Hoje é o último dia para comprar o selo do carro. Estupidamente, fiz o que nunca tinha feito: comprar o selo no último dia. Dirigi-me à Repartição de Finanças local, uma vez que sendo novo na zona, me disseram que seria o melhor sítio para encontrar o selo, que as papelarias já não tinham os selos mais comuns, etc., etc.. Fiquei duas horas dentro daquele edifício, esperando o momento em que chamassem o meu número. Pelo meio, algumas peripécias contribuiram para uma melhor disponibilidade mental para aguentar a seca:
one a repartição tem daqueles distribuidores de etiquetas numeradas, que encaminha uma fila de espera de números para as diferentes posições de atendimento, conforme o assunto a que o contribuite se desloca ao local. Num local bem visível, lia-se que a compra do dístico teria que ser feita na tesouraria e para tal se deveria optar pela "tecla um". 98% das pessoas ali presentes terá feito essa escolha. A máquna colocou um leve folha de papel térmico cá fora, como um bebé deita a língua de fora a um adulto, simpatizando com ele, nessa folha, para além de outras informações de somenos importância, estava inscrito o meu número: 469. Olhei para para os placares electrónicos e vi o número do presente: 316. Tinha-me sido dado uma luz sobre o futuro, sobre o meu futuro, sem tempo. Enquanto me adaptava à realidade do local e do tempo de espera que me tinha sido atribuído, notei que a chamada das pessoas pelos números das senhas era feita por um buzz rápido, seguido de uma voz feminina pré-gravada que dizia cada um dos dígito do número da senha, sem nunca os unir, como nos gritos da lotaria. Foi num instante seguinte, que ouvi: buzz «"quatro", "sete", "dois" para a mesa 6». E eu pensei... mmmm têm uma das filas com mais numeração que a fila com mais pessoas, deve ser tão pouco usada que não a põem a zeros.... ERRADO!! A sequência númerica na repartição de finanças é partilhada pelos vários assuntos que os contribuintes vão ali resolver... E, o que acontece é que quem espera, não consegue calcular realmente o tempo que pode vir a demorar.
two uma das mais maravilhosas descobertas foi saber que, enquanto estavam três pessoas a aceitar os impressos e a vender os selos do carro, uma senhora, numa secretária fazia a confirmação de impressos para "pedidos de isenção". Como devem calcular, o número de pessoas a pedir isenção de taxa de circulação é imensa, fiquei enternecido pela tal senhora, cujo volume de trabalho se aproximava do zero. Lindo foi ver um grupo de pessoas chegar do almoço e... a senhora que não fazia quase nada foi substituída por outra, que disfarçava melhor, retirando dossiers do armário embutido atrás de si e alterando as posições das fichas que eles continham.
three esta nova senhora que não fazia nada, foi alertada pela colega da frente do seguinte: "preciso dum selo de isenção", ao que esta nova senhora retorquiu: "já preencheste o impresso? despacha-te, depois das quatro já não serei eu a dar-te o selo" - a repartição fecha o atendimento às quatro. Esta que pediu à outra o selo, quando chegou do almoço veio com amigos... pensei que seriam colegas, mas não! AMIGOS! Os amigos ficaram à porta, por assim dizer... mas dizendo melhor, ficaram como todos os outros esperando no área de espera. E a senhora foi para trás do balcão. Atrás do balcaõ, só pessoal de tesouraria morria a aceitar impressos e vender selos... Esqueci-me dela! Quando de repente... ela reaparece junto duma secretária - a que fica em frente à secretária da senhora que não faz quase nada - e substitui a colega. Mas antes de se sentar e começar a trabalhar, chama os amigos um a um, dá-lhes selos e cópias dos impressos e troco.. e BARDAMERDA... eles estiveram lá dez minutos e eu gramei duas horas!