3 de janeiro, 2003

apontamento para diálogo: tu e eu

tu - estavas a falar dele? ou era eu que estava a falar dele?

eu - quando?

tu - lá embaixo, antes do fulano ter chegado!

eu - não me lembro. não é importante. ele não é importante. já não é importante.

tu - que foi isso agora? tantas vezes te quis perceber que perco a capacidade de te entender à primeira e preciso que me expliques o mais ínfimo pormenor para ter um ponto de ordem na minha cabeça.

eu - não foi nada...

tu - sempre soube que o amor é dúbio quando somos imprecisos sobre a vida. quando não acreditamos que alguém nos possa amar é quando amamos mais e mais pessoas diferentes. corpos diferentes. e todos importam em determinado momento. acabamos também por descobrir que o nosso amor acaba por ser um sentimento tão forte que o direccionamos e o contemplado com a nossa presença é, enfim, aquele que nos disse sempre, sempre, sempre que nos ama e sobre isso tinhamos dúvida e sobre isso achavamos que era uma piada de muito mau gosto. ninguém nos ama. só nós amamos. ninguém. toda a gente.

eu - dizes tanta coisa. e de tudo o que dizes é tudo o que me apetece vomitar na sanita e puxar o autoclismo. falas de nós como se fossemos iguais e tu não és nada igual àquilo a que eu sou igual. vai fazer considerações para outro lado. não quero saber do que dizes. e não digas nós se esse nós és tu e eu.

Escrito por jm às 14h49...




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