Ontem, falei com alguém que apenas clamava pelos seus direitos de propriedade, que os defenderia a tiro se fosse preciso, que era um cidadão igual aos outros e nem ao primeiro-ministro permitiria interferência nos seus direitos. Esta pessoa reconhece no juíz a única entidade que pode contrariar/negar algum direito que considere seu. A pessoa com quem falei é empresári@ em nome individual.. quando o confrontei com tal situação devido a questões processuais, disse que era «empresári@ da tanga».... isto diz muito do cumprimento dos deveres desta pessoa. Se as decisões do governo e do seu líder não afectam esta pessoa, é porque está impune... Será?
Nem sempre terei paciênciapara as coisas todas que o merecem. As coisas, existindo com o merecimento que as faz existir neste mundo, são todas respeitáveis... e todas imputáveis de culpa que o pecadilho de existirem lhes concede. Este pecadilho torna-se dual e, independentemente da paciência que me merecem, posso sempre gostar ou não gostar das coisas.
o radialista Álvaro Costa também escreve num blogue... melhor, numa via rápida!
Ontem, no foyer do Estrela Hall estivemos à conversa, começamos por falar de senhorios, rendas e contratos, passamos pelos blogues e destilou-se raiva sobre o jornalismo actual: os media e a estupidificação dos consumidores.
As hostilidades abriram com a leitura de um trecho de "O Padre" de Raul Brandão, sobre a luta da vida e os jornais... a autoria do texto e a data de escrita foi dita depois, o que deixou tácito que em mais de 100 anos nada muda! Entre conversas de distinção entre fútil e útil, templários e fé, leu-se Arundhati Roy - dois extractos de "O Deus das Pequenas Coisas".
Na intimidade do foyer, as conversas tinham ossos e as leituras foram um acompanhamento informal com o som de fundo de Antoni, Mogwai, Janita Salomé, Goran Bregovic, etc.. Este vosso ministro, leu, da sua autoria, prosa e poesia.
O meu continuo agradecimento à Maria e bem haja aos outros presentes, numa confortável e relevante tertúlia.
estou de volta! não por colaboração da Blogger.com, mas porque as ideias mexem cá dentro e o cabelo vai morrendo...
Enquanto olho para dentro e admiro o comportamento do intestino delgado e a importância que, para a minha sobrevivência, ele representa, penso que a vida nas entranhas do tempo é algo de miserável. Eu, pequeno burguês, sem extremos, ordinário e amoral, penso! E este facto, o do pensar, admira-me mais a mim do que a qualquer das entidades que se me dirigem diariamente ou nem por isso. E, contudo, eu penso mal! Ou não sei pensar... se pensasse e agisse em conformidade, poderia estar em casa durante dias e mais dias e só sair à rua quando ninguém se me atropela à frente e olha para mim com um olhar de diferença, que aceito enquanto diferente, mas cujo conhecimento directo dispenso. Ser exposto à convivência forçada não me está nos neurónios que ainda me restam.
Existem pessoas com quem gosto de estar, porque se não intrometem com o meu caminhar nem com a côr do meu pensamento. Existem pessoas que mesmo longe, são sempre as que mais conversam comigo.
Contudo, tenha-se a certeza de que sou um bicho que foi acossado... e prefere a toca solitária às gentes que fazem de qualquer um um amigo.
Com a cruz às costas, Portas, ansiando por um bom job, mandou embora Maria Barroso da presidência da Cruz Vermelha, segundo a regra dos dois mandatos e roda. Afirmou o ministro aos jornalistas, que é algo que acontece «há mais de 40 anos, neste regime e até no outro», em que ninguém presidiu à instituição por mais de dois mandatos. Maria Barroso, indignou-se com a maneira como o processo correu e por ter sido substituída por um senhor do PP: Nogueira de Brito arranjou um belo acento.
Artur Santos Silva terá sido um nome atirado para o ar pelos media, o que me deixa curioso, sobretudo depois de ter visto Pedro Burmester, ontem à noite, afirmar que considerava o banqueiro como alguém capaz para a Casa da Música.
