dia, não existirá mais que um espelhar partidário politizado nos resultados.
no que diz respeito à constituição, a falata de informação é tanta que a maiorira não tem nenhum interesse em promover a educção necessária sobre o tema, preferindo um referendo sem informação a nenhum referendo, estabelecendo a propósito de que o povo decidiu.
não estou a emitir qualquer opinião contra ou a favor da constituição europeia, quero sim afirmar que a maioria de direita não pretende mais do que o conforto dos bastidores para agir e tomar decisões de tão grande importância.
para download: Projecto de Tratado que estabelece uma Constituição para a Europa
a primeira vez que se edita um livro sobre blogs com autoria portuguesa. o lançamento é hoje, no mercado da ribeira, lisboa, pelas 19h.

descobri no the Guardian uma exposição/galeria/venda de fotografias publicadas pelo Observer desde 1949 e da autoria de Jane Bown.
figuras humanas perpetuadas em papel... num brilho místico de loucura. o link que se segue é dirigido ao Observer por ser um flash, pode ser perecível... mas vale a pena ir ver esta exposição :)
o ano de 1995 agradou-me bastante pelo conjunto! mas outros anos me cativaram.
para a galeria
«Ter a mania dos justos, por exemplo, e embora eu opte pelos justos, pode ser fanatismo tão violento como a paixão pelos violentos.»
Ruy Cinatti, em manhã imensa, Assírio & Alvim, 2ª edição, p.61
a feira do livro manuseado começou há mais de duas semanas. pretendi desconhecer a sua existência por motivos económicos. tendo assinalado unicamente o seu dia de fecho, dia 15 próximo, para ajuntamento no lançamento do livro sobre blogs do Paulo Querido e Luís Ene.
um acaso levou-me ontem á tarde para o O'Gilins O'Giglins (corrijam-me, nunca soube escrever o nome). a amena conversa sobre a cultura, as mentalidades, a arrogância e o mundo concluiu-se com um salto à Ribeira.
dos depojos a que cedi - outros deixei-os lá para núpcias futuras -, procurei poesia e tropecei nalguma prosa. aqui vão títulos e alguns porquês:
* os invisíveis, de Ana Paula Inácio, €2.5
porque descobri a poesia dela e quis sentir-lhe o pulso na prosa, temo que a poesia actual dela esteja a levedar... já li o livro durante o serão e gostei muito. as imagens são intensas; o quotidiano é real e não se reconhece nos textos quem não vive e não respira.
* as vinhas de meu pai, de Ana Paula Inácio, €1.5 (3 exemplares)
porque comprei um exemplar na FNAC a semana passada pelo mesmo preço que me custaram estes três: ficam para oferta
* a cobrição das filhas, de valter hugo mãe, €2.5
* três minutos antes de a maré encher, de valter hugo mãe, €2.5
porque o ano passado folheei a cobrição... e lembro-me de me ter agradado. comprei os dois para poder assumir com clareza uma opinião sobre alguma obra do poeta/editor da Quasi.
* a função do geógrafo, de Rui Coias, €2.5
porque é o único livro do autor e porque apareceu com trabalhos inéditos na última edição da Relâmpago dos quais gostei.
* manhã imensa, de Ruy Cinatti, €4
porque a preguiça é inimiga do conhecimento e em memória reconhecia neste nome Timor. li-o no serão gostei como a manhã!!!!
* viagem ao coração dos pássaros, de Possidónio Cachapa, €5
* shalom, de Possidónio Cachapa, €5
porque vim a adiar a sua compra e agora o preço imediatizou a acção. quero descobrir shalom e determinar o ponto médio da prosa editada e não antológica do autor.
nada mais, deixei Verlaine e Hatherly, autores que pretendo descobrir. se tivesse encontrado livros da Gótica talvez tivesse trazido mais qualquer coisa, ou ainda da Quasi, Avalanche do Pedro Mexia... mas não estavam por lá.
conhecer as obras que foram saqueadas do museu durante a guerra e antes(?) da invasão do Iraque, pode ser um trunfo para as recuperar.
com essa perspectiva, o jornal The Art Newspaper apresenta-nos uma secção dedicada ao acervo desaparecido, que inclui fotos dos objectos - as fotos são retiradas do único catálogo do museu, publicado em 1975/6.
a secção pode ser visitada aqui
já há muito se fala do regresso ao passado: quando vivemos na década do cavaquismo e nestes tempos do seu delfim. este falar são por vezes actos de alguma inconsciência, não falhando o cerne das vontades que estão no poder, infelizmente. o passado de que se fala quando se fala nestes modos é o do tempo da ditadura (paralisante).
a blogger do História e Ciência, conseguiu um relato, escrito na primeira pessoa, de uma mulher que viveu na clandestinidade durante o estado novo, viveu a fome, viveu sonhos que se terão perdido.
dois extractos:
«Tinha 8 anos quando os meus pais tiveram de passar à clandestinidade.»
