27 de outubro, 2003

Sei que o homem lavava...

Sei que o homem lavava os cabelos como se fossem longos
Porque tinha uma mulher no pensamento
Sei que os lavava como se os contasse

Sei que os enxugava com a luz da mulher
Com os seus olhos muito claros voltados para o centro
Do amor, na operação poderosa
Do amor

Sei que cortava os cabelos para procurá-la
Sei que a mulher ia perdendo os vestidos cortados

Era um homem imaginado no coração da mulher que lavava
O cabelo no seu sangue

Na água corrente

Era um homem inclinado como o pescador nas margens para ouvir E a mulher cantava para o homem respirar



Daniel Faria, in Homens que são como lugares mal situados, p. 9

Escrito por jm às 12h18...




Comentários

não digo nada
impõe-se a solenidade do significado poesia
vou ler

Escrito aqui por margarete em 27 de outubro, 2003 às 12h23

gostaste?

Escrito aqui por jm em 28 de outubro, 2003 às 09h49

do k li aki sim, inda não procurei +...

gostar é um verbo...

digo muito 'gosto de ti', sinto muito 'gosto de ti' qdo o digo realmente numa outra dimensão do 'amo-te'

da poesia, não sei k verbo conjugar, não sei mesmo :§

Escrito aqui por margarete em 28 de outubro, 2003 às 09h52