Manuel Alves Monteiro é o nome agora adiantado, foi presidente da Euronext Lisbon, tendo trabalhado com todas as bolsas portuguesas.
(13:47 - O nome foi confirmado, além de se ter ficado a saber que foi Rui Rio quem se lembrou dele... Falta saber se Burmester ficará.)
Não tenho muito mais a dizer, ouço Paco Ibáñez a cantar Nocturno de Rafael Alberti:
Lo que tanto se sufre sin sueño por la sangre
se escucha que palpita solamente la rabia
que en los tuétanos tiembla despabilado el odio
y en las médulas arde continua la venganza
Las palabras entonces no sirven, son palabras...
Manifiestos, escritos, comentario, discursos
humaredas perdidas, neblinas espantadas
que dolor de papeles que ha de llevar el viento
que tristeza de tinta que ha de borrar el agua
Las palabras entonces no sirven, son palabras...
Ahora sufro lo pobre, lo mezquino lo triste
lo desgraciado y muerto que tiene una garganta
cuando desde el abismo de su idioma quisiera
gritar lo que no puede por imposible y calla
Las palabras entonces no sirven, son palabras...
Manifiestos, escritos, comentario, discursos
humaredas perdidas, neblinas espantadas
que dolor de papeles que ha de llevar el viento
que tristeza de tinta que ha de borrar el agua
Las palabras entonces no sirven, son palabras...
Siento esta noche heridas de muerte las palabras
Os tribunais cubanos ratificaram as penas dos últimos dissidentes a serem noticiados internacionalmente. Raúl Rivero, poeta, jornalista e «vicepresidente para el caribe de la Sociedad Interamericana de Prensa» foi condenado a 20 anos de prisão por atentado à segurança do estado.
Ratifican condena contra escritor cubano disidente
LA HABANA, 23 (AP) - El Tribunal Superior de Cuba ratificó el lunes la pena de 20 años de prisión para el escritor Raúl Rivero, a quien se condenó hace algunos meses por "mercenario" al servicio de Estados Unidos, mientras que otras 49 sanciones también fueron confirmadas en estos días.
"Hasta ahora unas 50 condenas fueron confirmadas" por la instancia judicial de la isla, informó Carlos Menéndez de la no gubernamental Comisión Cubana de Derechos Humanos y Reconciliación Nacional (CCDHyRN).
Según Menéndez, 25 apelaciones fueron negadas por escrito y otro tanto lo fueron de manera verbal en estos días pasados.
Blanca Reyes, esposa del disidente, fue convocada por la defensora de Rivero y se le entregó el resultado de la casación (apelación ante Tribunal Superior).
"Yo siempre pensé que ese iba a ser el injusto resultado", comentó la mujer. El documentó explica que aunque severa, la sanción es acorde con la ley y por lo tanto se mantiene, explicó Reyes a la AP.
En el expediente de Rivero también se determinó ratificar la condena de 20 años para Ricardo González, colega del escritor.
"Ahora planeo hacer una revisión de la causa, voy a llamar a todos los periódicos para los que Raúl trabajó para que digan quién les paga a ellos y cuánto se le pagó a Raúl por sus colaboraciones", explicó la mujer.
Durante el juicio, la fiscalía aseguró que el creador era financiado a través de la Oficina de Intereses de Estados Unidos por el gobierno de Washington.
Las autoridades cubanas indicaron que estos opositores son "fabricados" para desprestigiar a la revolución con sus "calumnias".
"También voy a conseguir una carta de la Oficina de Intereses diciendo que ellos no le pagaron nada a Raúl", manifestó Reyes.
Ambos esposos se vieron por última vez el pasado 11 de junio, para un turno de visita en Canaleta, en la provincia de Ciego de Avila, donde el escritor se encuentra recluido.
Según la mujer, Rivero se encuentra bien de salud y sólo lo aquejan algunos problemas circulatorios.
"El mantiene una actitud positiva y a todo trata de sacarle el lado bueno", manifestó Reyes quien relató que su esposo hace ejercicio y escribe "sobre todo poemas de amor".
Hasta ahora, las autoridades rechazaron la solicitud de retirar de la cárcel los escritos de su marido, dijo Reyes.
