6 de agosto, 2003

li dois livros recentemente.

... aplaudam! o vazio dos espíritos não faz o verão menos apetecível, porque muito bons são os espíritos que por aqui cavalgam...

Cavalo de Ferro escrevia eu... li dois livros: A Senhora dos Açores e Ontem, ambos publicados pela Cavalo de Ferro. este fim de semana quis comprar o primeiro, para oferecer, numa das FNAC lisboetas, mas não o encontrei... comprei o segundo! Afinal, já tinha lido ambos e serviam para os meus propósitos: agradar e dar a conhecer boa leitura. ... a editora Cavalo de Ferro é para mim motivo de colecção. a beleza e o cuidado das suas edições fez-me ter essa vontade, coleccionar as edições da editora até ao possível! sendo tudo menos rico, espero que a editora seja moderada... para que a minha vontade não seja atirada à frase: queres, mas não podes. já me basta o assassinato cultural de Lisboa em particular e do país em geral.

Eu raramente leio livros porque me dizem para ir ler os livros, nunca gostei dessa obrigatoriedade... Assim, o que vos direi aqui ou aquilo que escrevi antes é-vos tão útil quanto a vossa vontade o fará.

A senhora dos Açores, Romana PetriOntem, Agota KristofA Senhora dos Açores, de Romana Petri, está escrito em forma pessoal, um acompanhar dos dias da escritora durante a sua estadia veraneante nos Açores. Uma estadia que começa com um limite - não estrito - de um mês e se estende ao correr dos dias e da dolência gerada pelos encantos das pessoas. A senhora dos Açores fala-nos de emigrantes e dos seus descendentes, de velhos e de novos, de mortos e de almas que nos podem saudar na estrada.

«"As pessoas têm medo de esquecer; eu, pelo contrário, aconselho que se viva mais o presente, que sejamos até um pouco ignorantes, não acredita?"», p.57.

Ontem, de Agota Kristof, outra mulher, revela-nos um argumento para um filme que só passaria nas salas de cinema de culto de Paulo Branco. A deslocação de pessoas por causa da guerra, por causa da política, por causa da pobreza... sendo este último facto um sinal que vive perto de nós e se afasta na emigração. O índice de emigração para fora de Portugal cresceu... e a culpa não é da imigração estrangeira! Os amores de infância e o sonho permanente, assemelhando-se a uma loucura presente e necessária para o próximo fôlego de vida.

«Vou cada vez com mais frequência ao café. Vou lá quase todas as noites. Travo conhecimento com os meus compatriotas. Estamos sentados a uma longa mesa. Uma rapariga do nosso país serve-nos de beber.», p.38.

Em breve outros comentários sobre livros da editora.

Escrito por jm às 12h31...




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