19 de setembro, 2003

linhas femininas

cada vez menos me deparo com mulheres femininas, livres e conscientes da sua riqueza enquanto humanas. e essas são tão raras pelo equilíbrio que demonstram na sociedade actual e na importância do seu discurso contrabalançando os extremismos na moda.

o que encontro mais são umas que se afirmam libertas do jugo masculino, feministas - ainda que digam que o não são -, mas que ao fim e ao cabo só pretendem inverter os papeis... subjugar. e pretendem viver do ar numa batalha constante contra os interesses do universo masculino.

é triste constatar que o equilíbrio é um objectivo inútil... ainda que seja um objectivo perene para mim.

Escrito por jm às 11h56...




Comentários

hmmm, não sei que responder a isso...

Escrito aqui por claudia c. em 19 de setembro, 2003 às 16h47

Sabes, tenho pena que cada vez mais homens achem isso... tenho mais pena ainda porque começo a achar que têm razão.

Escrito aqui por Ana em 20 de setembro, 2003 às 16h47

tenho pena que haja tantas feministas e tão poucas mulheres femininas...

Escrito aqui por Ana em 20 de setembro, 2003 às 18h03

Na minha opinião o problema não é o Feminismo em si. Eu sou feminista! O problema é o uso que se dá ao conceito e, consequentemente, as conclusões que desses entendimentos e comportamentos distorcidos se permitem tirar.

Sandra

p.s- Já agora, Feminismo não tem nada a ver com masculinidade nem aversão aos homens. Poupem-me!!

Escrito aqui por Sandra em 20 de setembro, 2003 às 19h01

A propósito do Feminismo deturpado, revejo-me absolutamente nas palavras de Natália Correia e penso que elas vão, com as devidas adaptações, também ao encontro do que diz o jm (depois dirás, ok?):

"O que me maça nestas feministas é o seu feminismo, a sua estúpida fixação aos problemas femininos debatidos em palavrosas assembleias e gritados em marchas que arvoram pendões de guerra contra o homem. O que me aflige nestas feministas é o seu racismo estreito de curto alcance que disputa posições em vez de arrasar as estruturas que impedem a transformação do mundo num lugar habitável por homens e mulheres. Procedem como se quisessem o mundo para elas tal como os homens quiseram o mundo para eles. Imitam o erro no que demonstram a tristíssima falta de imaginação de errar por conta própria!
h, não! Se estas mulherzinhas pretendem reeditar a epopoeia de loucuras e desastres que o homem inconscientemente subscreveu no galarim do seu incontestado poder, então deixemos as coisas como estão a esvaírem-se imparavelmente nos seus absurdos até àquele termo onde tudo renasce por necessidade de permanecer.
Entre um juíz de calças e um juiz de saias, opto pela liberdade de pensar que os juízes um dia não serão necessários".

("O pingue-pongue das feministas: pouca ou muita vergonha". In: Breve história da mulher e outros escritos. Lisboa: Parceria A.M. Pinto, Livraria Editora Lda, 2003, p. 196)

A última frase é lapidar. Pois então!

Sandra

Escrito aqui por Sandra em 20 de setembro, 2003 às 19h12

Como existem duas Ana nesta discussão, aqui vai:

Ana (1)... esses homens que pensam isso, assim, tão claro, serão muitos?

Ana (2)... escapou-te algo.

Sandra... excelente escolha de palavras da Natália Correia, obrigado, ficou bem dito e quase tudo dito.

A todas: eu cresci mais perto das mulheres do que dos homens, ou de entidades do sexo feminino do que do masculino, ainda que pertença a uma família tradicional e funcional. Cresci a ver os seus corpos tomarem as belas formas que desejo e amo... aprendi a apaixonar-me e a perder a paciência quando fazem beiço por tudo e por nada ou quando nunca fazem beiço e me querem abater.

Escrito aqui por jm em 20 de setembro, 2003 às 19h28

"tenho pena que haja tantas feministas e tão poucas mulheres femininas... "

Ser feminista é antónimo de se ser feminina???
Ser feminina é ser-se mulher!!! É gostar de se ser mulher.
E ser mulher definitivamente não é sinónimo de ser frágil, cor-de-rosa, fazer beicinho, gostar de coisas fofas, precisar de quem nos proteja, vestir saias, usar adornos, roupas que combinam ou ficar à espera do principe encantado no cavalo branco.

E ser feminista é viver o ser mulher.

Apesar de as pseudo-feministas ou meninas femininas gostarem de lhe dar uma conotação de mulheres que vivem com o desprezo e o despeito, e em que o feminismo é geralmente visto como arma de arremesso contra os homens, como uma maneira de as mulheres roubarem o papel que tanto odeiam nos homens e tomarem elas o papel dominador - ser feminista é ser-se mulher adulta responsável, dona da sua vida, dona da sua sexualidade - com homens ou outras mulheres, respeitar-se e respeitar. Ser feminista não é definitivamente não gostar de homens. Mas é viver em igualdade.

E fazer beicinho, dizer-se muito frágil e "feminina" (na conotação lorpa da ainda infelizmente maioria das mulheres desta sociedade) não é ser-se MULHER e muito menos querer viver em igualdade.

Dizer-se mulher emancipada e no fundo viver-se como viviam as nossas avós - tudo fazer para agradar ao homem-macho, para caçar o homem-macho - tudo será melhor do que estar sozinha - e os homens-machos querem é meninas e não Mulheres.

E eu considero-me Mulher, Feminina e Feminista.

