25 de junho, 2003

Enquanto olho para dentro...

Enquanto olho para dentro e admiro o comportamento do intestino delgado e a importância que, para a minha sobrevivência, ele representa, penso que a vida nas entranhas do tempo é algo de miserável. Eu, pequeno burguês, sem extremos, ordinário e amoral, penso! E este facto, o do pensar, admira-me mais a mim do que a qualquer das entidades que se me dirigem diariamente ou nem por isso. E, contudo, eu penso mal! Ou não sei pensar... se pensasse e agisse em conformidade, poderia estar em casa durante dias e mais dias e só sair à rua quando ninguém se me atropela à frente e olha para mim com um olhar de diferença, que aceito enquanto diferente, mas cujo conhecimento directo dispenso. Ser exposto à convivência forçada não me está nos neurónios que ainda me restam.

Existem pessoas com quem gosto de estar, porque se não intrometem com o meu caminhar nem com a côr do meu pensamento. Existem pessoas que mesmo longe, são sempre as que mais conversam comigo.

Contudo, tenha-se a certeza de que sou um bicho que foi acossado... e prefere a toca solitária às gentes que fazem de qualquer um um amigo.

Escrito por jm às 15h18...




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