sempre quis escrever uma carta com o mote de mandar todos à merda. ensaiei-a por várias vezes, mas o resultado pecava pela falta de violência implícita ao mote.
nunca escrevi essa carta. ainda deixei por aí alguns recados e postais. descobri depois que nos momentos em que pretendi escrever sob esse mote me desviei para os cigarros, para o relógio e para o vazio. felizmente, começo a compreender que estes motes originam melhores reacções do que mandar à merda as pessoas. compreendo também, que nestes anos de vida, parcos em histórias, muitas pessoas me tenham mandado à merda.
talvez lhes faltasse o conhecimento de que eu nunca saí dela.
Escrito por jm às 23h57...pá, é suposto eu ter mau feitio, era pa te mandar à merda e acabas assim, a passar-me outra rasteira
olha, talvez te encontre no vazio
Escrito aqui por maga patológica em 31 de outubro, 2003 às 09h39sim, no vazio. o único sítio certo.
Escrito aqui por jm em 31 de outubro, 2003 às 10h01os cigarros, o relógio e o vazio. e as palavras. felizmente, ainda as palavras.
Escrito aqui por margem em 31 de outubro, 2003 às 12h14penso nas palavras e sinto que são elas que me matam. são as palavras que vêm em socorro dos meus inimigos e me sufocam. por vezes, parece que consigo torná-las minhas companheiras. contudo, as palavras são a expressão da minha decadência.
Escrito aqui por jm em 1 de novembro, 2003 às 12h01entendo, talvez (e se calhar vou dizer frases-feitas), mas as palavras também poderão ser a libertação daquilo a que chamas a tua "decadência", quer as palavras pensadas (porque de palavras se faz o pensamento) quer as escritas.
é claro que as palavras não são inocentes, mas se podem matar (porque magoam, ou porque expõem e nos confrontam com o que não queremos ver, ou porque são armas nas mãos dos que nos querem atingir) também podem libertar (porque exteriorizam o que nos vai dentro, aliviando-nos assim de alguns pesos, sejam eles de angústia ou de euforia,... ou porque nos permitem viver algumas fantasias, ou até porque com elas podemos mandar tudo e todos à merda)
às vezes, irrita-me esta coisa de tudo na vida ter dois lados (pelo menos).
enfim, não é simples. nem tenho a certeza de acreditar em tudo o que escrevi, não sei se entendes
entendo. :) os binómios são o cerne de tudo o que aprendemos. mas depois, também aprendemos que os binómios são o que nos facilita a vida na dúvida.
saberás concerteza que nem tudo são binómios... até porque as margens representam exactamente áreas de conflito onde surgem hipóteses traversas, que põem em causa os dois lados da faca... demonstrando a existência de um espaço crucial onde eles pouco se distinguem ou não existem, mas que os liga. :)
Escrito aqui por jm em 1 de novembro, 2003 às 17h58