Por su parte, Alida Viso, la esposa de González tampoco se mostró sorprendida por la ratificación de la causa.
"Todo va a seguir igual, pero es una forma de llegar a las últimas instancias", señaló Viso quien también pedirá la revisión del proceso a González.
González lleva adelante su sanción el la prisión de "Kilo 8" en la ciudad de Camagüey.
Las detenciones de 75 personas se produjeron en marzo pasado y 15 días después fueron enjuiciados de manera sumaria. Las severas penas de hasta 28 años fueron duramente criticadas en todo el mundo.
Mais info aqui e, genericamente, aqui.
Pride 2003 No próximo Sábado, 28 de Junho, realiza-se o Arraial Pride 2003, entre outros festejos, em Lisboa. Foi realizado o Jornal el gêbêtê, que será distribuído na altura, mas pode ser consultado já!
Hoje, o senhor primeiro ministro Durão Burroso (ler em inglês), irá apresentar a reforma da função pública, enquanto isso, no Porto, o compadrio político e económico causa uma implosão na Casa da Música. Lê-se aqui no JN online: «O Ministério da Cultura deve anunciar, hoje à tarde, no Porto, a substituição dos três gestores da Casa da Música e não apenas do pianista e programador Pedro Burmester.» Para ficarem de bem com o mundo mandam à vida também o senhor Rui Amaral (presidente da Casa da Música), melhor assim...
Para conseguir que a programação mantenho o nível que tem apresentado, Burmester «estará a ser seduzido pelo Ministério da Cultura para integrar a nova equipa, mas apenas para a direcção artística da Casa da Música». Seria no mínimo curioso a demissão isolada do Pedro Burmester, seguida da integração neste novo cargo. Para bem da cultura do vulgar cidadão espero que aceite. Irá defrontar-se, com um senhor, com certeza, mais amigável, aliás só se aborrece com os ministros, o senhor Artur Santos Silva «é o nome que reúne maior consenso junto do Governo para encabeçar o próximo Conselho de Administração. O banqueiro é uma figura da cidade e conhece bem o dossier, até porque foi o primeiro presidente da Sociedade Porto 2001, de que se demitiu por divergências com o então ministro da Cultura Manuel Maria Carrilho.» Roseta, põe-te a pau. Aliás, «Carrilho lamentou o facto de Pedro Roseta não passar de "um zombie".» (isto está aqui)
Também bonito de se ver foram as óbvias indignações - estas sim corporativas - dos políticos da praça nortenha, insurgindo-se contra todos os que tendo um cargo político ou de nomeação política, apoiaram Pedro Burmester e o trabalho - isto é o que mais importa - que desenvolveu na Casa da música. Pode ler-se também no JN, aqui, que «"as exigências da Concelhia do PSD/Porto não constituem nenhuma obrigatoriedade para o vereador da Cultura da Câmara do Porto", disse, ontem, ao JN, Marcelo Mendes Pinto, comentando a exigência dos sociais-democratas na demissão de Isabel Alves Costa do Rivoli. Recorde-se que a directora artística do Teatro Municipal viu-se envolvida na polémica da Casa da Música quando teceu elogios ao desempenho de Pedro Burmester à frente daquela estrutura.»
Seguindo a crónica do Eduardo Prado Coelho, hoje, no Público, sabe-se então que o vereador da Cultura da Câmara do Porto, «Marcelo Mendes Pinto, que, cometendo a terrível afronta de dizer o que pensava, declarou que era preciso "pensar a Casa da Música" e que Burmester é "uma figura incontornável da cultura portuense". Mais tarde, pressionado, disse também que a posição deste se tornara "insustentável" e que "deveria pedir a demissão".»
