fosse eu crente e diria "Endovélico me proteja desta gente e deste teatro!", mas provavelmente não fiz sacríficios suficientes.
As críticas sobre a minha estreiteza de visão do teatro já ameaçavam o bom senso: mas se afirmo que os preços importam-me, a qualidade é determinante.
Ofereceram-me bilhetes para ontem. Ontem, depois de uma reunião, lá fui para o Trindade, ver uma peça em dia de lotação esgotada, os preços são a 13euro. Apesar de estar mais curioso com "9cento", as borlas são para ser aproveitadas, e fui ao Teatro da Trindade assistir a "Viriato".
Vou comentar brevemente o texto da peça, e este é um ponto relevante na minha crítica, uma vez que o texto é base de trabalho de todos os intervenientes: encenador, actores e patrocinadores (kidding!). Um texto pode ser razoável e haver um trabalho fascinante da companhia e do encenador - o exemplo para mim é "O meu Blackie" de Arne Sierens nos AU, que deram forma soberba a um texto fraco.
Considero o texto ouvido, ontem, como mediano. Não tive oportunidade de ler o livro de Freitas do Amaral, onde poderia, talvez, retirar mais substância dos conteúdos e da investigação do autor. Para ler uma excelente história romanceada de Viriato, aconselho o livro de João Aguiar, "A Voz dos Deuses".
Tenho a certeza, contudo, que ao ler o livro - eu não sou daqueles a quem são oferecidos livros :( pelas editoras - conseguiria extrair mais sentimento, menos plasticidade e robótica dos diálogos e das narrativas, do que os actores em palco.
Fiquei paralisado ao ver-me ensaiar os discursos possíveis às minhas futuras namoradas na primária... eu não conheço a maioria daqueles actores de outros trabalhos... mas, ó infelizes, toquem-se!
Dei por mim a chorar a rir, controlando o som do riso (gargalhada), numa das partes que deveria demonstrar sensibilidade e puxar para a comoção: a declaração de amor entre duas pessoas... eles tentaram imitar um filme do tipo "o monte dos vendavais"... mas, ó infelizes, espero que a vossa vida real seja um pouco melhor!
Apesar de um quarto da sala do Trindade ter ficado vazia após o intervalo, fiquei até ao fim, para que os meus críticos me não acusem de pouco resistente...
Foi interessante verificar que o público atento desta peça tinha momentos únicos de humor: sempre que o mesmo chefe de uma tribo apelava a Viriato que às vitórias fossem concedidas as violações das mulheres, o público ria-se... mas ria-se à vontade... nada comedido - penso que isto revela, e bem, o tipo de público...
Não gostei... agradeço a oportunidade que me foi concedida de poder criticar abertamente o teatro feito para massas... lotação esgotada para ver esta coisa... ggeeezzzzz!!!
Escrito por jm às 13h07...não sei de nada
(até posso dizer, sei lá, alerta pink!!!)
mas que este trocadilho está engraçado ah, isso está.
vi
ri
ato
LOL!
Escrito aqui por margarete em 9 de novembro, 2003 às 15h21é um trocadilho interessante, a história portuguesa tem destas coisas.. podermos gozar com o que nos é exigido ser nosso...
:)
Escrito aqui por jm em 9 de novembro, 2003 às 16h03esta coisa dos trocadilhos lembrou-me, já não lanças um concurso há mto tpo...
Escrito aqui por margarete em 9 de novembro, 2003 às 23h16boa lembrança...
hei-de fazer coisa complicada!
Escrito aqui por jm em 9 de novembro, 2003 às 23h20