26 de fevereiro, 2004

irascível (parte 2)

agarro-me ao escaparate com uma mão e atiro, com a outra, talvez a esquerda, um vaso à cabeça da bibliotecária, minha irmã, para lhe roubar a virtude do sorriso.

falho o alvo, sem surpresa, e ouço um grito abafado para não fazer ruído. pego num caco do vaso e rasgo o pescoço e a aorta ao rapaz mais perto: ele grita e eu grito com ele... ouço um som abafado a mandar-nos calar... eu calo a morte dele enfiando-lhe um lenço na boca.

agarro-me ao escaparate com uma mão e com a outra faço gestos indignos da moral maior, dignos de qualquer amoral mente transeunte.

ninguém: um espaço vazio. tu e eu: presos um ao outro e o outro ao um. tu és um ou outro e eu quero que um e o outro seja uma união. ninguém: somos uma intersecção vazia de sentido e sentimentos únicos para nos separar: sempre.

Escrito por rainsong às 00h46...




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