| Viggo Mortensen é pintor, fotógrafo e escritor/poeta. Viggo Mortensen tem um editora, ainda pequena, pela qual publica os seus livros de fotografia e, em breve, livros de arte de outros de quem aprecia o trabalho. Ainda não tive o prazer de tocar em qualquer uma das publicações, ainda, porque a tentação é grande! Hoje, começo pelas fotografias de Viggo Mortensen! Nos posts seguintes surgirão os poemas, as pinturas e os livros. Sinto nas fotografias de Mortensen uma aproximação do real e da intenção do real, algo me espanta e me maravilha. | |
Wolvenbosch, 2001 ©Viggo Mortensen | |
Mikkel, 1995 ©Viggo Mortensen | |
Passover, 2001 ©Viggo Mortensen | |
7 November, 2001 ©Viggo Mortensen | |
Chris' Dogs, 2001 ©Viggo Mortensen |
esta é a última, antes da próxima, memória que guardo do degredo.
os senhores da guerra estão irados e barulhentos, ouço-os tão longe: incomodativos.
penso no lindo movimento que anunciei e ao qual renuncio, agora. este local é de silêncios e não de movimentos de elegância questionável. assim, não vos direi o que penso pela simples razão de que não tenho pensamentos nem tempo para os ter nem me apetece ter.
alguns poetas são execráveis... ou nem por isso.. e os que nem por isso não são só poetas.. não se permitem ao parasitismo da cultura humana. hão pessoas poetas bonitas, outra feias e ainda outras que não se dá por elas, porque não incomodam uma mosca... e há quem morra e se deixe matar em consciência absoluta de uma nulidade inculcada e construída como a saída mais fácil, numa sociedade que admite a auto-exclusão e o suícidio como conceitos de controlo natural da raça humana.
foda-se! como é lindo estar certo das incertezas dos outros e não ter dúvidas enquanto alguém se mija pernas abaixo para nos transmitir uma ideia: tão incapazes de armar aos cucos!! isto é, pôr o ovo no ninho de outro!
estou muito contente, hoje! a vitória dos deuses... foi-me anunciada num jornal de actualidades. a vitória dos deuses e a minha morte no minuto anterior!
este é um sítio distraído com a vida e com o mundo. depois de ter lido
Actualidades de Camus
Quatro Estórias de Edward Gorey
A Expressão dos Afectos de António Mega Ferreira
Angst de Luís Quintais
deambulado por outros e a ler Morte aos Feios do Boris Vian sob o pseudónimo Vernon Sullivan, reparo que não tenho tempo para ler... estes livros lêem-se rapidamente, este último comecei-o a ler ontem à noite e, se não tivesse que acordar a horas decentes, teria acabado de o ler antes do Sol nascer - ficou a pouco mais de metade.
Reparo que nesta distracção com a vida e com o mundo tenho escrito o suficiente para encher uma folha inexistente... e enquanto descubro mundos vizinhos, reparo, ainda, que o mundo dos blog se tornou razão de notícia nos media, nos jornais para ser mais exacto. Poderia pensar-se que bom! que fantástico! uma sub-cultura a emergir... pensar-se-ia errado!
Aqui, vocês lêem num blog, felizmente desconhecido e apático perante razões de eloquência jornalística. Esta eloquência advém da entrada neste mundo do Blogger.com do sr. José Pacheco Pereira, pessoa que respeito na boa razão de política apartidária. Este sr. veio tornar polémicos os discursos de jornalistas alfabetizados mas sem conhecimento da cultura, enquanto meio e modos de vida e não de intelectualidade. Os jornalistas chegam a enaltecer a chegada do sr. JPP como a marca fundadora para a credibilidade desta sub-cultura de intervenção.
Antes dele e de outros, estava cá eu - uma mera avestruz - e antes de mim, muitos outros fizeram deste meio, um caminho privilegiado de comunicação das venturas e das venturas do mundo. Mas - e dando importância à coisa - antes dele, já cá estavam - firmes e importantes - uma geração DN Jovem confirmada: Mexia e amigos, jornalistas como José Mario Silva, escritores como Possidónio Cachapa, amantes da cultura como os autores da Janela Indiscreta...
Uns mais sérios que outros, e ao contrário também, crescem os blogs como cogumelos... ou numa versão mais interessante, pilas erécteis e mamilos excitados numa filme de Pasolini não faltam por aí, cheios da petulância eterna que faz dos humanos o ser mais estúpido à face deste planeta.
[este post não foi acabado, mas também já não me apetece]
ri que eu choro. chora para eu rir contigo a fortuna perdida no buraco negro da noite.
ontem foi uma noite muito boa! as leituras no foyer e no palco do Estrela Hall, conhecido também por ser o teatro dos Lisbon Player's, correram muito bem. a conversa... enfim a conversa é como as cerejas :) agradeço a todos os presentes. um especial OBRIGADO para a Maria, por permitir estas oportunidades de reunião.
hesito em falar do que quer que seja. não escrevo sobre nada, de modo a não subvalorizar qualquer assunto pelas minhas palavras menos felizes ou mais inodoras.
sinto perfeitamente um cheiro a podre. sinto perfeitamente as ferroadas das pulgas no meu local de trabalho, apesar de não trabalhar no antigo curral da minha falecida avó paterna.
apetece-me sorrir, mas ninguém vê piada alguma nas minhas anedotas. que normalidade poderei atingir neste mundo?
quantas vezes penso que seria muito melhor passear as cabras do meu falecido avô paterno, ou tirar o esterco do tal curral, ou cozer pão ou viver fora daqui, onde não exista uma normalidade de acesso limitado - algo que não existe. e não me apetece encerrar-me numa caixinha de idiotices e arame farpado.
algo curioso é falar com pessoas de quem gosto e que me dizem «eu quero ser normal» ou «eu sou normal». a normalidade é um objectivo de vida, para elas. sinto-me triste por não perceber onde caberia uma determinada originalidade individual. sinto-me triste por essas pessoas de quem gosto.
existir num padrão que agrade à maioria, essa maioria falsa que nos garante o nada.
olá a ti!
a ti, eu digo, que Lisboa tem amanhecido com o céu limpo e me tem oferecido manhãs quentes e de sol contente. mais contente do que eu. sorridente, enquanto sinto a tua lonjura. tu estás longe. sinto que não te aproximarás. sinto que não serás menos do que uma lembrança ou mais do que sentimentos acumulados numa gaveta à mão, do enorme armário que é a memória.
a ti, pergunto-te, como estás? sinto instantes em que a pulsação cresce e se torna violentamente rápida. como estás, tu? esses lugares estranhos e imundos por onde tens andado, que vidas e experiências te trazem, se não um misto de esquecimento e embriaguez?
a ti, repito um olá! outro olá! mais estou cheio de vontade de o repetir ao Tejo do que ao vento na esperança de que me ouças. parece-me que o Tejo saiba melhor onde encontrarás estas letras agrupadas do que os sopros agitados da estrela solar.
a ti, digo adeus, como se fora um até já. sorrio um pouco e penso que me amarás sempre como eu te amo agora, que me esquecerás todos os dias em que te lembres de nós: presos num só laço de saudade.