![]() | Nunca vou esquecer estes cigarros. Eles vão andar por aí, em bolsos de gente que desconheço. E, eu, sozinho, morrerei de saudades! |
| swallow.web.pt e rainsong.blogspot.com apresentam |
| Leituras com ossos |
| à conversa com José Manuel |
| dia 27 de Junho, às 20h30 |
| Foyer do teatro Estrela Hall Rua da Estrela, nº 10 - Lisboa |
entrada livre |
Os nossos bloggers são bons prosadores e escrevinham honrosamente. Desde que o calor apertou a sério, já vi escrito em vários blogues... dos melhores, que a canícula isto, a canícula aquilo, por causa da canícula, com esta canícula, etc., etc., etc.. Desde que a ridícula canícula se instalou e se considera o máximo, o calor desapareceu dos conteúdos escritos.
Hoje, no Público, é dado destaque aos blogues portugueses, à blogosfera enquanto mundo novo, parido. Antes estava ainda em gestação, hoje, podemos afirmá-lo, a blogosfera escrita por portugueses é uma criança berrando brados em barda.
Fala o Pedro Mexia da existência de uma crítica ao aparente "corporativismo" de bloggers. Escreve ele, que o significado não se alterou, o que é um facto, e que «Quem é criticado naquilo que faz - incluindo os seus hobbies - defende naturalmente o seu direito a fazê-lo se se vê alvo de críticas.» Vem isto a propósito das sucessivas críticas que surgem em determinados meios, salvaguardo já que as ondas públicas de alegria com o surgimento da blogosfera são bem mais que as de tristeza.
As más críticas: Pedro Rolo Duarte, director do DN Alterado, insurgiu-se contra a utilização dos blogues por pessoas com acessos a meios superiores, fala dos jornalistas, evidenciando um colega (subordinado) seu como um dos maus exemplos - informação num post abaixo. Parece-me ser evidente que se trata de uma reacção: mal pensada, mal escrita, demagógica para quem não conhece a blogosfera. É absolutamente ridículo que se faça crer que a blogosfera não tem qualidade nem merece a atenção informativa que já foi concedida à Internet, quando a blogosfera faz parte da Internet. Por isto, parece-me óbvio que a massa crítica dos blogues interessados se tenha manifestado contra Rolo Duarte, não numa atitude "corporativa" mas sim, pela defesa do significado que esta actividade lúdica tem.
As boas vindas: A imprensa escrita, pela mão do Público - por influência do seu cronista e blogger João Pacheco Pereira-, tem demonstrado um afecto especial pelos blogues, também a rádio Antena 1 já teve uma hora entregue a cinco bloggers, até o moderador tem um blogue. No teatro S. Luís teve lugar uma sessão pública sobre blogues. Contudo, estas alegrias não fazem descansar quem tem um blogue, porque as opiniões são diferentes e tendem a ser discutidas, a blogosfera cresce em permanente autocrítica.
Conclui-se que a blogosfera tem intenção de se afirmar como um meio útil e interveniente neste mar morto e entediante que é o jornalismos activo e corporativista.
Richard ParkeHarrison, em comunhão com a sua mulher, Shana, apresenta-nos The Architect's Brother, a sua primeira monografia, através da Twin Palms, uma colecção de nove séries de fotografias, que representa a exposição que viajará até 2007 pelo mundo e, sobre a qual, o post abaixo contém informação necessária para as entidades competentes a solicitarem.
As nove séries são:
E pode ser lido na sua totalidade aqui. Este texto é, 30 anos depois da sua escrita, a melhor descrição a dar à presente colecção de fotografias.
O director do DNa atacou os blogues. Fez ele muito bem, afinal estamos num país democrático, para a próxima seja mais cordial - não precisa ser politicamente incorrecto, só porque está na moda - , informem-no que até estamos num país democrático!
Para os que perderam o DNa do passado Sábado, basta clicarem sobre a foto do rapazola para acederem a um scan!
Hoje, Sábado, encontrei o livro cuja capa exponho neste post. Foi por acaso. Nem sequer conhecia o seu autor... É chocante o que se descobre nas páginas e páginas deste livro. É chocante gostar assim tanto de algo... e não trazer para casa.
Amanhã vou tentar dizer mais qualquer coisa... digamos, em termos genéricos que quem viu a artwork das últimas peças do Tom Waits pode ter uma ideia concreta do que estou a pretender demonstrar. Contudo, podem saber mais e melhor e urgentemente aqui.
