20 de junho, 2003

VAI e VEM no número 100

VAI e VEM - um filme de João Cesar MonteiroVAI e VEM no número 100. Hoje é dia de estreias! E estreia o último filme realizado por João César Monteiro, falecido em matéria este ano. Com um dos mais interessantes historias do cinema não pimpolho português, César Monteiro poderá ter-nos deixado com o seu melhor filme vivo e ainda quente, para regalo de olhos e mente. Disse Paulo Branco, ontem à noite em entrevista ao Jornal da Noite (?) da RTP2, que este foi o homem que anunciou, nos idos anos 70 do século passado, a ventura de Manoel de Oliveira: «este país é pequeno demais para Manoel de Oliveira» - o que para mim significa menos quanto: «guardarei pintelhos de quantas mulheres amar e quando os rever num álbum vermelho ainda lhes sentirei o gosto», frase minha ao gosto de César Monteiro.

Deixo a sinopse do site oficial do filme:
"João Vuvu, viúvo, sem família, à excepção de um filho que se encontra a cumprir pena de prisão por duplo homicídio e assalto a um banco à mão armada, vive sozinho em casa própria, ampla, soalheira e indiciadora de apreciável abastança, num bairro antigo de Lisboa, situado no sopé do Monte Olivete.

Pouco ou nada sociável, o senhor João Vuvu efectua diariamente o seu passeio no autocarro nº 100, repetindo infatigavelmente o mesmo trajecto: no sentido ascendente entre a praça das flores e o jardim do Príncipe Real e, no sentido descendente, até ao ponto de partida e subsequente regresso a casa. Apenas alguns acidentes de percurso podem episodicamente alterar este quotidiano que parece corresponder à vontade de isolamento do protagonista, à assunção de um exílio que o torna relapso a qualquer aproximação social.

João Cesar MonteiroA casa, onde livros e discos são as únicas companhias de João Vuvu, começa a requerer urgentemente os préstimos de uma mulher-a-dias que, com um mínimo de qualificações, teima em não aparecer.

A saída do filho da prisão e a decepção que o seu desejo de regeneração provoca no pai, irá desencadear uma série de sombrios acontecimentos em que a índole criminosa do protagonista se manifesta e o condena a um destino definitivamente fora da lei e a comunidade.

Salvaguardadas as devidas diferenças, duas referências cinematográficas marcantes: The fatal glass of beer de W.C. Fields e Monsieur Verdoux de Charles Chaplin."

Para saberem mais, prontifiquem o rato por aqui. Onde encontrarão dois excertos do filme - um deles curto e fantástico, com o realizador/actor e Miguel Borges - e fotos e biografia e...

Escrito por jm às 10h08...




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