Escrito aqui por dolphin.s em 20 de setembro, 2003 às 20h05

Razões mais do que suficientes para te perderes!
Alturas há em que de facto, algumas mulheres são insuportáveis, mesquinhas, vazias, birrentas, mimadas, estúpidas. Pobre condição feminina a quanto te equivalem!
Disse Simone de Beauvoir que não nascemos mulheres, mas tornamo-nos mulheres: causado por muita coisa mas causado também pela própria Mulher que, com tiques estridentemente "femininos" se molda, se apatetiza, se fragiliza, se toca e retoca, se humilha, não se bate, refugia-se, engana-se e deixa-se enganar, faz-se de estúpida e torna-se estúpida.
Que pelo menos algumas daquelas que te rodeiam ou te rodearam não sejam assim. Para bem da nossa imagem, para bem do nosso sexo, para bem da Inteligência, Capacidade e Vontade inerentes à espécie.

Sandra

Escrito aqui por Sandra em 20 de setembro, 2003 às 20h08

hmmmm, continuo sem saber o que responder a isto. penso sexismos e dá-se o curto-circuito. e agora percebi que é logo aquela primeira frase. é que eu,cada vez mais, encontro mulheres femininas, livres. não sei se sou bom exemplo, tendo a ter dficuldade em perceber o que será uma mulher não-feminina, grande a dificuldade em compreender "feminino" se não em sentido estrito.
seja como for, falaram e disseram as meninas aquilo que eu não saberia dizer.
mas ocorre-me que são sempre em menor número as considerações em volta da masculinidade, até porque seria difícil dada a conotação tão estreita e tão sexuada que a coisa adquire. a feminilidade discute-se à mesa de jantar com a família... a masculidade é um território perigoso que quando menos se dá pela coisa nos põe a discernir sobre a relevância do tamanho do pénis na impotência masculina e isto não vai bem com o empadão de carne. (junk)food for (mindless)thought

Escrito aqui por claudia c. em 23 de setembro, 2003 às 05h07

É mesmo uma questão de preconceito.
E tanto a feminilidade como a masculinidade têm conotoções demasiadamente deturpadas pela sociedade. É uma questão de cultura.
O ser-se feminina ainda é discutido à mesa, porque é uma condição essêncial para se arranjar o tal homem-macho. E o ser-se feminina nesse conceito, não tem nada a ver com aquilo que tu (Claudia) e eu acreditamos que é e que somos.

Assim como o a masculinidade de um homem nunca poderá ser posta em causa, porque ainda vivemos numa sociedade, em que a mulher tem que agradar ao homem e fazer o seu papel de ser frágil. E o homem tem que ser um gajo forte que nunca chora e que "é muito homem" para sustentar uma família, além de ser um garanhão reprodutor.

Sinceramente, acho que uns estão bem para os outros.
Só me irrita misturarem os conceitos. E apetece-me furar os olhos a uma gaja que diz "eu sou muito feminina", querendo apenas dizer que usa saias, faz beicinho, chora para ter o que quer, tem a cama cheia de peluches, usa muito cor-de-rosa e é uma coquete fútil e vazia de qualquer significado do que ser Mulher realmente tem.

enfim...

Escrito aqui por dolphin.s em 23 de setembro, 2003 às 11h40

dolphin s., i see we see eye to eye on this one. ;)

(há uns largos anos estava a fazer uma grande arrumação ao meu quarto-- sempre tem de ser a arrumação na proporção da desarrumação que a precede :/-- quando decidi que aqueles bonequinhos todos tinham que ir (até nas prateleiras os tinha), ou pelo menos parte. zangou-se a minha mãe, imagina, "mas e onde vais pôr isto tudo?! não vês que fica com um quarto pesadão se insistes nessa ideia de encher as prateleiras de livros?". é verdade, ela disse isso. é boa pessoa a minha mãe, aliás, é muito boa, coração de ouro... temos é umas ideias diferentes em relação a umas quantas coisas, mas não deixa de ter a sua piada. agora implica com os cd's (já percebeu que com os livros perdeu a batalha), sempre que me vê comprar um pergunta "mas já não tens que te cheguem?". e ainda me diz coisas como "uma menina não pode..." ou "uma menina não deve...",,, se lhe respondo "oh mãe e onde é que está a menina?!" ri-se e percebo que aquele riso quer dizer muitas coisas. :))

Escrito aqui por claudia c. em 24 de setembro, 2003 às 11h30

Uma história que se repete pelas casas de família ;)))

As nossas mães ainda é fácil de compreender e aceitar que pensem assim.

O grave é mulheres da nossa idade e mais novas, continuarem a pensar assim e fazerem questão de fomentar essa maneira de ser e de estar.

As coisas não mudam... na base, no essêncial, realmente nunca mudam...

Escrito aqui por dolphin.s em 24 de setembro, 2003 às 14h20

O que é que uma menina não pode? E o que é que uma Mulher não deve?... Porquê? ....
(Para algumas é até uma aberração estarmos a discutir ISTO!! Porque se sentem chocadas e/ou ofendidas na sua "essência de mulheres". Lamentavelmente!)

Como diz a Dolphin.s, o problema é não terem ainda as Mulheres jovens do presente dado o murro na mesa e modificado por completo aquele que foi e é o mundo das suas mães (para além de avós, "bisas" e por ai fora), continuando a repeti-lo, com mais ou menos sofisticação, mas continuando a repeti-lo. Nos actos e, sobretudo, no pensamento.
Alegremo-nos, pois, sendo "Esposas", "Filhas" e "Mães".

:(((( Brrrrrr...

Sandra

Escrito aqui por Sandra em 25 de setembro, 2003 às 13h14