Convido os museus a clicarem na capa do livro para saberem como e até quando podem trazer esta exposição a este país - a informação inclui valores base.

Para os mais desprevenidos anuncio-vos que coisas como este Rain Song, blogues, são, neste momento, tema jornalístico - claro que o Rain Song enquanto coisa blogue individual não é mencionado. Ora sendo tema jornalístico, a coisa blogue, é-o porque, para além da festa da Casa Pia, com João Pedro Pais e o Grupo Novo Rock no estádio do Restelo, existem os blogues e a blogosfera - dois neologismos fixados por José Pacheco Pereira, em blogue e em jornal.
JPP é o senhor que veio dar credibilidade - porque as coisas não mudam e não se acredita em formigas - ao viveiro que se tem materializado na internet escrita e livre feita por portugueses - é absolutamente necessário que se distinga a nacionalidade do local geográfico de edição de um blogue. Mais, falo de nacionalidade pela utilização da língua portuguesa e não considero um erro falar em nacionalidade em vez de internet escrita e livre feita em língua portuguesa, apenas porque a dimensão é rídicula e quase só portugueses escrevem português na internet. [Não, não considero que o português do Brasil seja português (estrito), o motivo é: eu percebo o que um brasileiro diz - excepto algumas interjeições - e raramente sou percebido por eles... a relação é mesma que com os castelhanos.]
Retomando, agradeço a JPP a dimensão cultural que permitiu à blogosfera. MAS, terei, antes, que agradecer aos que a ele fizeram com que tivesse vontade de espreitar e participar na blogosfera. Pessoas como Pedro Mexia, poeta, e, talvez, José Mario Silva, jornalista, e grupos de pessoas como os que fazem a Janela Indiscreta. Por mim, vi com gosto aparecerem a Janela Indiscreta, o Possidónio. Outros vão aparecendo e eu tomo-lhes, ou não, a medida do umbigo.
JPP tem descoberto verdadeiros blogues, os quais menciona graciosamente no seu blogue e acusa muitos, que não aqueles, de umbiguistas... chovem comentários e apreciações várias apoiando-o, mas o que é um blogue umbiguista realmente? Posso reconhecer um, mas difícil será explicá-lo em abstracto. Parece-me a mim que um blogue, ao contrário do puro jornalismo, tem características próprias do seu autor - quando individual - ou do colectivo. Deixemos quem lê interpretar o umbigo do outro.
Como esclarecimento, não estou a acusar JPP de nada:
VAI e VEM no número 100. Hoje é dia de estreias! E estreia o último filme realizado por João César Monteiro, falecido em matéria este ano. Com um dos mais interessantes historias do cinema não pimpolho português, César Monteiro poderá ter-nos deixado com o seu melhor filme vivo e ainda quente, para regalo de olhos e mente. Disse Paulo Branco, ontem à noite em entrevista ao Jornal da Noite (?) da RTP2, que este foi o homem que anunciou, nos idos anos 70 do século passado, a ventura de Manoel de Oliveira: «este país é pequeno demais para Manoel de Oliveira» - o que para mim significa menos quanto: «guardarei pintelhos de quantas mulheres amar e quando os rever num álbum vermelho ainda lhes sentirei o gosto», frase minha ao gosto de César Monteiro.
Deixo a sinopse do site oficial do filme:
"João Vuvu, viúvo, sem família, à excepção de um filho que se encontra a cumprir pena de prisão por duplo homicídio e assalto a um banco à mão armada, vive sozinho em casa própria, ampla, soalheira e indiciadora de apreciável abastança, num bairro antigo de Lisboa, situado no sopé do Monte Olivete.
Pouco ou nada sociável, o senhor João Vuvu efectua diariamente o seu passeio no autocarro nº 100, repetindo infatigavelmente o mesmo trajecto: no sentido ascendente entre a praça das flores e o jardim do Príncipe Real e, no sentido descendente, até ao ponto de partida e subsequente regresso a casa. Apenas alguns acidentes de percurso podem episodicamente alterar este quotidiano que parece corresponder à vontade de isolamento do protagonista, à assunção de um exílio que o torna relapso a qualquer aproximação social.