«Claro que não ficámos a saber tudo nem sobre a História nem sobre a vida dos muitos povos da URSS. Nem das questões ligadas à Liberdade por que tanto lutávamos em Portugal.»
o post é de leitura obrigatória, basta clicar aqui!
em notícia publicada ontem, dá-se conta do interesse do estado sobre os jovens portugueses para o serviço militar. lê-se que na falta de obrigatoriedade do serviço militar, outros países têm um dia da defesa nacional em que se obrigam os jovens a um dia de propaganda nacionalista e militarista. e, assim, aqui se cumprirá o mesmo, obrigando jovens de Lisboa a um dia no Alfeite a levar com propaganda.
talvez falte esclarecer o estado que, tal como surge no artigo, ainda existe serviço militar obrigatório, que ainda se gasta demasiado dinheiro com questões que não alimentam o dia-a-dia de muitos portugueses famintos.
escreveu o Prazer_Inculto que o Paulinho das Feiras quer ver os jovens desfilar para lhes tomar as medidas, não deixando de discordar, questiono ao estado o que nos interessa um serviço militar? e em segundo plano, o que nos interessa um serviço militar constituído por pessoas com vontade zero de a ele pertencer?
com o país numa situação económica degradada, vemos alguns, a la americana, correr para empregos militares, mesmo assim, não parece haver motivação monetária suficiente para que muitos possam, de facto, ingressar.
os que ingressarem ficaram à mama.. e quando houver guerra e forem forçados a partir, os pais irão chorar os mortos como heróis e pedir prémios....
mil vezes uma multa do que um dia a ingerir alimentos psicológicos de duvidoso interesse.
leu-se no Público de ontem a seguinte notícia:
Defesa "Obriga" Jovens a Tornarem-se Voluntários nas Forças Armadas
Por HELENA PEREIRA
Sábado, 11 de Outubro de 2003
Vários milhares de jovens da zona de Lisboa, que completaram os 18 anos, começaram a receber em casa, nos últimos dias, uma carta do Ministério da Defesa Nacional (MDN) a convocá-los para participar no Dia da Defesa Nacional. O convite para o próximo dia 20, contudo, não é facultativo e obriga a passar um dia na Base Naval de Lisboa, no Alfeite. Quem faltar, sujeita-se a uma penalização.
É a primeira vez que se realiza esta iniciativa, apesar de ter sido desenhada pelo anterior Governo do PS, que nunca a pôs em prática. De acordo com a lei do serviço militar - que determina o fim do serviço militar obrigatório em Novembro de 2004 -, é criado o Dia da Defesa Nacional com uma vertente destinada a captar novos recrutas, à semelhança do que sucede noutros países.
Na carta, datada de 2 de Outubro, que seguiu nos últimos dias para vários milhares de jovens, a direcção-geral de pessoal e recrutamento militar do MDN lembra que "o processo de profissionalização das Forças Armadas, iniciado no final dos anos 90, e a extinção do serviço militar obrigatório, em Novembro de 2004, constituem um marco histórico na evolução do serviço militar em Portugal e um desafio profundo e exigente para o país".
O programa intensivo, na Base Naval de Lisboa, é constituído pelo visionamento de um filme, debates, visita às instalações militares, observação de meios da Marinha, Exército e Força Aérea, uma palestra e um inquérito. Por ser a primeira vez, trata-se de uma experiência-piloto. O transporte até lá é assegurado pela Câmara de Lisboa.
"A sua participação nas várias acções de informação e divulgação vai proporcionar-lhe a oportunidade de conhecer mais e melhor as nossas Forças Armadas e partilhar a larga experiência de profissionais da área da Defesa Nacional. Ficará a saber como se tem garantido e continuará a garantir a segurança e a protecção do nosso país. Este será, certamente, um dia diferente e marcante para a sua formação como cidadão", lê-se ainda na carta.
