6 de maio, 2003

hesito...

hesito em falar do que quer que seja. não escrevo sobre nada, de modo a não subvalorizar qualquer assunto pelas minhas palavras menos felizes ou mais inodoras.

sinto perfeitamente um cheiro a podre. sinto perfeitamente as ferroadas das pulgas no meu local de trabalho, apesar de não trabalhar no antigo curral da minha falecida avó paterna.

apetece-me sorrir, mas ninguém vê piada alguma nas minhas anedotas. que normalidade poderei atingir neste mundo?

quantas vezes penso que seria muito melhor passear as cabras do meu falecido avô paterno, ou tirar o esterco do tal curral, ou cozer pão ou viver fora daqui, onde não exista uma normalidade de acesso limitado - algo que não existe. e não me apetece encerrar-me numa caixinha de idiotices e arame farpado.

algo curioso é falar com pessoas de quem gosto e que me dizem «eu quero ser normal» ou «eu sou normal». a normalidade é um objectivo de vida, para elas. sinto-me triste por não perceber onde caberia uma determinada originalidade individual. sinto-me triste por essas pessoas de quem gosto.

existir num padrão que agrade à maioria, essa maioria falsa que nos garante o nada.

Escrito por jm às 21h31...




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