sentado no meio do bulício citadino deparei-me como de costume com imagens aldeãs o macho puxando a carroça a caminho do posio a porca encaminhada por uma vara de marmeleiro a caminho da cobrição as galinhas picando o chão no meio do caminho na cidade estas imagens têm paralelos intensos de realidades tangíveis a olho nú quando vemos o progenitor empurrando o carrinho de bebé com uma ou duas crianças a caminho do posio da vida a mulher nos vintes com um vestido de algodão curto que lhe acompanha o corpo na alegria e na procura do desejo e os outros muitos deambulando pelas ruas vasculhando o lixo das esquinas e dos contentores sentado no meio do bulício citadino vejo-me pequeno como um pardal de telhado
A realidade na qual vivemos diariamente faz com que por vezes sintamos uma necessidade imensa de "nos transportar" para outros espaços, para outros tempos, para outras realidades.
O rotineiro, desgastante, alucinante, miserável, pobre de espírito, é susceptível de nos afogar e origina também uma luta tremenda pelo simples, mas decisivo, agarrar de uma boia para, pelo menos, não desaparecermos de vez e termos possibilidade de buscar uma alternativa.
No meio dos nossos sonhos ou das nossas visões, por vezes o triste é o acordar ou inquietantemente perceber que afinal tudo não passava de uma miragem. Temos que saber viver com isso. Temos, para sobreviver, que viver com isso. Se bem que seja muito apetecível (e bom) pensar que o sonho e as visões também podem ser realidade...a nossa realidade.
Mais uma vez: gosto muito do que escreves. Acho-te uma pessoa linda.
Sandra
Escrito aqui por Sandra em 21 de setembro, 2003 às 16h35