Segundo o Governo esta iniciativa, é "um dever militar de cada cidadão português e constitui, ao mesmo tempo, um contributo profundo e exigente para o país". Isto também quer dizer que os jovens (que se recensearam no ano em curso) que faltarem ao Dia da Defesa Nacional ficam sujeitos, segundo a mesmo lei do serviço militar, a uma contra-ordenação punível com coima e não escapam a ter que frequentar as acções do Dia da Defesa Nacional noutra ocasião a fixar pelo MDN.
"A impossibilidade de comparência da sua parte, por impedimento de força maior, deverá ser comunicada através de carta registada com aviso de recepção no prazo de três dias úteis após a recepção desta convocatória", escreve o director-geral de pessoal, Alberto Coelho, que assina a carta, a qual informa ainda que o MDN justificará a falta ao trabalho nesse dia.
a mim não me interessa este país. interessam-me todas as pessoas. as fronteiras determinadas por um grupo de gente que não vi e desconheço são vãs para a mente e prisões para o corpo.
este é um tempo de fechamento que vivemos neste rectângulo obtuso.
entregas de trabalhos até 15 de Novembro
para além dos blogs permanentemente linkados aqui no lado esquerdo, existem ainda outros blogs de onde vêm visitas e que se encontram também na esquerda mas em baixo... de tudo isto venho aqui apontar alguns: * * * * *
«David Nebreda photographie son propre anéantissement. Et entend reconstruire son humanité dans " l'incarnation des figures mythiques de la culture occidentale "...
Un livre est paru que nul ne peut, raisonnablement, ouvrir sans trembler (1). Un livre de photos. Et pourtant, dira-t-on, l'horreur photographique à prétention esthétique et visée précative, n'est pas vraiment ce qui manque, tant la photo, à force d'omettre le sujet, se complait dans la débauche obscène de ses objets. Mais ce n'est pas d'un de ces livres qu'il s'agit. Le livre de David Nebreda, que publient les Éditions Léo Scheer, dont on salue ici le premier titre, est un livre sur l'art, et sur la mise en danger extrême de l'artiste dans son ouvre. C'est un livre d'autoportraits. L'ouvre d'art comme un acte sacré, c'est-à-dire un sacrifice ou un luxe ultime ; l'expérience de la perte infinie de soi aux limites de l'anéantissement, puis la reconstruction, la réincarnation du sujet - l'artiste - dans les constantes de la culture humaine... proposition démente par sa démesure. Traverser le miroir de soi-même pour se projeter dans l'ouvre, afin d'y incarner, comme un " autre ", l'universalité de la culture, il n'est pas plus grand danger. En cas d'échec, l'artiste y risque le néant, mais il n'est pas d'ouvre ni d'artiste sans l'acquiescement à ce péril : la folie, le suicide, l'opprobre, l'abandon.
David Nebreda est fou, probablement. C'est ainsi que l'identifient les psychiatres : schizophrène paranoïaque. Un mot sur sa souffrance, une carte de visite, pas une issue. Pourtant, il n'en est pas moins un homme, et son problème d'homme, c'est précisément la perte d'identité. David Nebreda est photographe. Pendant sept ans, il a photographié celui qui disparaît en lui, " non pour faire le récit d'une expérience pathologique, ni pour témoigner " - devant qui ? et pour quoi ? - mais dans le projet, insensé, de saisir, dans la dégénérescence extrême de l'être et du corps, le point limite auquel peut se
réduire son humanité... et à partir de là, la reconstruire dans " l'incarnation des figures mythiques essentielles de la culture occidentale ", c'est lui qui parle. À la folie, Nebreda acquiesce sans ciller, pour en faire le point de départ de son travail. C'est " ce qui est nécessaire ". Mais qu'on ne s'y trompe pas, ce n'est pas une ouvre sur la folie, c'est une ouvre sur l'identité, sur la culture, sur l'homme occidental.
Il a photographié, pendant ces sept ans, l'effroyable voyage, dans la plus absolue réclusion, qui le conduit aux limites de l'annihilation. " Il le fait, de par sa volonté, en silence ", écrit-il avec son sang sur les photos autour desquelles il ordonnance son long sacrifice. Série d'autoportraits qui sont comme les arrêts d'une via sacra qui le porte jusqu'en croix, vers sa résurrection : " Putain de régénération ". " Je viens de naître ! On fête ce jour de la naissance, mais dans le fond, il devait être un jour des plus terribles de l'existence... peut- être même plus terrible que disparaître de ce monde ", écrivait Alexis Fédorovitche, et ses mots me reviennent devant les clichés de Nebreda. " Tout ce qui l'entoure, comme sa propre condition physique extrême, dit-il, se chargent de significations qui se complexifient ", à mesure des photos et de l'expérience, " autour de l'idée du nouveau but " : la résurrection dans les figures de l'art. David Nebreda est Espagnol. C'est de toute cette identité, héritée des ors de la conquête et des supplices inquisitoriaux, du luxe de la renaissance baroque et de l'ascèse martyrisante de la contre réforme, que se charge dès lors son art. Comment ne pas y reconnaître la marque d'El Greco et de Francisco Pacheco, mais aussi Géricault dont la Folle apparaît dans ses autoportraits comme la citation d'une mère, Velazquez renvoyé en miroir de la Parabole de la mère et du fils, Goya bien sûr, les cortèges de flagellants et l'effroi des saëtas de patro soto ?
