27 de novembro, 2004

scavenger's hunger

um passo entre a luz e a sombra prefiro a sombra porque intui a luz e ainda assim se mantém escura um passo entre a luz e a sombra onde o corpo fecunda polinizando ou é fecundado por pólenedinburgh castle, 1997

o corpo esquece-se em qualquer lado como uma pedra igual a outra excepto se for uma pedra azul se for uma pedra azul vai para o bolso ou para um recanto protegido do caminho ponho-a lá de propósito sim posso fazer dela uma sopa azul enquanto imagino a sombra no corpo ou a cópula orgânica da sombra com a luz

sei que assim a luz ganha mais poder mas tantas vezes precisamos saber o que os olhos falam choram gritam esmiuçam ao pormenor a dor que lhes vai por dentro

não não me esqueci da pedra azul só não tenho nada a dizer sobre a pedra azul posso adiantar talvez que o que interessa não é precisamente o azul mas sim a cor qualquer cor que se distinga da generalidade cinzenta das pedras com que as nossas plantas dos pés interagem pisando tropeçando

no corpo regista-se o tempo com rugas portanto na pele o cheiro na memória que sim que é menos digna de registo porque se pode apagar involutariamente num clique horrível eu lembro-me que me lembrava mas agora já não

[...]

dançaste então! com os mortos em redor.

Escrito por jm às 18h35...