A casa, onde livros e discos são as únicas companhias de João Vuvu, começa a requerer urgentemente os préstimos de uma mulher-a-dias que, com um mínimo de qualificações, teima em não aparecer.
A saída do filho da prisão e a decepção que o seu desejo de regeneração provoca no pai, irá desencadear uma série de sombrios acontecimentos em que a índole criminosa do protagonista se manifesta e o condena a um destino definitivamente fora da lei e a comunidade.
Salvaguardadas as devidas diferenças, duas referências cinematográficas marcantes: The fatal glass of beer de W.C. Fields e Monsieur Verdoux de Charles Chaplin."
Para saberem mais, prontifiquem o rato por aqui. Onde encontrarão dois excertos do filme - um deles curto e fantástico, com o realizador/actor e Miguel Borges - e fotos e biografia e...
In the Spirit of Martin: The Living Legacy of Dr. Martin Luther King, Jr. é uma exposição patente bem longe daqui, onde escrevo estas linhas. Em Washington, DC, no The S. Dillon Ripley Center, a galeria internacional da Smithsonian Institution.
"When Dr. Martin Luther King, Jr. spoke, people listened. The example of his courage and the power of his message galvanized the Civil Rights Movement, changed the course of race relations in the United States, and redefined democracy. Dr. King was an American prophet. His nonviolent ideals and metaphors of hope continue to inform struggles for social and economic justice in the United States and around the world.
In honor of Dr. King's vital and enduring legacy, SITES presents In the Spirit of Martin, the first major exhibition of visual arts dedicated to celebrating this American hero. The exhibition features 118 works by prominent, emerging, and folk artists (...)."
SITES significa Smithsonian Institution Traveling Exibition Service. E a exposição pode ser vista por uma mira aqui. Descobri a exposição via New York Times... com algumas reproduções lindas.
"All God.s Children," 1993 by Alex Powers | |
"A Price for Freedom," 1985 by Sherman Watkins | |
"Confrontation at the Bridge," 1975 by Jacob Lawrence | |
"I See the Promised Land.Emmanuel Carvajal," 2000 by Tim Rollins and K.O.S. |
No último dia da 73ª Feira do Livro de Lisboa, o último conto da série O Nariz e outros contos, foi lido pela Joana Bárcia no auditório. Como sempre, Jorge Silva Melo, o director dos Artistas Unidos, esteve presente.

Uma amiga minha levou o livro Deixar a Vida, uma antologia de crónicas e apontamentos de Silva Melo, para o autografar. Esperamos que Jorge Silva Melo se despedisse de várias pessoas, que o ajudaram e geriam o auditório durante as leituras. Dirigimo-nos a ele, e pedimos que partilhasse um pouco do seu tempo connosco. Autografou o livro e perguntei: "como estão os A.U.?" - pergunta um pouco retórica, mas que resolveu bem o quebrar do gelo entre três espectadores assíduos dos A.U. e o director do grupo.
A resposta foi simples: "Mal! Muito mal!". Ficamos a saber que o grupo se está a desagregar por falta de objectivos comuns. Senti-me triste e pensei na fúria com que o público d'A Capital rejubilava o seu aplauso no fim de cada peça. Como Baal foi recebido no S. Luís. E, como cada encontro com Jorge Silva Melo, na rua, me fazia dizer-lhe "Olá!".
Ficamos a saber de reuniões com elementos da hierarquia da câmara, cujas datas não são respeitadas... reuniões que nunca chegam a acontecer... sem que seja dada qualquer justificação. Disse-nos Jorge Silva Melo que a ida para o Teatro Taborda acabou por ser uma farsa, ofereceram um mês - Silva Melo apresentou um projecto de dois anos. Aguardava, para segunda-feira, dia 16, um contrato, cujo conteúdo não conhecia... terá recebido o contrato?
