o senhor da papelaria balbuciava ruídos enquanto sacudido pelo cliente atónito, exasperado com a infelicidade de uma notícia tão importante. quando o cliente o largou o senhor da papelaria, inspirando uma golfada de ar, compôs-se e perguntou: mas que dizia a notícia, senhor? o outro, já saindo, repondeu-lhe: e eu sei? a chuva é traiçoeira com as notícias dos céus e escritas nas nuvens! guardou-a para si e agora teremos que esperar por outra oportunidade para tentar ler o destino. entrou, durante esse momento, Júlio, que ainda ouviu a resposta. o outro desapareceu na chuvada e o senhor da papelaria virou-se para o Júlio e disse: é doidinho, coitado! o que deseja? Júlio desejava Janus, mas Janus não estava ali e não lhe serviria de nada responder Janus ao senhor da papelaria, pois ele não iria compreender. quero um bloco de papel de carta, se faz favor. o senhor da papelaria não se mostrou convencido e perguntou-lhe: pretende também envelopes? Júlio não quis envelopes, pagou, despediu-se e ouviu ainda a voz do senhor da papelaria dizer: até logo!
Escrito por jm às 21h22...