16 de setembro, 2003

olho para trás

vejo-o calçando as botas
nos pés ausentes
vejo-o tratando da terra
com a força ausente

vejo-o prostrado num leito
sem pés
sem pernas
sem força

vejo-o tentando ensinar-me coisas
eu aprendi o que quis
eu, o rebelde dos netos
eu que nunca disse sim
ele sem força
ele, homem, balbuceia na dor

por me ter feito chorar
sem razão para tal
sou aquele que está mais próximo
na ilegitimadade humana contra-natura
na manutenção duma vida sem razão
não por amor nem por desgosto
apenas porque sim


este é um exercício que resolvo publicar, apesar de toda a inépcia, a falta de técnica e a falta de acerto na escolha das palavras e na sua interacção.

Escrito por jm às 13h42...




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