No primeiro dia da feira, Silva Melo cruzou-se com Santana Lopes, presidente da edilidade lisboeta, Santana Lopes pareceu irritado e aborrecido quando confirmou com Silva Melo a inexistência de soluções postas em prática. Ali mesmo, se dirigiu a uma Vereadora e à administração do Teatro Taborda, exigindo um resolução. Do Teatro Taborda soube-se que existem compromissos que não podem ser alterados... "Quero os Artistas Unidos no Teatro Taborda!", afirmou o presidente: a ver vamos. Fica no ar a dúvida de quem está a impedir a boa resolução do assunto na câmara de Lisboa: Santana Lopes está a ser pressionado por figuras próximas do PSD, ligadas à cultura. Mas as hierarquias intermédias, espelho duma função pública horrenda e burocrata parece ser a certeza da incerteza deste grupo.
Perguntei: "e as ligações internacionais?". "Ainda esta semana perdemos mais uma!" Jorge Silva Melo sorri com a ironia da vida, porque não vale a pena chorar.
no dia 04 de Junho remeti para o Reino Unido uma carta em Correio Azul internacional registado. Os CTT oferecem agora um serviço online de localização de objectos registados, que sendo gratuito, obviamente, não funciona.
Hoje, a pessoa que recebeu a minha carta está em Paris, dessa deslocação dependia o conteúdo do envelope que lhe enviei. Se não houvesse outros meios de comunicação, eu julgaria que a carta teria entrado num plano virtual, à margem da nossa matrix, porque ao fazer a pesquisa o resultado é:
[esta imagem irá aparecer, logo que a Netcabo - outra empresa de grandes níveis de qualidade - me der acesso ao FTP]
Hoje é o último dia para comprar o selo do carro. Estupidamente, fiz o que nunca tinha feito: comprar o selo no último dia. Dirigi-me à Repartição de Finanças local, uma vez que sendo novo na zona, me disseram que seria o melhor sítio para encontrar o selo, que as papelarias já não tinham os selos mais comuns, etc., etc.. Fiquei duas horas dentro daquele edifício, esperando o momento em que chamassem o meu número. Pelo meio, algumas peripécias contribuiram para uma melhor disponibilidade mental para aguentar a seca:
one a repartição tem daqueles distribuidores de etiquetas numeradas, que encaminha uma fila de espera de números para as diferentes posições de atendimento, conforme o assunto a que o contribuite se desloca ao local. Num local bem visível, lia-se que a compra do dístico teria que ser feita na tesouraria e para tal se deveria optar pela "tecla um". 98% das pessoas ali presentes terá feito essa escolha. A máquna colocou um leve folha de papel térmico cá fora, como um bebé deita a língua de fora a um adulto, simpatizando com ele, nessa folha, para além de outras informações de somenos importância, estava inscrito o meu número: 469. Olhei para para os placares electrónicos e vi o número do presente: 316. Tinha-me sido dado uma luz sobre o futuro, sobre o meu futuro, sem tempo. Enquanto me adaptava à realidade do local e do tempo de espera que me tinha sido atribuído, notei que a chamada das pessoas pelos números das senhas era feita por um buzz rápido, seguido de uma voz feminina pré-gravada que dizia cada um dos dígito do número da senha, sem nunca os unir, como nos gritos da lotaria. Foi num instante seguinte, que ouvi: buzz «"quatro", "sete", "dois" para a mesa 6». E eu pensei... mmmm têm uma das filas com mais numeração que a fila com mais pessoas, deve ser tão pouco usada que não a põem a zeros.... ERRADO!! A sequência númerica na repartição de finanças é partilhada pelos vários assuntos que os contribuintes vão ali resolver... E, o que acontece é que quem espera, não consegue calcular realmente o tempo que pode vir a demorar.
two uma das mais maravilhosas descobertas foi saber que, enquanto estavam três pessoas a aceitar os impressos e a vender os selos do carro, uma senhora, numa secretária fazia a confirmação de impressos para "pedidos de isenção". Como devem calcular, o número de pessoas a pedir isenção de taxa de circulação é imensa, fiquei enternecido pela tal senhora, cujo volume de trabalho se aproximava do zero. Lindo foi ver um grupo de pessoas chegar do almoço e... a senhora que não fazia quase nada foi substituída por outra, que disfarçava melhor, retirando dossiers do armário embutido atrás de si e alterando as posições das fichas que eles continham.