Seulement, il ne s'agit plus là d'un commentaire photographique, si élaboré soit-il. Comme il y a un théâtre avant et après Artaud, la photographie de Nebreda tranche dans l'histoire de la photo. C'est en s'incarnant dans son ouvre qu'il sort du néant de la folie ; non pas en la fuyant, ou en la commentant, mais en allant au plus loin de ce qu'elle a d'humain. Et quand, lacéré, squelettique, mourant, exsangue et extasié, parvenu au but, il affirme " cette pratique d'autoreprésentation, de dédoublement et de recréation qui la libère et la justifie, comme instrument amoral de connaissance de soi-même, de ce qui est le plus proche de soi-même et qui est en fin de compte le plus universel malgré tout ". Nous sommes loin de l'effet photo, et au cour du questionnement des constantes de notre culture. Et, dans l'art photographique, le sujet a changé de place et le pathétique de l'image s'est effacé devant la tragédie de l'ouvre.
(1) David Nebreda, Autoportaits. Éditions Leo Scheer, Paris. 205 pages, 106 photos et 10 dessins noir et blanc et couleurs.»
canta-me histórias de embalar o meu sono, menina. ó doce eterno, deixa-me no teu colo aquecer as orelhas.
deixai senhores que vos anuncie: apetece-me mesmo mesmo mesmo aquela ali ao fundo, escondida entre as sombras e as luzes mal iluminando a sua fronte.
de crista espetada, meio inclinada, meio morta, meio viva... corre o galo pela estradita da horta. ai, lagarta sai do caminho que ele ainda te vê!!
tão cego e não vês que tão mudo não encantas com mil palavras e tão surdo não me ouves berrar o teu destino eu sou a crueldade do teu mundo gore
no passado Sábado, no suplemento Mil Folhas, do jornal Público, Eduardo Prado Coelho voltou a trazer para o jornal a questão da poesia geracional, com a desculpa de que nos irá elucidar sobre duas revistas.
Como que vamos construindo um puzzle de ideias e de conteúdos, contudo demasiado distantes do público generalistas e preocupado com o fantástico cartaz da pink anunciando o novo livro: I love this book...
Leia-se Existe Uma Nova Poesia?.
ana paula inácio. rui pires cabral. daniel faria. ruy belo.
sorrimos im-puros com a chuva frágil a pedir licença para entrar
sorrimos por não haver mais a fazer na tristeza que somos
enquanto gente enquanto grupo de pessoas apontadas e descritas em condições específicas
em manuais escolares e religiosos
sons de púlpito instruídos por superiores ordens
senhores vinde e deixai que as vossas crianças não assistam ao vosso fim
não esperamos mais do tempo que a vida que nos é permitida, ouço
mas ninguém espera a morte? sinal real de uma vida gasta e usufruída
ninguém espera porque nem uma vida é
gasta e usufruída. que lhe valha a morte para a coroar.
enfim cai chuva sobre as cabeças sob o céu nublado
permitindo que nos lavemos das agruras impostas e vestidas
quais formas de roupa disformando os corpos
mesmo assim sorrimos para não haver diferenças
nem gargalhadas nem palavras de júbilo
deixem-nos morrer em paz, merecemos já o véu negro
das viúvas das praias ocidentais
«Escrevo como vivo, como amo, destruindo-me. Suicido-me nas palavras. Violento-me. Altero uma ordem, uma harmonia, uma paz que, mais do qua a paz invocada como instrumento de opressão, mais do que a paz dos cemitérios, é a paz, a harmonia das repartições públicas, dos desfiles militares, da concórdia doméstica, da instituições de benemerência. Ao escrever, mato-me e mato.»
