amanhã
o melro com a larva no bico
e a negritude no semblante da viúva
com a criança ao colo berrando
no frio da madrugada
e ainda o cheiro a maresia
traçando-lhe o destino que
o tornou orfão e rebelde
amanhã
o melro com o presente no sonho
e o negro manto ao largo
com os homens embalando
o pesadelo da terra e das mães
chorando na beira-mar os filhos
sem pedra sobre o túmulo