li recentemente uma intervenção do Jorge Silva Melo, de 11 de Novembro de 2000, entitulada «"DEUS, PÁTRIA E FAMÍLIA" JÁ FIZERAM FILHOS»; um manifesto de 15 páginas onde se concentra o pensamento na realidade cultural de um país sem rumo, que se não desafia e não sabe.
escreve JSM «Nestes últimos cinco anos saímos da "direita mais bronca do mundo" [...] como os seus Santanas [...] não direi para a "esquerda mais inteligente do mundo" mas pelo menos para a Bárbara Guimarães». Soubesse JSM quão horríveis iriam ser os dias de 2002 e teria, provavelmente, escrito qualquer coisa como: «E há-de voltar o bronco e destruir por todos os meios a vida cultural que construí», como se estivesse escrevendo um livro do apocalipse.
não acredito que JSM escrevesse isto, mesmo que o pudesse adivinhar, apenas e só, porque a vida cultural dinamizada n'A Capital deixou vontades, ainda acordadas.
entretanto, ainda na missiva que referi, JSM reinvidica para a cultura e para os elementos vivos da mesma (todos os que dela participam, criadores ou fruidores) a existência da dúvida, a dúvida permite pensar e questionar "as coisas". (este é um tema que me é especialmente querido.) escreve ele: «O que é a cultura precisamente a não ser a dúvida?»
JSM coloca também a seguinte premissa em análise: «A cultura é uma nova fé. E começa a mover tantos interesses económicos como noutros tempos mais singelos a religião moveu.» e antes tinha escrito que «Não se discute a cultura como não se discute Deus.»
a estagnação cultural portuguesa não existe, digo eu, o que existe é uma limpeza de qualquer vestigío cultural que possa "poluir". não temos lugar a uma relatividade mental e corpórea própria, sendo mais extensamente propangandeada a cultura do nulo e do seguidismo.
em substituição plena do tríptico salazarista, JSM oferece-nos «Cultura, Europa, Lusofonia», num gesto de ironia e para não ser mais rude do que já é considerado.............
-- a edição deste manifesto é da responsbilidade da Abril em Maio --
(this won't be continued)