parágrafo de Breve Programa para uma Iniciação ao Canto, in Obra Poética de Ruy Belo, vol. 2, p. 11
a nossa ida à charneca foi para mim o recuperar de cheiros que apesar de sentidos antes se tornavam sempre imperceptíveis na cidade a minha avó os meus primos e eu na carroça fomos com a minha avó buscar lenha para o forno onde cozia pão amargo típico daquela região na charneca abundavam pinheiros e eucaliptos e tojo estavamos em Agosto o calor intenso cansava-nos à entrada da charneca uma nuvem de moscardos passou por nós nunca tinha visto aqueles bichos alguns pousaram no burro que se enervou e fez remexer a pele de todo o corpo a cauda as orelhas e a cabeça e estacou fazendo tudo isto lembro-me dum moscardo no meu braço a picar-me saímos da carroça e com ramos de eucalipto aliviamos o burro e a nós dos animais sequiosos de fresco
toc toc tac tac tac toc a esquina iluminada pelo sol da manhã aquece vagarosamente o cego batendo com a vara na calçada e nos interstícios geme uma ladaínha de pobreza e ausência de sorte clinc o som que a espaços se ouve da moeda caindo na caixa de metal que o cego tem dependurado do pescoço e abana muitas vezes ao longo da manhã para sentir o momento em que deve retirar parte do rendimento para o lado para que o som clinc seja vazio e penoso para quem se sente mesmo assim enaltecido pelo acto de caridade tenham pena do ceguinho sem mãe sem pai com três filhos a custas e uma dor nas costas da mulher
o blog Crónicas da Terra apresenta-se ao público! Hoje, entre as 18h e as 20h no bar/restaurante Agito, no Bairro Alto, em Lisboa.
O Crónicas da Terra dedica-se à divulgação de música do mundo e este encontro tem a pretensão de fazer ouvir o que se fala no blog.
Luís Rei, autor do blog, fez o convite e eu estendo-o a todos os que queiram ouvir, falar e desenhar no ar os sons do mundo no mundo do Agito.
sob a claridade da manhã triste e serena, escrevo traços com o pensamento deambulando. fosse bela a certeza ou triste a incerteza e não haveria dúvida quanto a qualquer realidade do meu sentir profundo e magoado. fosse triste a irrealidade e a realidade seria outra tão longe, tão perto dos teus lábios chorando a partida.
adquiri a versão limitada de The antidote/Antídoto, CD/Livro, dos Moonspell e de José Luís Peixoto, respectivamente. Esta versão é dirigida a quem gosta da música dos Moonspell e não a quem gosta e conhece os traços de Peixoto. Limitada a 2000 exemplares numerados, a versão oferece o livro, com as dimensões conhecidas das caixas de CD, em capa dura e com duas bolsas, quais badanas, uma com o CD e outra com o respectivo booklet. Tudo protegido por uma simples caixa de papel.
Excelente design e art work, onde o pecadilho único é a imagem que apresenta Antídoto (o livro) e que é um simples tratamento da capa da edição comum do livro (à dir.), que é uma imagem de imperceptível gosto... vão vê-lo às livrarias.
O CD contém a tradução para inglês do livro, por Robert Zenith, em versão multimédia e ainda o video de uma das faixas do álbum dos Moonspell, Everything Invaded.
E para quem não gosta da banda portuguesa, vão ver a capa do livro e tragam-no com vocês, apesar da capa! Gostei muito do livro, a prosa poética de Peixoto está viva, é reconhecível e encontra-se renovada! O livro comporta dez contos cujo tema comum é o medo... os dez contos acompanham os dez temas do álbum dos Moonspell, sucedendo-se num clima de permanente esperança... de permanente erro.
Durante a minha leitura, assisti ao encadeamento das personagens numa história em procura do antídoto para o medo. Peixoto renova-se na sua prosa poética por ter deixado cair as suas repetições imensas, permitindo uma acção mais contudente e liberta de amarras. As personagens surgem de encontro umas às outras, seguem juntas para um destino comum.
Em Antídoto olhamos novamente para o Sul, para a vida que roubamos ao Sul... o Sul, esse mundo de afecto sem afectos de montes abandonados no coração das suas gentes, de pedras e terra a que regressamos pelas próprias mãos.
No que diz respeito à música, não direi muito, gosto dos Moonspell pela sua força e pelas linhas de Fernando Ribeiro, letrista e vocalista. Considero este álbum melhor que o anterior... mas o meu olhar pode ser enviesado.
nada tenho a afirmar ou a escrever que vos traga limpeza ou sujidade. nada mesmo... nem para além nem para aquém. que o dia nascente vos seja limpo*.
* verso adaptado de al berto