18 de dezembro, 2003

benvindo

olho em volta do mundo e vejo pouco mais que um silêncio. corto o silêncio com um x-acto. um x-acto é um bom cortador de silêncio. ouve-se um grito ou um borbulhar de sangue (escolham vocês). é risível a idiotice dos termos que se empregam quando vemos alguém de quem não gostamos nem desgostamos: poderia ter chovido menos (não se pode dizer "mais" porque ofende, ainda que seja exactamente "mais" que eu diga), poderia ter feito sol ou vento (isto tudo para dizer que aquela pessoa, ou eu, se for eu "aquela pessoa", é tão importante como o caixote do lixo presente no local de trabalho). um x-acto numa mão, sangue na outra mão. será a outra mão capaz de pegar no x-acto? com certeza, haveremos de verificar. não importa o facto de o grito não minimizar o silêncio, porque o silêncio é absoluto aqui. aqui. onde os mochos são benvindos. o senhor da papelaria ficou intrigado: um x-acto? porque não compra este conjunto de três, saía-lhe mais em conta e tem a mesma qualidade. insisti: um x-acto, se fizer o favor de mo vender. afinal, não lhe ia dizer que três implicaria uma escolha ou então a tentadora utilização de todos. um x-acto, muito bem: qual a cor? saí. o tempo, na rua, estava como manda a natureza.

Escrito por jm às 22h50...




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'borbulhar de sangue'

Escrito aqui por margarete em 19 de dezembro, 2003 às 13h50