three esta nova senhora que não fazia nada, foi alertada pela colega da frente do seguinte: "preciso dum selo de isenção", ao que esta nova senhora retorquiu: "já preencheste o impresso? despacha-te, depois das quatro já não serei eu a dar-te o selo" - a repartição fecha o atendimento às quatro. Esta que pediu à outra o selo, quando chegou do almoço veio com amigos... pensei que seriam colegas, mas não! AMIGOS! Os amigos ficaram à porta, por assim dizer... mas dizendo melhor, ficaram como todos os outros esperando no área de espera. E a senhora foi para trás do balcão. Atrás do balcaõ, só pessoal de tesouraria morria a aceitar impressos e vender selos... Esqueci-me dela! Quando de repente... ela reaparece junto duma secretária - a que fica em frente à secretária da senhora que não faz quase nada - e substitui a colega. Mas antes de se sentar e começar a trabalhar, chama os amigos um a um, dá-lhes selos e cópias dos impressos e troco.. e BARDAMERDA... eles estiveram lá dez minutos e eu gramei duas horas!
Com alguma felicidade, digo eu, nega a minha carteira, tive os últimos três dias no Parque Eduardo VII, em Lisboa, e, ainda hoje, irei até lá. Dos últimos dias guardo o prazer renovado dos breves encontros com o Possidónio Cachapa, de uma troca simpática de palavras com o Pedro Mexia, do matar saudades do José Luís Peixoto, do encontro permanente com amigos e com os Artistas Unidos.
A falida carteira queixa-se. Mas o meu contentamento não se compra.
Ontem, foi o lançamento oficial do novo livro do Possidónio, uma antologia de contos, que inclui o já esgotado o nylon da minha aldeia, da extinta colecção o homem do saco. O livro foi apresentado pelo editor (?) da ... errrr... Oficina do Livro, como Agarra-te ao meu peito em chamas, título original que foi alterado para Segura-te ao meu peito em chamas - parece-me a mim que a violência das chamas requeria um "agarra-te", mais do que um "segura-te".
A apresentação formal esteve a cargo de José Mário Silva, que teve excelente perspicácia na informação sobre o livro e, sinceramente, algum infortúnio na escolha do conto para expôr à plateia presente.
Um livro a descobrir.
Após vários dias de reflexão sobre o assunto e, tendo em conta a expansão dos blogs neste canto mal amado - por mim! -, tomei por resolução soltar o Rain Song do site que sempre o guardou... mais ou menos. Portanto, o Rain Song irá manter-se acessível via swallow.web.pt, mas também em modo directo, via rainsong.blogspot.com. Seja assim, a prenda para o Rainsong, agora com dois anos de existência!
Tendo em conta o número de links que existem para este site - os quais agradeço - é uma vantagem para mim ser um estrangeiro no meio daqueles que se dizem meus conterrâneos. Estou solidário com todos aqueles que me visitam e aturam os textos pobres e pouco interessantes.
Não me parece que vá continuar a saga Mortensen para já! Não seria salutar encerrar sem um esclarecimento: é fácil encontrar assunto na internet sobre Mortensen... com a sua editora Perceval Press, será também fácil, para quem tem acesso a pagamentos a crédito e tiver crédito - hoje, quase todos têm crédito -, adquirir os seus livros e cd.
Mortensen apresenta-nos a poesia, a fotografia e a leitura de uma forma coerente.
No dia 14 de Junho vou estar na feira do livro, não para dar autógrafos, mas para ver a feira: falar com Possidónio quando lançar a antologia de contos, e ver o Miguel Borges ler O Primeiro Amor de Beckett... seria ainda mais lindo vê-lo representar...
Bem.. eu vou estar na feira... estes dias todos. Serei aquele gajo entre @s gaj@s tod@s.
self portrait, 1999-2002 ©Viggo Mortensen | |
after darkly noon, 2002 ©Viggo Mortensen | |
Finland, aerial harvest, 2002 ©Viggo Mortensen | |
gulf stream, 2002 ©Viggo Mortensen |