ouço gaivotas. ouço tormentos de alcatrão e nafta. ouço o medo a entranhar-se pela pele a-dentro. foge daí, foge daí, não morras aí, não morras aí.
e a porra é o mundo inteiro ser tão irrelevante para quem arma e mata e desarma e mata e negoceia a vida como se fosse sua a vida que é de todos os seres.
ouço o mar em pranto. chorando lágrimas negras. pesadas. arrastando consigo para a morte os seus filhos. criaturas do seu mundo sem mundo. devo-lhes a eternidade e morro culpado.
Escrito por jm às 01h57...Infelizmente, há quem acredite que basta acreditar na Nossa Senhora de Fátima...
Eu vi as lágrimas negras de que falas também nos olhos de alguns pescadores e de pessoas que vivem do mar e, em certa medida, também para o mar. E doía mais do que pude pensar, principalmente por não haver muito mais a fazer para além de tentar redistribuir algum branco pelos areais enquanto se engolia a raiva e as lágrimas e a impotência de tudo aquilo.
Escrito aqui por Sara Figueiredo Costa em 3 de dezembro, 2003 às 20h05ás vezes sinto-me mal, por me deixar estar numas situações. por pensar que é impossível ir, viver e depois voltar.
quis ir. mas não fui.
quando a nossa senhora de fátima... nada a comentar: concordo! ;)
Escrito aqui por jm em 4 de dezembro, 2003 às 12h46