Foram poucas as venturas com que sonhei. Sempre quis um homem-sol à minha beira e pouco mais do que um brilho na noite era o que me surgia por perto.
Matei-os a todos e felizes esses, que não teriam que sofrer mais às mãos de mulheres interessadas.
Sempre quis um homem de pila erecta sonhando comigo o sexo dos deuses. Ansiando a pele e os pelos em jogos cruzados de dedos e olfacto. Sempre quis... como um desejo de uma vida para concretizar e fosse a minha fortuna essa vontade.
Descrimino no testamento as armas dos crimes e distribuo-as pelos mortos, para os acompanhar nos túmulos das suas cinzas: o mar, o lago, o tanque dos peixes.
Nunca tive nenhum amor amante de mim, porque nunca tive uma pila íntima e erecta num desejo único de vida: sexo e ardor. Num só olhar soube-o ali, esperando algo que nada mais nem menos fosse o seu sexo crescendo dentro da minha boca-vagina... o seu esperma nos meus lábios comprimidos contra os lábios dele, tacteando a língua que lhe conheceu a pele.
Ele, homem-sol, único e intenso, sentado e mirando o universo fechado da sala de espera do otorrinolaringologista, olhou-me e disse-me: obrigado.
Escrito por rainsong às 11h38...